Papa Necrose – “Anthropomorphy Execution” (2026)
Independente
#DeathMetal #OldSchoolDeathMetal
Para fãs de: Cancer, Death, Gruesome, Pestilence (antigo)
Texto por Lucas David
Nota: 8,0
Chegando com seu terceiro ataque visceral direto do underground da Bahia, o Papa Necrose, formado por Alessandro Necrose (vocal), Carlos Silva e Danilo Vagner (guitarras), Éric Gusmão (baixo) e Luquian Silva (bateria), apresenta Anthropomorphy Execution, um disco carregado do espírito do Death Metal dos anos 90. O novo álbum se mostra uma evolução do antecessor, Open Infected Body (2021), com passagens mais estruturadas e técnicas, porém sem deixar de lado o estilo cru e agressivo pelo qual a banda já é conhecida.
Um destaque que vale mencionar é a capa do disco, feita pelo artista Alex Shadrin (Nether Temple Design), que criou um trabalho sinistro que encaixou perfeitamente com o som feito. Ela conseguiu capturar a verdadeira face da religião que a banda utiliza como alvo, expondo as contradições humanas, a hipocrisia religiosa, guerras, mortes e outros males sociais.
Outro ponto é a produção feita pelo próprio baterista, que trouxe a atmosfera Old School de bandas como Death e Pestilence, com os instrumentos soando pesados, sujos e robustos.
Abrindo o disco, “Fall, Die and Break” traz o baixo de Gusmão saltando aos ouvidos, enquanto a bateria de Silva começa em um ritmo mais marcado até despencar em um ataque frenético que aumenta a velocidade e abre espaço para riffs rápidos da dupla Carlos e Danilo, além de vocais maníacos que nos remetem ao Pestilence e Asphyx.
A faixa é brutalidade pura, com o refrão sendo gritado com toda a força antes de ser absorvido por um solo matador. Na sequência, “Disenchant Them” mantém a pegada mais rápida, com um forte apelo Thrash Metal, principalmente nos vocais, mas que mantém a brutalidade em alta.
A bateria conta com ótimas viradas e o baixo apresenta algumas das melhores linhas do disco. Portanto, ouça com os fones de ouvido e irá entender o excelente trabalho de Gusmão.
Após o macabro interlúdio “Between Voices and Fear”, a faixa-título apresenta um ritmo que alterna entre velocidade e momentos mais cadenciados, com o baixo se destacando novamente, enquanto a bateria ajuda a criar uma base sólida para as guitarras dispararem riffs letais.
“Eighteen Years Awake” é um ataque violento e odioso que emana de todos os instrumentos, com a agressividade chegando a um novo nível com os vocais de Alessandro soando ainda mais maníacos. Além disso, a faixa ainda tem espaço para um momento mais técnico, nos remetendo ao que o Gruesome fez em seus discos mais recentes.
Fechando o álbum, “The Thousand Yard Gaze” traz um som mais intrincado, evidenciando a veia mais técnica da banda enquanto entrega uma avalanche de brutalidade. A faixa conta ainda com um solo matador da lenda James Murphy (Death, Obituary, Cancer), que só melhora ainda mais a experiência vivida até agora.
Fazendo tudo que a cartilha do gênero pede, o Papa Necrose combinou agressividade e técnica em um disco que bebe da fonte dos grandes nomes do gênero e faz o trabalho como deve ser feito.
Assim, entregando riffs marcantes, uma bateria brutal e atmosfera para quem busca o melhor que o gênero pode oferecer, Anthropomorphy Execution é o Death Metal em sua forma mais pura e verdadeira.





