MRTVI – “Negative Atonal Dissonance” (2017)

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MRTVI“Negative Atonal Dissonance” (2017)
Transcending Obscurity
#AtonalMusic ; #BlackMetal ; #DoomMetal

Nota: 6,0

Familiarizado com o conceito de /atonal/? Basicamente, diz respeito a campo harmônico, referindo-se a composições que, abrindo mão da nota central que deveria reger a harmonia da música, deixa livre a possibilidade de trabalhar modulação harmônica e tonalidades sem obedecer a escalas e campos harmônicos pré-determinados. Algo como Mike Patton adora explorar em suas bandas alternativas.

Claro que, para se permitir criar músicas com tamanha liberdade, é preciso que os músicos redobrem sua responsabilidade a fim de produzir composições que, ainda que não sejam “Tristão e Isolda”, de Wagner (historicamente, a primeira composição atonal), sejam fiéis ao propósito e, de preferência, audíveis pelos ouvidos menos experimentados.

O MRTVI vai fundo nesta especulação atonal, “presenteando-nos” com 3 músicas: “As Consciousness Is Harnessed To Flesh Part 1”; “As Consciousness Is Harnessed To Flesh Part 2”; e “Negative Atonal Dissonance”.

O negócio aqui é o seguinte, se você já gosta deste tipo de experimentação, não tem como não se “encantar” com a intro repleta de timbres e sons desconexos (que se arrastam por mais de 7 minutos) e que abre espaço para a segunda parte do tema, a demonstrar que os caras, apesar de investir exageradamente em experimentalismos sonoros, gostam de praticar um Black Metal arrastadão, com elementos de Doom em diversos momentos do andamento da composição de cerca de 15 sinistros minutos. Como se não bastasse, a faixa-título, “Negative Atonal Dissonance”, precisa de 20 minutos para dar seu recado, que pode ser encarado como uma verdadeira tortura ou uma proposta de incursão mental ao que há de mais desafiador em termos de texturas sonoras, baseada em tempos e harmonias caóticos.

Agora, se esse lance experimental com elementos de Metal Extremo não é sua praia, melhor deixar o dodecafonismo deste trabalho de lado e voltar para os campos harmônicos tonais de suas bandas prediletas de Hard Rock/Heavy Metal.

Wallace Magri

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