Napalm Death
– “Harmony Corruption” (1990)
Earache Records
Nota: 10
Que “Harmony Corruption” foi um divisor de águas na carreira do Napalm Death não se pode negar. Mudança de vocalista (foi a estreia de Mark Greenway) e mudança no direcionamento, incorporando trejeitos mais Death Metal e até Hardcore à sua complexão sonora, forjam sua personalidade musical da forma que conhecemos hoje.
O Grindcore primitivo e irascível dos primórdios foi se transformando em uma manifestação ruidosa, ainda que com evidente aprimoramento musical por parte da equipe toda. E pra provar que a mudança foi quase total, Scott Burns (o mago das produções Death Metal) assume a produção, deixando o disco com uma brutalidade inovadora para a época. Muitos torceram o nariz, mas o Napalm sempre foi muito maior que fãs “nutellas” birrentos.
Ao ouvirmos “Harmony Corruption” pela primeira vez, a sensação de termos uma outra banda é irrefreável. Músicas mais longas, andamentos variados e um acréscimo substancial no peso só acrescentaram à banda, sendo o início da escalada do Napalm Death ao topo da extremidade musical.
Barney, dono de uma voz estarrecedora, já se mostrou de imediato totalmente familiarizado ao estilo da banda. Jesse Pintado (saudoso) e Mitch Harris (a maior e melhor dupla de guitarristas do estilo de todos os tempos) produzem alguns dos riffs mais insanos e perfeitos da carreira da banda nesse disco. Shane Embury (baixo) é aquele animal que você já acostumou a amar. Imagine um Lemmy (Motörhead) possuído por uma horda de demônios. Pois é, aquele som de baixo me causou calafrios noturnos por um bom tempo. E Mick Harris (bateria)? Me recuso a perder tempo discorrendo sobre ele. Ouça “Harmony Corruption” atentamente e comprove.
O repertório é só sucesso da podreira mundial. Muitas das faixas de “Harmony Corruption” integram o set list dos shows até os dias de hoje. “Vision Conquest” (um dos inícios mais brutais da história), “Malicious Intent”, “Circle of Hypocrisy” (Hardcorezão de primeira, alimentado por viscerais “blast beats”) e “Suffer The Children” (o maior clássico da banda), se não são genuínos hinos da extremidade sonora, eu já não sei mais o que são.
“Harmony Corruption” foi um tiro certeiro. O típico disco que gera certo estranhamento inicial, mas depois se revela um monstro sedento de sangue. A consolidação mundial da maior banda extrema que já existiu havia começado. Top 10 fácil em qualquer coleção que se preze. As normas da página não me permitem uma maior avaliação, por isso hoje é “só” 10.
Ricardo L. Costa





