
Metatrone – “Eucharismetal” (2017)
Rockshots Records
#PowerMetal, #ProgressiveMetal
Para fãs de: Luca Turilli, Rhapsody Of Fire, Vision Divine
Nota: 8,5
De acordo com a banda, Metatrone significa “trono metafísico de Deus”. Bastaria essa explicação para eu supor que este é um som dos mais cabeçudos e contraindicados em caso de suspeita de tédio, mas o que se ouve em “Eucharismetal”, quarto álbum de estúdio dos italianos, felizmente joga uma pá de cal no meu preconceito forjado em experiências prévias frustrantes com lançamentos da segunda divisão do power europeu.
Talvez o diferencial do Metatrone seja seu passado: fundado em 1997 como Metafora, o quinteto carrega até hoje a influência do rock progressivo, o que assegura uma preocupação a mais com a timbragem dos instrumentos e, no caso de discos que contam uma historinha, como este Eucharismetal, evitar os equívocos narrativos que os ouvintes mais malas adoram identificar e apontar. Também foi reconfortante ouvir um gutural logo na segunda faixa, “Molokai”, o mau-olhado que a vovó Padavona ensinou seu neto, Ronald James, a combater fazendo chifrinhos com as mãos. E, se o X-Japan já misturava inglês e japonês em suas letras, o Metatrone revela-se bilingue: inglês e italiano se revezam como idioma principal.
Por mais que o vocal de Jo Lombardo, que desde 2014 divide seu tempo entre o Metatrone e o Ancestral, outra instituição menor do metal made in Italy, remeta a sumidades como Michael Kiske e Fabio Lione — sua interpretação em “Keep Running” é digna do troféu Eagle Fly Free de voz nas alturas —, o momento mais legal de Eucharismetal na opinião deste que vos escreve é a instrumental “Mozart’s Nightmare”, onde a guitarra de Stefano Calvagno e os teclados de Davide Bruno parecem apostar corrida num circuito sinuoso e arriscado até cruzarem juntos a linha de chegada. Que a palavra e os mixolídios sejam ouvidos — com a bênção do deus dos cristãos e o do deus metal. Amém!
Marcelo Vieira





