
Metallica – “St. Anger” (2003)
Vertigo
#HeavyMetal, #NewMetal, #Rock
Para fãs de: System of a Down
Nota: 6,5
Mesmo após quase 16 anos de seu lançamento, “St. Anger” continua sendo extremamente criticado e odiado por uma legião de fãs. Você necessariamente nem precisa ser um apreciador da banda de Lars, James, Kirk e Rob (que se safou de pegar essa bucha de canhão por entrar após o lançamento) para simplesmente abominar e crucificá-lo em praça pública. É o pior trabalho dos americanos? SIM, não há dúvida, até porquê no período em que foi criado o Metallica passava por um momento nebuloso, inclusive precisando de ajuda externa, especificamente de um psicólogo tentando tomar as rédeas da bagunça. Com o produtor Bob Rock assumindo o papel de baixista do grupo, seja no estúdio ou em algumas apresentações ao vivo, tivemos mudanças de estúdio, Hetfield indo para habilitação contra dependência ao álcool, brigas, discussões, ou seja, o futuro na época era extremamente duvidoso, quase que inexistente.
Mas, por mais “estragado” que o disco possa ser, graças a produção tosca, crua e até amadora, aliás, é algo inadmissível uma das maiores bandas do mundo, que chegou a um padrão perfeito com o álbum “Metallica” (leia-se Black Album), ter colocado um som da caixa de bateria similar a latas de tinta Suvinil, Luckscolor e Coral. Se você acompanhou todo o burburinho que precedeu o lançamento, deve se lembrar de diversas entrevistas em que o grupo deu falando da volta ao passado, que a raiva estava de volta, com músicas longas e cheio de peso e vitalidade, mas infelizmente após escutar a qualidade em termos de som dos primeiros singles, como a faixa título e “Frantic”, o que era felicidade virou preocupação e pessimismo, sem falar na falta de solos de guitarra, afinal, um disco do Metallica sem wah wah de Hammett, não pode ser considerado um disco do Metallica (risos).
Existem destaques? Sim, alguns, principalmente em riffs de guitarra, onde temos uma avalanche de boas ideias que acabaram por ser usadas de forma errada. A dupla de abertura “Frantic e “St. Anger”, a Frankenstein “Some Kind of Monster”, as rápidas, porém bobinhas “Dirty Windows” e “Invisible Kid”, “My World” com sua letra inspirada e inteligente e “The Unnamed Feeling”. Cá para nós, o melhor jeito de ficar longe da tortura é ver/escutar o DVD que acompanha o material, onde a banda toca em estúdio o álbum inteiro, já com Trujillo no baixo, e dessa vez com o som decente.
A agressividade que tanto foi dita era inexistente. O que tivemos foi uma gambiarra sem fim, com ideias remendadas umas nas outras, mas que por milagre conseguem ter sentido em algumas partes das faixas.
O disco tem seus momentos rápidos, com as guitarras pesadas, onde a boa fluidez entre as passagens mais limpas até que agradam e dão um ar de frescor e brilho, mas o verdadeiro valor do 8° trabalho de inéditas dos americanos está em sua turnê, a “Madly in Anger with the World Tour”. Os shows desse período negro tem uma importância gigantesca para os seguidores mais ‘die hard’ que os acompanham pela estrada e, se hoje em dia, temos a chance de ter um set muitas vezes balanceado nos shows, foi graças a esse período (2004) que o Metallica lançou o site Livemetallica.com, onde você pode comprar os shows que a banda fazia ao redor do mundo. Por isso, o baterista Lars Ulrich declarou que tentariam variar de 5 a 6 músicas por noite, deixando os fãs mais felizes e a banda menos acomodada. Para se ter uma ideia, das 11 faixas de “St. Anger”, 8 delas foram tocadas ao vivo, até “Dyers Eve”, de “And Justice For All” (1988) apareceu pela primeira vez em Los Angeles, e etc. A banda colocava na mesma noite diversas faixas de todo o seu catalogo, não se repetindo noite após noite (saudades disso!).
Mesmo que seja o pior, muito tem a se agradecer a “Santa Raiva” depositada a um disco turbulento, mas, mesmo que inconscientemente, tem resquícios dela e que também podem ser ouvidos/percebidos claramente nos álbuns seguintes, o que foi fundamental para que a banda se encontrasse e continuasse o seu caminho de sucesso. “St. Anger” foi importante para a banda? Sem sombra de dúvidas, pois se ele não existisse, certamente nem a banda existiria hoje. Aceite que dói menos.
William Ribas
Colaboração: Johnny Z.





