Nervosa – Carioca Club, São Paulo/SP (07/09/2026)
Produção: TC7 Produções
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino
Iniciando pelo Brasil a divulgação de seu mais recente álbum, o poderoso Slave Machine (2026), a Nervosa, em extensa turnê pelo nosso país, fez seu terceiro show em São Paulo na última segunda-feira (07). Um dos nomes mais proeminentes do Thrash Metal surgidos no Brasil neste século e vivendo, talvez, o melhor momento de sua carreira, a banda teve ao seu lado as bandas Blades of Steel e Carro Bomba, como parte do evento produzido pela TC7 Produções.
Às 18h30, teve início a primeira atração da noite, Blades of Steel. O nome vem ganhando cada vez mais destaque na comunidade Heavy Metal nacional, principalmente por conta de seu som tradicional e pelo diferencial estético, com sua vocalista, Yara Haag, sempre trajada como uma guerreira da Idade Média. Além disso, a banda, formada por músicos relativamente jovens, tem ajudado a liderar a renovação do estilo em nosso país.
Focando em seu único disco de estúdio até o momento, Blades of Steel (2025), e trazendo ótimas músicas como “Into The War”, “Vengeance Is Mine” e “Riders of The Night”, esta última com dedicatória a Prika Amaral, da Nervosa, que participa do single, além da nova “Hands of Fire (Iron Hands)”, a banda entregou um momento especialmente icônico com “Blades of Steel”, quando Yara empunhou uma espada, como se liderasse sua banda para uma batalha.





















Assim, em um set de 30 minutos, reinou o mais puro Heavy Metal, entre fãs batendo cabeça, punhos para o alto e várias saudações. Dessa forma, começaram bem demais a noite.
Às 19h30, foi a vez da segunda atração da noite, Carro Bomba, dar continuidade ao evento. É a quarta vez que tenho a oportunidade de vê-los ao vivo e, honestamente, ouso dizer que essa foi uma das melhores, pois o som durante a apresentação estava ótimo, com todo o peso necessário que a mão pesada de Marcelo Schevano tem sendo exalado pelos amplificadores. Além disso, com seu Thrash n’ Roll em português, divertido e irreverente, a banda agitou ainda mais o evento, tocando músicas como “Máquina”, “O Foda-se”, “Mondo Plástico”, “Queimando a Largada” e “Punho de Aço”.
Ou seja, foi um verdadeiro rolo compressor de peso e violência sonora, aliado ao groove característico do grupo e, claro, ao carisma do vocalista Rogério Fernandes, sempre tirando uma onda ao longo da apresentação, algo que demonstra o lado mais despojado da banda. Ao fazer um set de 40 minutos, portanto, foi mais uma decisão acertada incluir o grupo no cast do evento, já que preparou o terreno para o atropelo que estava por vir.


















E, às 21h, começou a apresentação da Nervosa. Assim como o Carro Bomba, essa foi a quarta vez que presenciei o show da banda. Porém, no caso delas, também foi a quarta formação diferente que vi ao vivo, uma em cada show, e eu não tinha tido a oportunidade de vê-las novamente desde 2019, no Rock in Rio. Ver Prika Amaral assumindo os vocais já era algo que eu tinha achado interessante nos vídeos pela internet; entretanto, ao vivo, funcionou bem demais. É outra banda, e digo isso como um elogio absoluto.
Tão logo “Impending Doom”, de Slave Machine (2026), abriu o show, tive a certeza de que a melhor coisa que poderia ter acontecido com a banda foi Prika ter assumido o vocal. Sem caras e bocas, sem teatro, ela simplesmente descarrega ódio e voracidade em cada palavra cantada, fazendo mais do que jus ao nome de sua banda. Além disso, o atual time das meninas demonstrou total coesão e entrosamento. Somado a isso, o áudio absolutamente perfeito durante a apresentação tornou o momento ainda mais intenso.
O set da banda transitou, obviamente, entre os três últimos discos, tocando músicas como “Slave Machine” e “You Are Not a Hero”, do último álbum, além de “Ungrateful” e “Seed of Death”, ambas do disco anterior, Jailbreak (2023). Ao mesmo tempo, a banda resgatou até mesmo uma de suas músicas mais conhecidas, “Death”, de Victim of Yourself (2014), que foi cantada por vários presentes que acompanham a banda desde o início. Além disso, houve até mesmo um cover improvável de “Obrigado, Não”, de Rita Lee, com Prika cantando de forma limpa e mostrando sua versatilidade vocal.
Durante 60 minutos, seguiu-se, portanto, um verdadeiro massacre de Thrash Metal, mostrando o porquê de a banda ser uma das maiores potências da atualidade em nosso país e, principalmente, que seu atual momento é simplesmente arrebatador. Finalmente, encerrando a apresentação com “Jailbreak”, a banda foi totalmente ovacionada ao final do show, em uma das apresentações mais impressionantes do ano.
Eu conheço a Nervosa praticamente desde o início da banda. Afinal, entre vê-las tocando covers do Slayer e do Napalm Death, lá em 2012, até chegar ao atual momento, é simplesmente sensacional acompanhar a evolução da banda e perceber como ela melhorou com as mudanças mais drásticas. Prika é uma verdadeira guerreira do Metal, carregando sua banda e passando por cima de tudo e de todos em nome daquilo em que acredita. E está mais do que certa, afinal, é o trabalho dela que está acontecendo e, felizmente, ela colhe cada vez mais frutos disso.
Mesmo rodando o mundo, era evidente sua felicidade por estar tocando em casa. Por tudo isso, foi um dos shows mais intensos e gratificantes de 2026.
























