Krokus – “Big Rocks” (2017)
Century Media Records
Nota: 8,5
E lá se vão mais de 40 anos de estrada. E uma daquelas bandas que tem muita história pra contar, resolveu homenagear suas influências, e de quebra, regravou um de seus tantos clássicos. O Krokus traz aqui 14 faixas (contando com a sua própria regravação) que vão de Black Sabbath á Led Zeppelin, de Queen á Steppenwolf, de The Who á The Animals, de The Rolling Stones á Neil Young. Não que ao longo de sua carreira o grupo já não tenha gravado alguns covers (algo que a banda começou a fazer a partir de seu terceiro álbum), mas aqui, os suíços resolveram homenagear aquelas bandas que fizeram parte da formação dos músicos e que os fizeram crescer musicalmente. Imprimindo sua personalidade, Marc Storace e cia, fizeram jus ao título do álbum, e se de certa forma, não melhoraram o que já era bom, deixaram sua marca em composições clássicas.
Segundo o baixista Chris von Rohr, “essa é uma homenagem á todos os artistas que tornaram possível fazer com que o Krokus chegasse aonde está”. Já para o vocalista Marc Storace, “todas as faixas possuem uma conexão pessoal e profundamente enraizada com todos os membros da banda” E isso fica bem nítido ao ouvirmos o que o grupo fez com as treze versões apresentadas aqui. Começando com uma pequena versão instrumental para “N.I.B.” do Black Sabbath, a banda revisita “Tie Your Mother Down” do Queen, de uma forma mais “hard rock” do que o grupo inglês. Até mesmo, soando mais crua. Obviamente que não há comparações, principalmente por estarmos falando de um dos maiores vocalistas da história. Assim como a versão bem próxima á original de “My Generation”, do The Who. “The House of The Rising Sun”, ganhou uma certa melancolia advinda do blues, dando vida nova ao clássico do The Animals. A banda também não esqueceu do mestre Neil Young, e mandou uma versão correta de “Rocking in the Free World”. E quanto a “Whole Lotta Love”… Bem… Led é Led, não é mesmo? Mas o grupo não fez feio e fez uma versão honesta e bem pessoal (principalmente no que diz respeito ao vocal).
“Born To Be Wild” ganhou uma cara totalmente hard, fugindo um pouco da linha original. E isso pode ser visto de duas formas: a banda teve coragem para imprimir sua identidade na faixa, como dito anteriormente, buscando realmente fazer uma homenagem, ou a banda não conseguiu atingir seu objetivo, descaracterizando a faixa. Eu fico com a primeira opção. E os pais do rock foram devidamente reverenciados com uma versão de “Jumpin’ Jack Flash”, mais uma vez, totalmente pessoal e hard rock, como o Krokus sempre foi. E no encerramento, o grupo regravou “Backseat Rock n’ Roll”, presente em “Metal Rendez-Vouz”, lançado em 1980, e que ficou com aquele jeitão AC/DC que só o Krokus consegue fazer.
“Nós já vinhamos pensando na idéia de gravar um álbum desse tipo há muito tempo”, disse o guitarrista Fernando von Arb. E que bom que esse pensamento saiu do papel e dos ensaios. Rock n’ Roll descompromissado e pra curtir “bem de boa”. Assim podemos resumir “Big Rocks”. E não precisa mais do que isso, afinal, essa não é a síntese do rock? Enjoy it.
Sergiomar Menezes





