Nasty N’ Loaded – “Day Is Gone” (2025)
Insanity Records
#HeavyMetal
Para fãs: Accept, WASP, Iron Maiden, Judas Priest, Saxon, Metal Church
Texto por Johnny Z.
Nota: 9,5
Quando tive o privilégio de ouvir o álbum de estreia dos gaúchos do Nasty N’ Loaded — o homônimo lançado em 2020, disponível aqui — fiquei impressionado com a qualidade e a pegada Hard N’ Heavy, que bebia diretamente da fonte de bandas como Mötley Crüe, Guns N’ Roses, Twisted Sister, Faster Pussycat, Dokken e L.A. Guns.
Porém, com este segundo trabalho, o impacto foi ainda maior: é nítido que a banda mudou radicalmente sua sonoridade, abraçando algo muito mais pesado e genuinamente Heavy Metal. O fator “farofa” e aquela linha mais ligada a sexo, festas, drogas e rock n’ roll deram lugar a um som mais sério, vibrante, encorpado e tipicamente metal. Aqui, não há espaço para rodeios nem para resquícios do Hard Rock que marcava o disco anterior — é Heavy Metal puro e direto.
As 12 faixas de Day Is Gone me surpreenderam ao apresentar um híbrido poderoso, mesclando influências de Accept, W.A.S.P., Iron Maiden, Judas Priest e Saxon, com a agressividade de Metal Church e, aqui e ali, pitadas da ferocidade do Overkill, principalmente nas guitarras, que estão sempre na cara com riffs matadores!
Os vocais de Miro Cheyenne têm uma energia visceral que imediatamente chama atenção. É como se o poder cru e direto de Paul Di’Anno, nos primórdios do Iron Maiden, se fundisse com a teatralidade de Alice Cooper, o timbre marcante e quase arrogante de Vince Neil, do Mötley Crüe, e ainda carregasse a intensidade dramática de Blackie Lawless, do W.A.S.P. Essa mistura cria um resultado único: agressivo, melódico e cheio de personalidade, capaz de conduzir tanto riffs pesados — e aqui é o que mais há — quanto momentos mais melodiosos (poucos, pois na maior parte do disco é uma verdadeira pancada!) com igual autoridade.
O interessante dessa comparação é que não se trata de imitação: Miro consegue equilibrar o peso clássico do heavy metal com nuances cativantes, sem recorrer a artifícios de autoindulgência ou soberba — algo que poucas vozes conseguem fazer sem perder identidade própria. É uma assinatura vocal que dá à banda uma presença magnética, tornando cada faixa memorável, cheia de vida e energia.
Sem exageros, todas as faixas são extremamente viciantes, pois acertam em cheio quem curte Metal encorpado e com riffs à mostra, deixando os solos e demais instrumentos em evidência. Day Is Gone beira a perfeição!
“Alone” me lembrou muito “2 Minutes To Midnight”, do Iron Maiden, se fosse tocada pelo Accept de hoje — ou seja, uma banda mais pesada que o próprio Iron Maiden. Já de cara, a faixa me conquistou ao ponto de querer ouvi-la algumas vezes seguidas antes de passar para a segunda (risos). A faixa-título vem na sequência e, adivinhe? É uma saraivada de riffs! Nela, os caras conseguem pegar referências de Saxon, Iron Maiden e Accept, elevar à décima potência e ainda acrescentar originalidade.
“Flesh And Bone” vem um pouco mais cadenciada, mas com peso suficiente para “estragar nossos pescoços” — metal puro e sem concessões! Com “Shadows Of The Night” e “I Need Your Love”, voltamos à agressividade inicial, combinando peso e melodias oitentistas que ninguém com bom gosto vai ignorar.
“Living The Nasty Show”, com seu baixo marcante, traz um andamento quase sacana, lembrando uma mistura de Alice Cooper com o Mötley Crüe de Dr. Feelgood, com riffs certeiros para bater cabeça e os vocais também provocativos de Miro.
“Beggar And King”, mais cadenciada, mantém a energia vibrante e consegue te jogar para um ringue imaginário de luta livre. “Man In The Big River”, mais veloz que um soco na cara, carrega a urgência típica do metal oitentista, com bateria acelerada, riffs cortantes e refrão que gruda na mente. É o tipo de faixa que parece feita para levantar poeira no chão do show.
“Queen Of Flies” talvez seja a mais Hard N’ Metal do álbum — como se Dokken soasse como Judas Priest — e vai te fazer ouvi-la várias vezes graças ao clima festeiro. Em seguida, “Flowers Of Sin” chega como uma pedrada de arrepiar, principalmente em seu início.
Caminhando para o fim, temos “Taste Of Blood”, que poderia facilmente enganar quem pensasse se tratar de sobra do Accept, até que o vocal de Miro entra, lembrando que ele não se parece com Udo ou Mark Tornillo (risos). Fechando o álbum, “Angel Of Fire” começa de forma lenta, lembrando “Remember Tomorrow”, do Iron Maiden, que rapidamente descamba para adrenalina pura da mesma forma.
Simplesmente viciante! É evidente que os caras estavam inspirados e com muita gana ao compor essas músicas. Não perca tempo: corra para escutar essa maravilha do metal nacional! Obrigado (mais uma vez), Nasty N’ Loaded!





