
Banda principal: Living Colour
Banda de abertura: Remove Silence
Local: Tropical Butantã, São Paulo/SP
Data: 14/06/2019
Produção: Radio & TV Corsario
Assessoria de imprensa: The Ultimate Music
Texto por Wallace Magri
Vídeos por Eduardo Saraiva e Rômulo Pielli
Há um ano estive aqui no Tropical Butantã para assistir ao Living Colour, que viera ao Brasil promover o álbum “Shade” (2017) e votei neles para melhor show internacional de 2018. Fiquei surpreso quando começou a rolar o zum zum zum na redação de que eles retornariam ao Brasil, afinal de contas a concorrência de shows anda bruta atualmente,achei estranho os promotores de evento apostarem numa dobradinha da mesma banda.
Mas a coisa fez todo sentido quando fiquei sabendo que, desta vez, executariam na íntegra o album “Vivid”, lançado em 1988 – e que eu ouvi até furar o vinil, na época.
Noite de sexta, cidade caótica por conta de uma greve geral meia-boca, seleção jogando no Estádio do Morumbi, mas, com um pouco de sorte, privação e ânimo redobrado por esta oportunidade de pegar uma viagem rumo ao passado, toquei para a casa de shows, para chegar cedo e não arriscar a chance.
A organização do evento desta vez não foi tão generosa, como de costume, e liberou apenas a pista comum pra gente – o que dificulta um pouco nosso trabalho, especialmente para tirar fotos. De todo modo, pelo Metal, todo esforço é válido.
Remove Silence:
Bandas de abertura são um trunfo que deve ser utilizado com sabedoria pela organização, porque senão a manobra pode ficar constrangedora para todas as partes.
Felizmente não foi o que aconteceu nesta noite, graças à competência e talento do Remove Silence. Confesso que não conhecia a banda, mas me agradou bastante o seu rock alternativo, com algum peso, tecladeira atravessada, momentos eletro-dançantes, meio Smashing Pumpkins, rumando para um Nine Inch Nails, em músicas como “The Buzzer” e “Spellbound”.
Confirmando umas tendências post punk que eu vinha sentindo nas músicas, tocam o cover do Depeche Mode, “Enjoy The Silence”, numa versão bem porrada, com destaque para o trabalho de teclados de Fábio Ribeiro, embora toda a banda mande muito bem.
Muito legal a oportunidade de conhecer bandas tocando ao vivo, depois fui pesquisar a respeito e fiquei sabendo que só circula nome de peso pela banda, mas o que importa é mostrar serviço em cima do palco. E foi o que fizeram nesta noite.
Setlist Remove Silence:
Raw
Laser Gun
Middle Of Nowhere
Irreversible
Enjoy The Silence
Nothing To Lose
The Buzzer
Pressure
Speelbound
Living Colour:
Da mesma forma que em 2018, a banda começa a apresentação com “Preachin’ Blues”, do mestre maior Robert Johnson, e já vão preparando o ambiente para o que estar por vir com outras músicas mais recentes de seu repertório.
Corey Glover, vestido em um costume mostarda – figuraça – com Vernon Reid à sua direta, e sua presença extrovertida e muito participativo ao longo de toda apresentação; à sua esquerda, Doug Wimbish que, se não estava com os caras na época da gravação do “Vivid”, soube fazer sua leitura da obra com maestria nesta noite; e, no fundo do palco, Will Calhoun, que tem seu momento de destaque no solo de bateria no final do show, repleto de instrumentações inusitadas.
Com esses quatro no palco não tem como dar errado! É como se eles sobrassem em musicalidade ao longo de suas composições, predominantemente Hard Rock, mas tocado a partir de outra abordagem, permeável a outros gêneros e ritmos antes nunca visitados pelo pessoal do Hard/Heavy até eles surgirem lá nos anos 80.
Com os riffs ultravigorosos de “Cult Of Personality” começa a sessão do show em que tocam seu álbum de estreia de ponta a ponta e tornam o Tropical Butantã um dos lugares mais privilegiados para se estar naquele momento. Tem muita coisa boa acontecendo o tempo todo ao longo da execução das músicas: ora o solo absurdo de Vernon Reid em “I Want To Know”, ora as levadas de bateria impressionantes em “Desperate People”, “Funny Vibe”, etc., etc.. Até a versão alternativa de “Memories Can’t Wait” não foi tão ruim assim (na íntegra é na íntegra porra!).
Ficam como pontos altos da noite a interpretação primorosa de Corey Glover para “Open Letter To a Landlord” e a oportunidade que tive de vivenciar algo que nunca imaginei, que foi escutar “Broken Hearts” ao vivo e curtir aquele solo de baixo que ouço do nada na minha cabeça vez ou outra.
Pra fechar a resenha, “Which Way To America” ficou animal ao vivo, com direito a manifesto ativista social/anti-violência capitaneado por Vernon Reid, encerrando a execução de “Vivid” com muita energia e, certamente com muito mais vigor do que se escuta no original.
Claro que não se livram de voltar e tocar os hits definitivos de “Time’s Up”, do mesmo jeito que fizeram no ano passado, dando aquele clima de final de jogo com campeonato ganho para o fim do show: os caras à vontade com o público e entre si no palco. A banda transmite um bom astral impressionante. Inclusive, no final de “Glamour Boys”, Corey para tudo e brinca com Vernon dizendo que nesses 30 anos ele é o único que ainda não aprendeu a paradinha da música. Coisa de velhos amigos fazendo o que mais curtem fazer no lugar em que mais gostam de estar: no palco, tocando ao vivo!
Setlist Living Colour:
Preachin’ Blues
Who Shot Ya
Freedom Of Expression (F.O.X.)
Cult Of Personality
I Want To Know
Middle Man
Desperate People
Open Letter (To a Landlord)
Funny Vibe
Memories Can’t Wait
Broken Hearts
Glamour Boys
What’s Your Favorite Color
Which Way To America
Drum solo
Love Rears Its Ugly Head
Elvis Is Dead
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