
Banda: KISS
Local: Allianz Parque, São Paulo/SP
Data: 30/04/2022
Produção: Mercury Concerts
Assessoria: Catto Comunicação
Texto, fotos e vídeos por Johnny Z.
Fotos do show por Ricardo Matsukawa (Mercury Concerts)
Desde quando tive meus primeiros contatos com o Rock e o Metal no já longínquo ano de 1986, obviamente fui escancarado a todo tipo de banda e logicamente o Kiss não passou batido com “I Love It Loud”. Mas, mesmo ainda um garoto de 9 anos na época, eu desde o início preferia sons mais agressivos e pesados como o Metallica, Slayer e o Sepultura (a banda que me fez ouvir som mais pesado), por exemplo. Desde lá, meu contato com o Kiss sempre foi de enorme respeito, mas não me considerava um fã die hard. Tinha alguns discos, mas indo na contramão da grande maioria do pessoal não era um profundo apaixonado pela obra de Gene Simmons (baixo), Paul Stanley (vocal/guitarra), Ace Frehley (guitarra) e Peter Criss (bateria), seus membros originais, sem desmerecer – de forma alguma – todos os músicos que já passaram pela banda e claro os atuais e exímios Tommy Thayer e Eric Singer.
A história da banda não vem ao caso, pois todos estão carecas de saber, mas confesso que, somente depois de muito tempo e com 45 anos de idade, me rendi aos 45 minutos do segundo tempo ao som da banda talvez por hoje eu estar mais de bem com sons acessíveis e também ouvindo bastante Hard Rock (as podreiras Thrash e Death jamais serão deixadas de lado, ok?). Em 1994, assisti – e curti muito – ao show no saudoso festival Monsters Of Rock, em São Paulo, na turnê do “Revenge” e “Alive III”, e em 1999 fui vê-los (outra confissão: fui mais pelo Rammstein que estava – a meu ver deslocado – abrindo a apresentação) naquela porcaria de lugar chamada Interlagos. Sim, porcaria, pois eu detesto ver show lá por conta da localização ser ruim, ser MUUUUITO longe de onde moro, local péssimo, sempre tem confusão para sair, estacionar carro, acústica totalmente pobre se você não estiver perto do palco, enfim, um lixo completo que não me faz ir lá para nada mais e agora o terceiro e – provavelmente último – no maravilhoso Allianz Parque.
Calma palmeirenses! O são-paulino aqui não está falando de futebol, mas sendo realista pois Allianz Park é o MELHOR ESTÁDIO para se fazer shows em São Paulo, disparado anos luz na frente do “meu” Morumbi. Infelizmente, tenho que assumir que não gosto de ir a shows no Morumbi quase pelos mesmos motivos de Interlagos, mas pisar naquele estádio sempre me faz bem (risos). A localização do Allianz é perfeita, fácil de se chegar pois o metrô Barra Funda é 15 minutos andando até lá, acústica maravilhosa, local bem estruturado, fácil para entrar, sair, enfim, completamente o oposto dos outros. Se você corintiano está esperando eu comentar algo daquela “impressora tosca”, esqueça, perdeu seu tempo, tá? (risos).
Vamos ao show, pois já falei demais!
Chegando ao Allianz já pude constatar o que tinha visto nos outros shows: mascarados e fantasiados por todos os cantos. Até cheguei a perguntar a um garoto – bem mais jovem que eu, diga-se – se não estava com calor com toda aquela maquiagem e indumentária. De verdade, já começou ali mais um arrependimento, pois lembro muito bem amigos se pintarem e indo em festas a fantasia nos tempos de escola, o que eu NUNCA fiz quando podia. Hoje não faria, mas respeito quem tem 90 anos e ainda faz, tá?
Credenciamento rapidíssimo, entrei e fui procurar uma sala de imprensa, como sempre teve nos shows do Allianz. Infelizmente, não tinha, pois lá seria mais fácil encontrar os amigos jornalistas e da imprensa em geral, tomar uma água e se sentar um pouco. Vacilo hein produção? Nós estamos trabalhando (também), e seria bacana essa acolhida. Ao me dirigir a pista premium, fui barrado por uma moça que trabalhava na entrada para o gramado alegando que “não estava autorizada a liberar a entrada de imprensa ainda”, o que soava totalmente sem sentido, pois o credenciamento já havia começado há mais de duas horas e ainda rolava normalmente lá fora. Não discuti, apenas disse que ela estava equivocada e que não tinha o menor sentido isso, já que eu sabia que muitos de meus colegas e amigos da imprensa já estavam lá dentro. Perguntei para outros ‘profissionais’ e nada! Ninguém sabia de nada. Virei as costas e dirigi-me a outra entrada da pista premium, do outro lado do estádio, entrando sem NENHUM problema e nem sequer fiscalização. Mistéééééério.
Entrando na pista premium, me deparei com algumas sensações: 1) era meu primeiro show em mais de dois anos, o que me deu uma ansiedade monstruosa por estar ali. 2) estar no local de um dos últimos shows de uma banda clássica na minha cidade e país. 3) a quantidade enorme de amigos que encontrei e pude abraçar forte depois de uma pandemia. 4) 99% do público sem máscara o que me preocupou, mesmo eu usando duas. 5) estava muito cheio e tinha certeza de que seria algo monstruosamente lotado. BINGO!
