Mayhem – “Liturgy of Death” (2026)
Century Media Records
#BlackMetal
Para fãs de: Darkthrone, Gorgoroth, Dark Funeral
Texto por Lucas David
Nota: 10
Contando com uma carreira de mais de 40 anos, o Mayhem não teria mais nada a provar para o mundo do metal extremo. Mesmo com alguns altos e baixos durante sua história, é inegável o papel que a banda tem na formação e popularização do que conhecemos como Black Metal. Seus primeiros trabalhos foram base para muitos, e mesmo os seguintes, explorando algumas novas formas de extremismo, ainda se mantiveram relevantes. Mesmo assim, a banda continua trabalhando e chega ao seu sétimo álbum, Liturgy of Death, com uma formação forte e estável, contando com a base que remonta a seus primeiros dias: Necrobutcher no baixo, Hellhammer na bateria e Attila Csihar nos vocais.
Seguindo uma estrutura parecida com o disco anterior, Daemon (2019), o novo trabalho traz músicas longas — metade das oito tem mais de sete minutos —, porém a sensação é de que nenhum momento é desperdiçado; tudo está em seu devido lugar e traz algo único para cada música.
A faixa de abertura, “Ephemeral Eternity”, traz um clima assustador, com um ritmo cerimonial no início e uma aura de vazio e desolação, até despencar em uma avalanche de blast beats e viradas de bateria. As guitarras são gélidas, e os vocais de Attila estão mais horripilantes do que nunca, trazendo uma sensação de desespero ao ouvinte.
Falando em desespero, a faixa seguinte é “Despair”, e já começa explodindo nos falantes com blast beats e os vocais fantasmagóricos de Attila, além de uma enxurrada de riffs cortantes e hipnotizantes de Ghul e Teloch. O baixo de Necrobutcher também se destaca, sendo possível ouvi-lo passeando por toda a faixa e entregando linhas pesadas e agressivas. Todo esse conjunto traz um ar sufocante, como se tivesse sido criado para acelerar os batimentos do ouvinte, levando-o à loucura.
“Weep For Nothing” tem uma pegada Thrash Metal, canalizando a energia de uma legião em sete minutos de pura fúria. Mesmo nos trechos em que a velocidade diminui, os vocais de Attila continuam assustadores, fazendo desta uma das melhores faixas do disco. “Aeon’s End” mantém a velocidade da anterior, adicionando uma camada de brutalidade, com a bateria se destacando com viradas excelentes, blast beats estrondosos e um controle único. Com uma música assim, Hellhammer mostra o porquê de ser um dos melhores bateristas dentro do Black Metal e até do metal extremo no geral.
“Propitious Death” se assemelha a “Weep…”, alternando bem entre a velocidade brutal e os momentos mais arrastados, porém não menos abrasivos. “The Sentence Of Absolution” fecha o disco com uma energia amedrontadora, com os vocais nos guiando para o fim de tudo que conhecemos e uma bateria tribal que surpreende de forma positiva.
Sendo veteranos na cena, o Mayhem merece todo o respeito e admiração por seu trabalho anterior, porém Liturgy of Death mostra que a banda ainda tem muita energia para entregar músicas marcantes, criando novos clássicos em sua discografia. Os mestres do “True Norwegian Black Metal” estão mais vivos do que nunca, mostrando que não irão parar tão cedo.





