Living Colour
Local: Tropical Butantã, São Paulo/SP
Data: 11/05/2018
Produção: Rádio & TV Corsário
Assessoria: The Ultimate Music
Texto por Wallace Magri
Fotos gentilmente cedidas por Bárbara Martins (Ligado À Música)
Quando as luzes se apagam e as caixas ecoam “Running With The Devil” do Van Halen, a expectativa toma conta do público e, então, a banda entra no palco – sem nenhuma cenografia, sequer uma bandeira com logotipo – e inicia a apresentação com cover de Robert Johnson, “Preachin Song”, com Vernon Reid já exibindo ao público todas as credenciais de exímio guitarrista que é e que seria uma constante ao longo de toda a apresentação.
Em seguida, o groove toma conta do show com “Middle Man” e a dupla Doug Wimbish e William Calhoun demonstrando o diferencial do Living Colour em relação à maior parte das bandas de Metal: aqui, o peso vem embalado com versatilidade e não com fritação 4×4. Nem precisaria das apresentações solo de cada um deles ao longo do show para obterem imediato reconhecimento de suas habilidades pelos fãs.
E, como a banda é formada por verdadeiros aliens musicais, temos também a presença de palco simples, mas impagável de Corey Glover – que, ao chegar aos seus 50 e poucos anos, adotou uma persona condizente com a idade que ostenta, ao invés de querer sempre reviver o rock star que já foi, em outros tempos. E o que dizer da performance vocal do cara em “Open Letter (To A Land Lord”)? Quem estava lá viu e certamente jamais se esquecerá! Não precisa nem perder tempo para saber se ele está fazendo lipsync em cima de um playback, isso seria simplesmente impossível. Uma bela lição para frontmen de bandas de Metal Quadradão aprenderem que a melhor técnica vocal é cantar com a inspiração que vem da alma, aí sim as notas surgem nas cordas vocais, sem medo de desafinar.
E os caras não vieram ao Brasil perder viagem, o show foi bem extenso (por volta de 2 horas), contando com gratas surpresas, entre elas o retorno ao setlist de “Glamour Boys”, o segundo e esquecido hit da banda, com uma levadinha ‘swingada’ e arranjo no ponto para tornar este momento do show mais intimista.
Partindo para o acender das luzes, como não poderia deixar de ser, mandam “Type”, numa versão frenética e “Cult Of Personality” (e o público presente rouba a cena). E, quando tudo parecia encerrado, emendam “Time’s Up”, para o espanto geral, e aquela pegada Death Metal que assombrou a todos quando lançaram o álbum homônimo no final da década de 80. Para deixar claro que, no final das contas, tudo deriva do blues – do Metal Extremo à Soul Music – encaixam no meio da música um trecho de “Sex Machine”, de James Brown e encerram o show com um cover dos branquelos mais ‘blueseiros’ dos anos 70, “Rock And Roll”, do Led Zeppelin!
E foi assim, de Robert Johnson a Led Zeppelin, que o Living Colour mostrou como se coloca um show de peso fundado apenas em performance musical de alto nível; quando é assim, não precisa de pirotecnia, poses, caras e bocas – a música fala por si só. Que voltem sempre que quiserem que estaremos aqui esperando!
Setlist:
Preachin Song
Middle Man
Desperate People
FOX (Freedom Of Expression)
Funny Vibe
Wall
Memories Can’t Wait
Ignorance Is Bliss
Who Shot Ya
Open Letter (To A Landlord)
Swirl + Bass solo
Glamour Boys
Who’s That
Love Rears Up Its Ugly Head
Type
Cult Of Personality
Time’s Up
Drum Solo
Rock and Roll