A produção e a banda informam algo em torno de 65 mil pessoas, o que eu não acredito muito, pois a lotação máxima de um show lá pelo que andei lendo e me informando seria 45 mil, mas realmente, estava “ENTRUCHILICADO” de gente (palavra nova para o dicionário que, com certeza, você entendeu). Mas, mesmo lotadíssimo, dava para curtir tranquilamente ali na pista premium, sem empurrões, apertos e nada, até com um certo conforto.
Pista Premium: Duas palavras que causam polêmicas por conta de valores e disponibilidade, e que eu não vou entrar nessa discussão pois entendo perfeitamente os dois lados mediante essa pífia e patética economia/governo de nosso país. Só dando uma opinião franca: não acho bacana a divisão meio e meio, ok?
Sem banda de abertura, e com um leve atraso de uns 15 minutos, após algumas faixas clássicas agitarem o público no som mecânico. Após “Rock ‘N Roll”, do Led Zeppelin, sabíamos que a introdução clássica QUE TODOS SABEM QUAL É soaria nos falantes e que um dos maiores espetáculos da Terra estava prestes a começar. Sim meus caros, eu disse espetáculo, pois é a palavra que saí de lá estampada na minha cara ‘envergonhada’ por não ter dito isso várias outras vezes no passado.
Passado um curto vídeo da banda saindo dos camarins e se dirigindo ao palco, o backdrop com o logo do KISS gigante estampado, a banda entra com “Detroit Rock City”. Alguns amigos acabaram não indo ao show por acharem o setlist ‘mais do mesmo’, me desculpem, pode até ter sido para vocês, fãs ferrenhos, mas eu me diverti D-E-M-A-I-S e cantei praticamente todas as músicas que a minha coluna deixou (risos). Depois de um certo tempo de pé, obviamente ela gritou mais alto que eu (risos). O estrondo do público simplesmente apagou o som que saia dos PA’s por alguns segundos e, assim que o backdrop com o logo caiu, meu Deus do céu: Iluminação, pirotecnia, produção FABULOSA de palco, telão gigante de led ao fundo do palco cheio de traquitanas, mini telões circulares acima da banda, som, visual, banda, tudo, tudo e TUDO T-I-N-I-N-D-O num conjunto irreparável de entretenimento.
Muita comunicação com o público, Gene Simmons e Paul Stanley (principalmente) estavam bem soltos. Achei Tommy Thayer um pouco contido, mas não dá para falar um “a” contra, pois ele toca tudo impecavelmente idêntico ao original e emula muitíssimo bem Ace Frehley usando sua indumentária, da mesma forma que Eric Singer, onde esse último chega a ser desumano compará-lo com o “coitado” (sem querer soar desrespeitoso) do Peter Criss, talvez Eric Carr chegue bem próximo para uma comparação. Concordam? Comentem aí embaixo.
A voz de Paul Stanley é motivo de discussões frenéticas por anos a fio. E sim, era nítido que até mesmo durante seus bate-papos com o público sua voz falhava, mas acreditem, o show todo foi no GOGÓ mesmo! Não teve ‘plaback’ nenhum e eu prestei bem atenção nisso e sinceramente, eu prefiro as imperfeições por soarem mais respeitosas a sua trajetória de muitas décadas nas costas e ao público. Palmas para Paul! Gene continua intacto, com aquela voz demoníaca, cafajeste e sarcástica de sempre. O que eu gosto demais.
A essencial e alegre “Shout It Out Loud”, seguida de uma das faixas que mais gosto da banda, “Deuce”, com direito a obrigatória e clássica coreografia ao final (que eu adoro e sempre tento fazer), seguida da pesadíssima – e outra que adoro – “War Machine”, com Gene mandando muito bem, foi um começo e tanto para todos os presentes. As explosões de fogo eram tão vistosas e intensas que mesmo eu estando a uns 15 metros do palco, sentia arder no rosto.
Para não ficar cansativo, não vou comentar sobre todas as músicas, mas posso afirmar que TODAS foram cantadas sem exceção, talvez “Say Yeah”, excelente faixa de “Sonic Boom”, teve um pouco menos de empolgação, pelo menos eu senti isso.
A interação e sinergia banda/público num show do Kiss deveria ser estudada. Vou fazer uma comparação que pode causar controvérsia, mas entre um show do Iron Maiden e Kiss, esse último é fora da curva. Talvez Maiden seja mais energia e devoção, mas o Kiss é pura alegria, daquelas de fazer você tocar o ‘foda-se’ para o que te aborrece e querer ser feliz dali em diante. Não sei explicar. Ver todo mundo batendo palmas em “Heaven’s On Fire” foi de arrepiar!
Quando veio “I Love It Loud” o Allianz veio abaixo, incluindo aí Gene cuspindo fogo. Clichê, mas ninguém liga se é ou não, só queremos ver, curtir e gritar porque venhamos e convenhamos, é legal pra cacete vindo dele, não é mesmo? (risos).
