Nargaroth – “Apocalyptic Steel” (2026)

Nargaroth
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Nargaroth – “Apocalyptic Steel” (2026)

Season of Mist
#BlackMetal #ExtremeMetal #HeavyMetal

Para fãs de: Darkthrone, Mayhem, Gorgoroth, Motörhead

Texto por Lucas David

Nota: 9,0

O nome Nargaroth não soa estranho para quem conhece o metal extremo. Como um dos grandes nomes do black metal germânico, a banda ajudou a moldar o som da metade dos anos 1990 e atravessou gerações mantendo a selvageria que o gênero exige. Seu líder e vocalista, René “Ash” Wagner, dedicou a vida a esse estilo tão intenso quanto envolto em controvérsias. Assim, o grupo chega ao seu novo trabalho, Apocalyptic Steel, lançado pela Season of Mist.

O que mais chama atenção neste álbum é que sua composição ocorreu em 2014, mas o material acabou sendo ofuscado pela expectativa em torno de Era of Threnody (2017), lançado em seu lugar. Agora, quase 12 anos depois, e com o mundo à beira de um colapso, essa coleção de riffs gélidos e cortantes, vocais ásperos carregados de ódio e blast beats estrondosos finalmente vê a luz do dia.

Os músicos que acompanharam Ash na regravação das músicas merecem destaque. Mike Williams (Mummification) assume guitarra e baixo, enquanto Phil Cancilla (Malevolent Creation, Hank Williams III) cuida da bateria. O próprio Ash também gravou guitarras e baixo. O disco apresenta uma interessante dualidade: de um lado, a agressividade característica do velho Nargaroth; de outro, momentos mais melódicos e profundos que enriquecem a experiência.

Após uma breve introdução, “Steel Apocalypse” explode com riffs velozes, uma avalanche de blast beats e os vocais maníacos de Ash. O refrão é o grande destaque, com o vocalista berrando o nome da música como se convocasse todos para o fim do mundo. Na sequência, “Twisted Steel” reforça a essência do black metal com excelentes riffs acompanhando vocais ainda mais agressivos. A faixa possui uma atmosfera old school e crua, como se tivesse sido gravada diretamente nos anos 1990, quando o metal era movido mais pela paixão do que pela técnica.

“Metalheart” apresenta uma forte influência de thrash e heavy metal, especialmente nas guitarras, funcionando como uma homenagem aos deuses do metal que ajudaram a moldar a identidade da banda e de Ash, como Accept, Manowar e Sepultura. Um detalhe interessante é que o videoclipe da música foi filmado durante a mais recente passagem da banda pela América Latina, em 2026. Já “Dresden” reduz o ritmo, apostando em vocais limpos e uma atmosfera próxima ao viking metal. A sirene que surge no meio da composição faz referência ao bombardeio da cidade alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Em seguida, “Man of Mayhem” devolve a velocidade ao álbum com riffs que remetem ao Immortal e uma atmosfera épica herdada da faixa anterior. Quando os vocais entram, a música ganha ainda mais força, tornando praticamente impossível não bater cabeça acompanhando a bateria.

No fim, a longa espera por esse trabalho valeu muito a pena. Apocalyptic Steel deixa clara a visão de Ash e do Nargaroth sobre o black metal mais puro e brutal que a banda pode oferecer. Ao fugir dos clichês do satanismo explorados à exaustão por tantos grupos do gênero, o álbum amplia seu leque de composição sem perder a essência. O resultado é um disco intenso, envolvente e que prende a atenção do início ao fim. É black metal feito com convicção, personalidade e fidelidade às próprias raízes.

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