Kiko Shred – “Rebellion” (2021)

Kiko-Shred-Rebellion
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Kiko Shred“Rebellion” (2021)
Heavy Metal Rock
#HeavyMetal, #MelodicPowerMetal, #PowerMetal

Para fãs de: Helloween, Primal Fear, Sinner, Angra, Viper

Nota: 10

Não, isso não é mais um álbum instrumental de guitarrista! Se você pensou nisso logo de cara, está redondamente enganado. Temos um BAITA álbum de Heavy/Power Metal com banda, letras, melodia, arranjos complexos e bonitos, criatividade, peso, técnica e tudo mais! Jogou fora seu pré-conceito/preconceito? Ótimo, agora pode continuar a ler.

Muito se fala de Andreas Kisser, Edu Ardanuy, Kiko Loureiro etc, como exímios guitarristas e músicos. Isso ninguém é louco de discordar, mas todos deveriam prestar atenção também em Kiko Shred. A técnica apuradíssima, a alma e o extremo bom gosto de suas composições e arranjos são dignos de grandes mestres do instrumento, o que o fez tocar ao lado de grandes nomes do Heavy Metal mundial, como por exemplo Tim “Ripper” Owens (ex-Judas Priest, ex-Iced Earth), Doogie White (ex-Rainbow), Michael Vescera (ex-Yngwie Malmsteen, Michael Schenker), Udo Dirkschneider (ex-Accept), Blaze Bayley (ex-Iron Maiden), dentre outros. Bom, o próprio nome Kiko “Shred” já diz tudo, certo?

Sabe aquela ‘punhetação’ a lá Yngwie Malmsteen? Escalas a mil, solos mirabolantes, dedilhados frenéticos ou virtuosismo exacerbado em tudo que é lugar? Então, Kiko sabe fazer isso com extrema facilidade, mas não espere essas coisas em seus trabalhos. Ele definitivamente cria MÚSICA para SE OUVIR sem precisar e não para se ESBALDAR, pois ele não precisa provar nada a ninguém! Saber colocar as coisas no lugar certo em prol da melodia e da música é coisa para poucos e isso ele consegue com maestria. Você pode escutar qualquer álbum de Kiko que não vai se cansar ou achar que é tudo parecido ou repetitivo. Quer coisa melhor que isso? E não pense que todos os músicos que o acompanham não hajam da mesma forma que ele, pois é exatamente o que se escuta em “Rebellion”, uma sincronia redonda de como se fazer Heavy/Power Metal sólido, honesto, eficiente e vistoso sem soar clichê.

“Rebellion”, quarto álbum lançado pelo guitarrista, segue a mesma linha e proposta de seu antecessor, “Royal Art” (2019), só que mais direto e pesado e contando com três grandes e gritantes diferenças: Produção, mixagem e masterização soberbas! Você ouve todos os instrumentos com muita pureza, fluidez, peso e energia, o que seu antecessor tinha, mas com brilho e evidência muito maiores. Alto nível puro!

Além de todo o lance criativo das composições, as letras intensas de superação, luta por um ideal dentro de um mundo repleto de negativismo, emoções e perdas, outro detalhe que engrandeceu o trabalho foi a estreia do vocalista Ed Galdin, que substituiu o insubstituível Mário Pastore com a mesma eficiência, só que com timbre totalmente diferente, claro. Aliás, “Rebellion” é não só a estreia de Ed na banda, como também é o primeiro álbum completo que o músico gravou em sua carreira! Seu timbre é assustadoramente parecido com o de Sebastian Bach (ex-Skid Row) e em alguns momentos André Matos nos tons mais baixos, o que caiu como uma luva aqui.

Aliás, toda a banda está de parabéns! Ed, Kiko, Will Costa (baixo) e Lucas Tagliari (baterista) juntos, e em separado, deram-nos verdadeiras aulas! A bateria e o baixo chegam a pulsar no peito a cada batida e compasso!

Após as primeiras audições, fica claro para o ouvinte que o trabalho é todo direcionado ao Heavy/Power Metal, até mesmo com certa agressividade, mas influências de Hard Rock clássico aparecem com facilidade principalmente nos solos vibrantes de Kiko, o que deixa tudo com maior amplitude e abrangência ao meu ver.

Não é um trabalho que você fala “já ouvi isso milhões de vezes” ou “não acrescenta nada”. Eu aposto que você vai ouvir uma vez e vai dar o repeat na sequência, de novo e de novo. Aposto mesmo, pois “Rebellion” é prazeroso demais para se ouvir apenas poucas vezes.

E se você acha que fica só nisso, errou! Temos a ilustre presença de Doogie White como convidado na excelente “Thorn Across My Heart”, uma das melhores do álbum sem dúvida, sendo a primeira vez que Doogie gravou com brasileiros! Que moral hein?

Excelente produção, masterização, mixagem, timbragem, composição, letras, arte por Leandro Araújo, tudo conspira para um trabalho perfeito. E acredite, para mim é!

Meus destaques vão para as potentes “Mirror” e “Rainbow After Of The Storm” (essa última com sua parte final totalmente magistral cheia de ritmos frenéticos é de babar!) que deveriam ser mostradas ao Helloween para ver se eles fazem algo melhor do que vêm fazendo nos últimos 20 anos, a rifferama inicial de “Thorn Across My Heart” que descamba para um Hard N’ Heavy cheio de alma e melodia me lembrando coisas mais cadenciadas e belas do Saxon, “Honour to the Fallen Brothers” com todo o clima de teclados de fundo, letra lindíssima e instrumental quebrado tipicamente Whitesnake com Skid Row, a instrumental “The Hierophant” que é não menos que brilhante e fará muito marmanjo chorar, “Voodoo Queen” com seu apelo radiofônico e melodia contagiante (lembra do Skid Row que falei algumas vezes?) e a cacetada “Information War” num Heavy Metal mais clássico que nos remete a uma mistura bem equilibrada de Viper com Helloween que me agradou muito. Enfim, eu poderia citar facilmente todas as 10 faixas de “Rebellion” como destaque, e dizer que temos mais um guitarrista de renome em nossa terra e blá blá blá, mas aí eu seria extremamente redundante depois de tudo que vocês leram nesse texto (risos).

Por enquanto, “Rebellion” está no podium de melhores álbuns nacionais do ano para mim! E que venham mais “Kikos” na guitarra para gente (risos). Está esperando o quê para comprar essa belezinha?

Johnny Z.

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