
Thronehammer – “Incantation Rites” (2021)
Supreme Chaos Records
#DoomMetal, #SludgeMetal, #EpicDoomMetal, #DoomDeathMetal
Para fãs de: Khemmis, Cathedral, Solitude Aeturnus, Godthrymm
Nota: 9,0
Às vezes épico, noutras investindo num Death/Doom vigoroso; às vezes mergulhando num Funeral Doom cujas paredes são impenetráveis, noutras rompendo ao Sludge Metal — às vezes se mantendo atado as diretrizes do tradicional e noutras mandando às favas todas elas. Enfim, tudo que compõe e melhor define um “bioma Doom” se faz presente e com destaque em “Incantation Rites”, a mais recente oratória dedicada à ruína lançada pelos ingleses/alemães do Thronehammer.
Levando o gênero aos seus limites de forma linear e versátil, o disco é longo (ultrapassando os 75 minutos) tempo esse, que é compartilhado por 07 faixas onde a menor passa dos 05 minutos de duração e maior alonga-se por mais de 15. É certo que esse agigantamento não estimula viva alma a ouvir o disco, mas em “Incantation Rites” essas proporções são sabiamente usadas e devidamente preenchidas com múltiplas camadas e ambientes. Cada uma das faixas se desenvolve de uma forma e em seu interior (influências colidem e se fundem). Basta dizer que a mesma composição que se abre num Doom Metal vigoroso e ortodoxo se expande no momento seguinte para um Death/Doom à la Paradise Lost, mas não contente, ainda se estica a algo mais épico e exuberante na linha Candlemass ou Solitude Aeturnus — “a verdadeira magnitude”, como cantada outrora por Robert Lowe.
Épico por si só e potente como poucos, o disco dilata-se em todas as suas ambições logo nos segundos iniciais da faixa título, cuja tendência é ser um dos hinos do Thronehammer. Stuart West e Tim HammerSmith investem sem qualquer receio ou avareza em riffs pesados e em linhas melódicas bem desenhadas. Baixo e bateria aqui são como colunas milenares que resistem, desafiam e sustentam o tempo — as bases são sólidas, embora vez ou outra saiam de suas condições secundárias para explorar ou enriquecer as faixas. “Thy Blood” e “Eternal Thralldom” são ótimos exemplos de como esses instrumentos são trabalhados no disco. “A Fading King” é memorável sob diversos aspectos: pelo modo como se desenvolve em peso sem perder a melodia, pelos cenários que cria ao longo de seus mais de 10 minutos e pela alternância de estilos, embora o principal deles seja o desempenho e empenho também, da vocalista Kat Shevil Gillham. Sua voz é poderosa e melódica; agressiva e melancólica, técnica e intuitiva. Ouso dizer que ela é ou está, entre os maiores vocalistas de Doom Metal da atualidade.
“Incantation Rites” fecha-se num titã sonoro chamado “Of Mountaintops And Glacial Tombs” — mais de 15 minutos de uma profunda e completa expedição aos confins criados pela própria banda. Todos os elementos; mudanças de tempo, variações, riffs e mais riffs; peso sobre peso; melodias sobre melodias, vocalizações que tangem a perfeição. Enfim tudo que o disco tem e oferece se faz presente nela. Não como síntese de tudo que foi ouvido e sim, como uma análise minuciosa que tem como finalidade expor todas as qualidades e personalidades do trabalho.
Talvez não seja um disco dos mais fáceis de se ouvir, tão pouco apreciar, principalmente para aqueles com pouca ou nenhuma familiaridade com o Doom Metal, todavia, com certa dose de paciência ele vai encantando e levando o ouvinte aos seus contrastes e relevos. Doom Metal feito por quem sabe fazer para quem gosta de ouvir (e para quem não tem reservas ao gênero também). Afinal de contas, elitismo musical é característica de mentes mal formadas e atrofiadas. “Incantation Rites” é a obra máxima do Thronehammer e garante o lugar da banda no Olimpo, entre os grandes e essenciais nomes que prestam culto ao gênero maldito.
Fábio Miloch