Os solos de guitarra, baixo e bateria valeram para dar uma acalmada, pois eu não sou muito adepto deles, mas entendo que os senhores – vulgo as duas maiores estrelas – lá no palco precisavam de um descanso. Talvez o solo de Tommy foi o mais interessante, pois contou com imagens de invasões alienígenas ao fundo e ele, com sua guitarra, disparou tiros nas naves (telões acima do palco que simulavam naves arredondadas) causando um belo impacto. Aí entra um pequeno comentário pessoal: Impossível não imaginar ali a figura de Ace Frehley nessa hora (provavelmente em todas as outras também). Talvez ele seja o cara mais comentado hoje em TODOS os shows do Kiss, mesmo não fazendo parte da banda e sequer estando ali presente de corpo, pois alma (e até algumas imagens nos telões) nós sabemos que está. Já pensaram isso?
“Cold Gin”, outra fabulosa e clássica, a tocada até hoje a exaustão nas rádios Rock – e não menos vigorosa – “Lick It Up”, com um pequeno trecho de “Won’t Get Fooled Again”, do The Who, tiraram mais gritos da plateia que não parou nem por um minuto sequer a gritar, aplaudir e berrar. Aliás, tinha umas garotas – algumas até bem mais velhas que eu – que gritavam “Casa comigo Paul” (risos).
De repente, enquanto Paul conversava com o público, tivemos a presença inusitada de um pequeno grilo que pousou direitinho sobre o microfone de Paul, que até “conversou com o inseto” e ficou por lá um bom tempo, causando risos gerais.
O show seguiu-se com a adrenalina nas alturas, sendo que em “Psycho Circus”, que na minha humilde opinião é o último grande clássico da banda, foi outro ponto alto do show, com todos pulando na batida da música e cantando muito alto.
“God Of Thunder”, com direito a Gene Simmons se elevando numa plataforma como um verdadeiro “Deus do Trovão” acima de tudo e todos, cantou-a quase no limite superior do palco junto às luzes e mini telões. Essa música realmente é uma cacetada e bem-querida por todos!
Eis que mais uma surpresa surge (ok, todos sabiam, pois o youtube está aí para dar spoilers). Paul pergunta sem todos o querem chamar lá para o meio do público, que num momento rapel passou por toda a pista premium num cabo de aço e foi direto para um mini palco montado ao meio do Allianz. Com toda sua vitalidade de mais de 70 anos, após um rapel, cantou as faixas “Love Gun” e “I Was Made For Lovin’ You” (outra até hoje bem executada nas rádios) com o público inteiro em sua mão e como total centro das atenções. Aí entra o fato carisma, pois poucos se lembraram de virar para ver o palco e o restante da banda (risos).
“Black Diamond”, com o baterista Eric Singer dividindo os vocais principais foi bem aplaudida, mas foi em “Beth” que Eric teve seu momento intimista de todo show, cantando e tocando piano sozinho no palco, com um Allianz todo acesso por luzes de celulares. Eric provou ser também um baita cantor, a música é ótima, foi executada com precisão, mas a meu ver achei desnecessária estar no set. Podiam ter colocado algum do estupendo “Revenge” no lugar, como por exemplo “Domino” ou “Unholy”. Como senti falta de algo do “Revenge”, meu disco preferido.
Chegando ao bis, tivemos “Do You Love”, onde balões surgiram do meio do Allianz para ficar pulando até o final da apresentação e o hino dos hinos, a celebração da alegria do Rock chamada “Rock And Roll All Nite”, com a famosa chuva de papel picado (e põe papel picado nisso, pois ao chegar em casa tinha até na cueca!). A banda se despede e agradece os presentes, com as luzes se apagando e ao fundo a música “God Gave Rock N’ Roll To You II” ecoava de forma mecânica nos PAs deixando aquela sensação de dever cumprido no ar.
Para terminar, alguns podem me questionar: “Pô Johnny, você é superfã de Whitesnake desde pequeno, por que não foi também do Kiss, já que ambas são Hard Rock?”. Eu gostava do Kiss, conhecia os discos, escutava sempre que podia, mas não era amor. Não sei a resposta, de verdade, só sei que me arrependo profundamente de não ter dado a devida atenção e somente agora, quando a banda está encerrando as atividades, eu ter me rendido definitivamente ao seus pés. Bom, 1×0 aos 45 do segundo tempo garante 3 pontos, não é mesmo? (risos) Obrigado Kiss por mais um dos maiores espetáculos que vi na vida!
E obrigado a Catto Comunicação e Mercury Concerts pelo credenciamento e parceria de sempre.
Setlist:
Detroit Rock City
Shout It Out Loud
Deuce
War Machine
Heaven’s On Fire
I Love It Loud
Say Yeah
Cold Gin
Tommy Thayer Guitar Solo
Lick It Up
Calling Dr. Love
Tears Are Falling
Psycho Circus
Eric Singer Drum Solo
100,000 Years
Gene Simmons Bass Solo
God Of Thunder
Love Gun
I Was Made For Lovin’ You
Black Diamond
Beth
Do You Love Me
Rock And Roll All Nite































