
Myrath – “Shehili” (2019)
earMUSIC
#SymphonicMetal, #ProgressiveMetal
Para fãs de Kamelot, Seventh Wonder
Nota: 10
Com 40% do seu território tomado pelo deserto do Saara, a Tunísia se tornou, com o perdão da analogia, um verdadeiro oásis africano quando o assunto é heavy metal. Isso porque o Myrath, advindo da cidade de Ezzahra, é praticamente a única banda com grande expressão desse continente que viu a humanidade nascer, mas ficou historicamente afastado do rock e seus desdobramentos.
A musicalidade do novo álbum “Shehili” (nome de um vento quente típico da região) traz muitos cacoetes africanos como a língua árabe em certos trechos e aquela escala oriental clássica “powerslaviana”. Porém, origem por si só não ganha jogo: o Myrath provou aqui que tem muita criatividade e originalidade.
Se um dia um famoso técnico de futebol disse que um certo jogador tinha “alegria nas pernas”, é bem provável que, ao ouvir os impressionantes riffs de Elyes Bouchoucha, o apelido da vez fosse “alegria nas teclas”. As músicas “Dance” e “No Holding Back” deixam muito europeu no chinelo e abusam das ótimas melodias do tecladista e também do vocalista Zaher Zorgati. Em certos momentos, o Myrath soa como um “Kamelot das Arábias”, aliando peso, velocidade e passagens mais tranquilas, tudo com um quê de progressivo que deixa tudo mais interessante.
Enquanto a faceta grave e pesada fica evidente em “Wicked Dice”, a mais pesada do disco, “Stardust” contrasta, vinda num formato de balada onde o piano é a estrela principal. Por fim, “Shehili” é um disco que honra as origens e traz aquele frescor que o metal tanto precisa. Fica a torcida para que o Myrath ganhe cada vez mais reconhecimento e possa fazer escola em seu continente, que com certeza tem muita história a ser contada e tocada.
Gustavo Maiato





