
Necrofobia – “Membership” (2019)
Independente
#ThrashMetal
Para fãs de: Pantera, Kreator, Sepultura
Nota: 9,0
Rômulo Felicio (vocal/guitarra), André Faggion (bateria), João Manechini (baixo/backing vocals) e Rodrigo Tarelho (guitarra), thrashers paulistas de Ribeirão Preto, estão na ativa há 25 anos e já lançaram um álbum, “Dead Soul” (2004) e marcaram presença em inúmeras coletâneas por aí.
Pois bem, depois de 15 anos eis que “Membership”, segundo álbum da banda, é lançado e logo numa primeira audição podemos reparar na qualidade dos quatro músicos, o alto nível das composições (são 13 faixas em 48 minutos) e a boa produção musical, com todos instrumentos bem claros e definidos á cargo de Rômulo Felício no Under Studio.
O álbum abre com “Silent Protest” que já é um Thrash Metal de primeiro nível com guitarras rápidas, vocais sujos e refrão marcante, além de baixo e bateria mantendo toda a força! Ótimo petardo!
Logo em seguida, temos faixa título que foi o primeiro single lançado e “Perpétua 136” (mesmo com esse nome é cantada em inglês), que não deixam a peteca cair, na verdade, até levantam mais (risos).
“Blindness” começa mais cadenciada, quase saindo do Thrash e mostra muito bem a qualidade de todos os músicos.
“Rotten Brain” é outra ótima música, com a linha de baixo bem destacada e um solo de guitarra muito bem escrito, apesar de relativamente curto. Essa música está disponível também na coletânea “Five Years Death” que a assessoria Roadie Metal acabou de lançar. Veja a resenha que fizemos aqui.
“Real Fiction” e “Apatia Social” vem na sequência. A segunda é em português e praticamente um Hardcore/Punk também de primeiro nível, com o solo do Rodrigo sendo um das melhores de todo o trabalho, e a temática da letra é fortemente política (não tinha como ser diferente).
“Cemitery Oblivion” tem um riff de guitarra que é puro Pantera e até consigo imaginar o Dimebag tocando ele facilmente, e não só isso nos traz o Pantera à mente pois ao longo de todo o álbum a voz do Rômulo sempre tem uma referencia ao Phil Anselmo. Com certeza, deve ser uma forte influência para ele.
As seguintes são “Circle of Trust” (menção a ótima linha de bateria), “Devil’s Lap” (com um riff que me lembra Kreator) e “Unsed Rights” (a mais curta com pouco mais de 1min30), essas três mantém toda a qualidade que já citamos acima.
As duas últimas são “Worthless Lives” e a faixa extra “Guzzardi”, que é uma homenagem ao Raphael Guzzardi, ex-guitarrista da banda falecido em 2013. Sua letra é fantástica, uma verdadeira ode à memória do amigo com passagens realmente lindas como, por exemplo: “Não dá pra acreditar/ Numa desgraça assim/ Deságuo em choro/ Ofereço todo o meu respeito/ É foda olhar pro palco e não ter o Guzzardi ali/ Nosso amigo do peito/ Descanse em paz”. No momento em que escrevo essa resenha, 3 dias se passaram do falecimento do André Matos (Viper/Angra/Shaman) e é impossível não se emocionar e lembrar de tantos ótimos músicos que já faleceram. Mas, falando assim, até parece que a música é lenta, simples ou qualquer coisa do tipo, não é, ela é pesada e bem marcante.
Todo o material gráfico do “Membership” merece destaque, pois é tudo muito bem feito e ficou à cargo de Roger Gaulês, que fez uma capa sensacional com um homem bomba, além de várias referências políticas mundiais.
Para finalizar, temos em mãos um dos melhores lançamentos de Thrash Metal esse ano e não estou exagerando, pois o que temos aqui é claramente um quarteto muito bem desenvolvido, com técnica apurada, letras atuais e interessantes, um vocalista potente, além de uma produção muito bem feita.
Quem ainda não os conhece, não perca tempo e vá atrás, eles estão em todas as mídias sociais e plataformas de streaming e até cd físico.
Ricardo Karelisky





