Nefarious – “Addicted To Power” (2025)

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Nefarious – “Addicted To Power” (2025)

Relentless Metal Records
#ThrashMetal #OldSchoolThrashMetal #SpeedMetal

Para fãs de: Hirax, Exodus (antigo), Flotsam And Jetsam, Forbidden, Metal Church

Texto por Johnny Z.

Nota: 9,0

Quando uma banda junta nomes como Rick Hunolt (ex-Exodus), Katon W. De Pena (Hirax), Doug Piercy (ex-Heathen), Tom Gears (Blind Illusion) e Will Carroll (Death Angel), a expectativa naturalmente vai lá em cima. E o melhor é que o Nefarious não só corresponde a isso — eles esmagam essa expectativa com força e precisão.

O álbum de estreia, Addicted to Power, é uma pedrada moderna que honra o legado do thrash old school da Bay Area, mas não fica preso a ele. Pelo contrário: soa urgente, relevante e com personalidade própria.

Logo nas primeiras audições fica claro que este não é um disco saudosista. Ele vive no presente — tanto na crítica das letras quanto no cuidado das composições. Os riffs são cortantes, nervosos, com aquele groove sujo que só músicos experientes conseguem imprimir. Rick Hunolt segue sendo um monstro na guitarra, e o entrosamento com Doug Piercy rende momentos memoráveis, com passagens melódicas e solos que não são só técnica, mas adicionam peso à narrativa de cada música. O trabalho coletivo do álbum é seu grande diferencial.

A abertura, “Mirror Death”, já deixa claro o que esperar: riffs cadenciados e pesados que explodem numa verdadeira máquina de moer carne sonora. A faixa-título, “Addicted to Power”, traz um hino político carregado daquele thrash oitentista, porém com produção limpa e potente. Em “Master Plan”, o ritmo desacelera para criar tensão, com repetições bem encaixadas e a performance vocal furiosa de Katon, que mistura o espírito de Paul Baloff com seu estilo próprio do Hirax.

“Together We Rise” chega exaltando a união em meio ao caos, com riffs intensos, coro direto e uma pegada quase hardcore, mas sempre com técnica e vigor. “Day After” tem uma carga emocional impressionante, impossível não lembrar de clássicos como “Blackened” do Metallica, tanto na construção quanto na urgência da letra. A bateria aqui é destaque, frenética e sufocante. “Snarler” me surpreendeu com seu clima quase narrativo, trazendo uma base instrumental que mistura Slayer e Testament com melodias que lembram a NWOBHM.

“Avatar of Chaos” passa aquela sensação de que tudo pode desabar a qualquer momento, com riffs insanos, solos longos e uma pegada ritualística que prende o ouvinte. E o encerramento fica por conta de “One Nation Enslaved”, o primeiro single lançado, que mantém o impacto direto e urgente com uma crítica social que o metal definitivamente precisa resgatar.

A produção do álbum é moderna, mas nunca exagerada. É viva, com peso e espaço para cada instrumento respirar. Will Carroll na bateria é cirúrgico, alternando entre levadas rápidas e passagens densas que dão identidade própria a cada faixa. Já o baixo de Tom Gears pulsa firme, como um coração de concreto que mantém tudo unido.

Não estamos aqui diante de uma banda que veio para reinventar a roda — nem essa é a proposta. O que temos é o tradicional feito com entrega máxima, por músicos que têm gabarito de sobra, mesmo rejeitando o rótulo de supergrupo.

No fim das contas, Addicted to Power é um manifesto: caótico, agressivo, honesto e cheio de personalidade. Um disco que mostra que o thrash metal ainda pode ser urgente, criativo e brutalmente relevante em 2025. É tudo que um fã old school espera: riffs cortantes, letras provocativas, força e impacto. Thrash Metal feito por quem entende, para quem entende. Só posso agradecer por bandas assim surgirem cada vez mais e por trazerem de volta o fator “brutal” e “ofensivo” — aquele lugar que o metal nunca deveria ter deixado. MAKE METAL OFFENSIVE/BRUTAL AGAIN!

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