Overthrash – “Until Death” (2016)
Independente
#ThrashMetal
Para fãs de: Slayer, Metallica, Vio-Lence
Texto por Cristiano Ruiz
Nota: 9,0
Antes de mais nada, gostaria de elucidar que essa resenha, além de avaliar o álbum Until Death, visa homenagear, de forma singela, a história do underground do interior paulista. Eu fui testemunha do que estou relatando e, portanto, isso também é sobre mim.
O underground, suas demos e o Overthrash
Houve um tempo, não tão distante, no qual as bandas undergound se divulgavam através de demo-tapes. Ou seja, o que para artistas maiores significava a pré-produção de um disco a lançar, para os iniciantes, com um capricho a mais, era o próprio registro musical se consolidando.
Nesse ínterim, em 1987, na cidade de Bauru/SP, durante o auge do Thrash Metal, nasceu o Overthrash. Como mencionei no parágrafo anterior, as demo-tapes igualmente tiveram papel fundamental no caminho dessa banda. Demothrash I e Demothrash II foram lançadas em sequência, entre 1988 e 1989, contendo grande parte das canções que seriam repaginadas posteriormente.
Em 1991, pela Whiplash Records, saiu o vinil compacto Reality In Black com duas faixas, as matadoras “Streets Control” (LADO A) e “Tied by Reason” (LADO B). No entanto, a partir desse início da década de 90, em consequência de vários fatos, o Thrash Metal entrou em baixa. Tanto que a Demothrash III, que estava nos planos, não chegou a ser lançada. Infelizmente, em 1996, Overthrash encerrou suas atividades, apesar de nunca terem dado adeus de forma oficial, deixando um grande vazio entre os fãs e amigos, mas isso não duraria para sempre.
Overthrash, o retorno e o lançamento de Until Death
Quase vinte anos mais tarde, para a alegria de muitos, incluindo a minha, Overthrash anunciou que estava novamente com o pé na estrada. Inclusive, nessa oportunidade, os assisti noArmazén Bar e, ainda que sejam todos meus amigos, foram intimados a autografar a minha cópia do Reality In Black (rs). Em suma, foi pura diversão com o doce sabor do underground.
De acordo com relatos de membros da banda, eles se reuníram e resolveram que parte daquele material antigo, das Demothrashs, merecia ganhar um registro de qualidade. Dessa forma, Edmir (guitarra), Gilvá P.A.D. (vocal e bateria), Jé Crust (baixo) e Vitor Caricati (guitarra) tiveram uma excelente iniciativa para tal.
Em 2015, abriram um financiamento coletivo no Catarse, divulgaram através da redes sociais e, como resultado, bateram a meta. Assim sendo, essa vaquinha virtual financiou a gravação, a mixagem e masterização, mil cópias de CD, assim como adesivo e camiseta para todos os apoiadores.
Enfim, Overthrash lança o seu primeiro álbum completo
Oficialmente em 16/12/2016, era lançado Until Death, finalmente, primeiro álbum completo da discografia do Overthrash. O old school Thrash Metal do Overthrash ganhou a qualidade de uma produção moderna, porém a sua essência permaneceu intacta. Para conferir a veracidade do que digo, acompanhe a ánalise que fiz de cada faixa e, em seguida, parta para a audição.
Faixas:
.”Suryc Intro”: Essa introdução é narrada em português: “sabem contar, otários?”, “eu acredito que o futuro é nosso, se vocês sabem contar, vocês sacaram?”
.”Chemtrails”: a príncipio, Until Death seria somente um disco de regravações. Entretanto, surgiram três novas composições e a avassaladora “Chemtrails” já vem logo no começo. Riffs e agressividade em um canção que lembra Slayer em seus melhores dias e, ao mesmo tempo, uma letra que desce a crítica em guerras químicas. Se você não gosta disso, sequer sabe o que é Thrash Metal.
.”Bat Banger”: embora nunca ganhara um registro oficial fora a Demothrash II, podemos considerar essa faixa um clássico do Overthrash, visto que todos que viveram aquela época a trazem em sua memória. Sua letra fala sobre aqueles que usam o Metal como uma maneira de “fazer moral” ou “se auto-afirmar perante aos demais”, contudo soam completamente falsos.
.”Maze of Illusions”: também advinda da Demothrash II, eis a minha música preferida entre todas as músicas do Overthrash, já que tem riff e refrão pegajosos e alternâncias rítmicas que fazem a adrenalina aumentar. Além disso, a letra fala sobre as várias ilusões que enfretamos em nossas vidas. Destaco o guitarrista Vitor Caricati por seu lindo solo.
Mais velho ou mais novo, sempre Overthrash
.”Cutting, Crushing, Thrashin’ & Fuckin’ All”: já essa música, que é bem acelerada e tem uma veia mais crossover, saiu tanto na Demothrash I quanto na II. Não há como imaginar Thrash Metal sem sua parte mais Speed, ainda mais se o refrão disser: “cortar, esmagar, detonar e foder tudo”.
.”Alternative World”: da mesma forma que “Chemtrails”, “Alternative World” também nasceu em Until Death. Aliás, essas novas faixas provaram que Overthrash não perdera seu poder criativo mesmo após seu hiato de duas décadas. Ela, com sua letra depressiva, é, inegavelmente, a faixa que soa mais moderna nessa sobra. Ainda assim, é Overthrash sendo Overthrash.
.”What Is This?”: fechando o pacote de novas composições, o petardo “What Is This?”, com P.A.D colocando terror com seu punch cavernoso, assim como com sua batera esmagadora. Aproveito o momento para elogiar a cozinha como um todo, completada pelo baixista Jé Crust. Antes que ele me ameace na rua, Edmir Almeida vai muito bem em seus riffs (rs).
.”Overthrash”: o álbum se encerraria, na ideia inicial, justamente com a canção que traz “Overthrash Until Death” em seu refrão. Essa é a música que não somente carrega o nome da banda, mas virou uma espécie de marca registrada da mesma. Em outras palavras, não há como pensar em Overthrash se esse refrão não estiver gravado em lugar especial da mente.
.”Growing Pain”: após o seu lançamento, mais uma música antiga, que saiu na Demotrhash I, ganhou uma produção moderna para formar parte do split Digital Yourself Vol. 2, juntamente com as bandas: Hellpath, Devastação Sob Terror, Immortuos, Inverted Cross Cult e Turbulence. Ela também chegou a sair em um reedição do Until Death, como faixa de encerramento do mesmo.
Clássico do Thrash Metal?
Existem clássicos do Thrash americano, do Thrash alemão e de outras várias partes do mundo, mas existe o clássico do Thrash da cidade sem limites. Muitas mais pessoas o deveriam conhecer, contudo, se você faz parte desse grupo, clique no link abaixo e conserte essa heresia.

