Vim Pela Capa, Fiquei Pela Música #1: Carcass – “Carcass – Reek of Putrefaction” (1988)

Reek of Putrefaction
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Vim Pela Capa, Fiquei Pela Música #1:
Carcass – “Carcass – Reek of Putrefaction” (1988)

Gênero: Goregrind/Grindcore
Texto por Lucas David

Há um tempo atrás, a forma de consumir música era muito diferente do que temos hoje em dia. Com a chegada da internet e dos streamings, por exemplo, ficou muito mais fácil descobrir novas músicas, novas bandas e ter em mãos o novo lançamento de sua banda favorita. Já antigamente, por outro lado, muitos acabavam comprando um álbum sem ouvi-lo antes, apenas pela capa e pela forma como ela chamava a sua atenção.

Dentro do metal pesado, as capas sempre foram um atrativo a mais: desde as cores chamativas do Hard Rock, passando pela fantasia retratada no Power Metal e chegando ao gore no metal extremo, a arte se mostra uma parte fundamental para chamar a atenção do público. Nesse sentido, muitos buscavam sempre algo mais brutal que o anterior. Mais importante do que isso, porém, era a recompensa ao acertar na escolha e poder ouvir uma música que nos conquista e entrega um som que fica marcado em nossa mente. Falando como fã, inclusive, eu perco horas em sites, streamings e no YouTube olhando capas de discos e me aventurando no som que cada banda produziu.

É com esse intuito que “Vim Pela Capa, Fiquei Pela Música”, novo quadro do Metal Na Lata, irá apresentar a vocês novas bandas e também relembrar clássicos a partir de suas capas de discos que, de alguma forma, despertaram o interesse e recompensaram aqueles que arriscaram. Ao longo dos textos, veremos trabalhos que vão desde o gore, passando pelo glam mais farofa e indo até o classic rock. A ideia, portanto, não é observar como um especialista ou focar em detalhes técnicos, mas sim olhar tudo isso como um fã de ambos os aspectos.

Em 1988, o mundo foi apresentado ao Carcass e, consequentemente, ao surgimento do goregrind. Naquele momento, o grindcore já vinha sendo praticado há algum tempo por bandas como Napalm Death — que teve como guitarrista Bill Steer em seus primeiros discos e que, posteriormente, viria a se juntar ao Carcass —, Terrorizer e Repulsion. Entretanto, o que o trio de Birmingham trouxe ao metal extremo foi algo totalmente novo, pesado e repulsivo com Reek of Putrefaction.

A sonoridade do álbum era completamente brutal, com blast beats insanos, riffs grotescos e vocais guturais monstruosos em faixas como “Genital Grinder”, “Maggot Colony” e “Carbonized Eyesockets”. Além disso, as músicas apresentavam uma temática igualmente grotesca, distante dos dragões, cavaleiros, demônios e do satanismo que rondavam o metal na época. Porém, o que realmente chamou a atenção foi a capa concebida pelo baixista e vocalista Jeff Walker: a irmã do músico possuía um livro de medicina com fotos de cadáveres, autópsias e corpos em decomposição e desmembrados.

A partir daí, a banda foi além de qualquer outra e fez uma colagem dessas imagens, utilizando-as como capa de seu disco de estreia e expondo algo com o qual muitos — inclusive fãs de metal — não estavam acostumados. Até então, tudo existia muito mais no campo da fantasia; contudo, o grupo mudou o rumo das coisas e, além de ajudar a criar um novo estilo, estabeleceu um novo padrão de extremidade dentro da música.

Dessa forma, aqueles que decidiram comprar o disco sem ouvi-lo antes tiveram uma surpresa — alguns, inclusive, chegaram a rejeitá-lo. Com o tempo, porém, Reek of Putrefaction se tornou um clássico do estilo e passou a ser celebrado por muitos, como o radialista John Peel, que colocou o álbum em primeiro lugar entre os lançamentos daquele ano e levou a banda para tocar em seu programa de rádio.

Mídias Sociais:
http://www.facebook.com/OfficialCarcass
http://instagram.com/carcassband
https://www.youtube.com/@CarcassBand

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