Porão Do Rock 2017 – Palco Brasília Capital do Rock
Local: Estacionamento do Estádio Monumental, Brasília (DF)
Data: 25/11/2017
Texto e vídeos por Victor Augusto
Fotos (Sepultura) por Pedro Humangous Salim (Hell Divine)
Para quem não conhece o Porão do Rock, ele é um tradicional festival que acontece na capital federal desde o ano de 1998. Tendo uma divulgação como ONG, que foca no tema “sustentabilidade” em suas propagandas, o evento conta com apoio e incentivos governamentais, fato que viabilizam o grande porte do evento a um custo de ingresso bem acessível, quando não de graça.
Nos anos 2000 o festival teve um crescimento exponencial, chegando a contar com três dias de shows, em dois ou mais palcos, que misturavam variados estilos de Rock, Punk e Heavy Metal.
O cast conta com inúmeras bandas do underground brasiliense e nacional, geralmente fechando o dia com alguma banda de maior porte como atração principal. Nomes como o Muse (Inglaterra), Helmet (EUA), Suicidal Tendencies (EUA), Trivium (EUA) e Nightwish (Finlândia) já passaram por estes palcos.
O festival virou uma “marca registrada” de Brasília e durante muitos anos aconteceu no mês de Junho ou agosto (período de forte seca no cerrado) e na maioria das vezes foi no estacionamento do Estádio Monumental (antigo Estádio Mané Garrincha).
De 2015 pra cá muitas indefinições sobre o acontecimento do festival o fez diminuir para somente um dia, adiar a data para o último trimestre (meses de fortes chuvas no DF) e não contou mais com bandas de fora além da programação ser divulgada bem em cima da hora.
Nesta edição o festival seguiu os moldes que adotou de 2014 pra cá contando com dois palcos principais para atrações de Rock e outros estilos (Elza Soares e Black Alien, por exemplo) e um palco isolado ao fundo dos principais, com uma estrutura um pouco menor, porém muito boa, sendo totalmente dedicado ao Metal/Hardcore/Punk. E é sobre as atrações desse palco que essa resenha será focada, o Palco “Brasília Capital do Rock”.
Agressivo Pau Pôdi (DF)
Com um atraso de quase duas horas para abrir os portões e uma pequena desorganização na entrada (falta dos leitores de ingresso digital), fez que parte do público da banda perdesse os primeiros minutos da apresentação.
A banda incorpora partes de Reggae e Ska a um Hardcore com letras e discursos que não escondem o gosto deles por fumos “diferentes”. Deram uma aquecida e animada na galera que ainda chegava.
MOFO (DF)
A segunda atração foram os Thrashers do Mofo. Devo citar que desde que o primeiro EP deles, o “Empire of Self-Regard”, chegou para resenha no Metal Na Lata, foi como uma bomba, deixando parte de nossos redatores boquiabertos. Não foi a toa que eles conquistaram essa vaga no Porão em uma seletiva, tendo uma maioria esmagadora de votos do público. Mesmo eu que já os conhecia, me impressionei com a notória evolução do grupo.
Ao vivo a banda não deixa a desejar, pois se movimentam, pulam e interagem como público insanamente. A banda executou todo o EP, tendo como destaque a “Mountain of Origin” e a ”Black Squad”. A já clássica “We Are Metal” fechou o set contando com o vocalista Emiliano correndo pelo palco, carregando consigo uma enorme bandeira com o logo da banda estampado. Fizeram um show matador.
Os Cabeloduro (DF)
Veteranos do Punk Rock brasiliense, surgiram junto aos Raimundos e DFC no início dos anos 90 e ainda são bem conceituados e ativos no underground local. Seu mais recente trabalho foi o “A Gente Só Se Fode!” (2016) e entraram no evento em cima da hora devido ao cancelamento da banda ARD
Os clássicos “Foda-se”, “Pinga com Limão” e “Punk Rock Song”, alegraram os fãs mais antigos. Entre uma música e outra, o vocalista repetia alguns discursos de cunho político, que em minha opinião poderiam ser mais curtos em função do pouco tempo do set, mas nada disso desanimou e foi um ótimo show.
Black Pantera (MG)
Infelizmente precisei de uma pausa para comer algo e como só havia “Food Trucks” na área dos palcos principais, não pude ver o show dos paulistanos do Water Rats (SP). Fica a sugestão para os organizadores colocarem alguma opção de comida na área desse palco também, pois só havia para bebidas (a um preço bem caro) na área do Palco “Brasília Capital do Rock”.
Assim que retornei, os mineiros do Black Pantera, que vem numa crescente, tanto no Brasil quanto em grandes festivais na Europa, já terminavam os ajustes. Foi começar a apresentação e o que posso dizer? Meus amigos…o que veio foi história! O trio simplesmente arregaçou no palco com uma energia espetacular na execução de suas músicas.
Além de serem exímios instrumentistas, eles não param de pular, bater cabeça e chamar o público para si. Teve direito a “Wall Of Death”, o vocalista\guitarrista Charles Gama descendo até a grade pra tocar no meio do público e partes da bateria de Rodrigo Augusto voando longe no final do show. As músicas “Boto pra Fuder”, “Ratatatá” e “Godzila” botaram o local abaixo.
Eminence (MG)
O Eminence foi uma surpresa pra mim. Confesso que conhecia muito pouco sobre eles e vi que havia uma boa parcela do público que foi para conferir o som deles usando camiseta da banda. Faz sentido tendo em vista o sucesso que a banda tem tido nos últimos anos, incluindo turnês fora do Brasil.
O show dos mineiros foi bem assertivo, tendo como base no New Metal e Metalcore com guitarras e vocais pesados o tempo todo. O vocalista foi bem comunicativo e educado elogiando bastante os fãs que foram prestigiar o show.
The Grindful Dead (DF)
O The Grindful Dead é formado há pouco tempo por membros do DFC e Violator e como o próprio nome já sugere, tocam um grindcore no estilo Extreme Noise Terror. Músicas curtas, urradas e uma enxurrada de riffs a define.
Infelizmente o som ficou meio embolado nesse momento, o que deu a impressão de ter sido algum problema técnico, pois, neste quesito, todas as bandas receberam um cuidado especial pela produção. Mesmo assim o público permaneceu junto à banda.
Sepultura (MG)
Como já mencionado anteriormente, a produção teve um cuidado em dar um bom som a todas as bandas e eram ágeis nas trocas de bandas (média de 10 a 15 minutos entre um show e outro). Porém para o Sepultura, mesmo com a bateria e amplificadores “Orange” já montados ao fundo do palco, ainda tiveram algumas estruturas a serem adicionadas e isso tomou um bom tempo.
Iniciada uma curta introdução e logo a banda surge no palco com a pancadaria de “I am The Enemy” emendando na poderosa “Phantom Self” (um novo clássico da banda em minha opinião), ambas do disco novo “Machine Messiah”.
O som estava perfeito e cada vez mais a banda está leve e entrosada no palco. Eloy Casagrande é de fato um monstro na bateria e Andreas Kisser agita insanamente como de costume. Até Paulo Jr. se mostrou presente. Derrick Green cumpre fielmente as linhas vocais e percebo-o cada vez mais comunicativo. O público correspondeu com incansáveis rodas música após música.
A banda misturou muito bem as antigas “Desperate Cry” e “Inner Self” com músicas atuais. Destaco a instrumental “Iceberg Dances”, de seu mais novo álbum, que é um show de técnica por parte de Andreas e Eloy e “Kairos” que cai muito bem ao vivo.
Eles encerraram com “Roots Bloody Roots” após uma sequência de clássicos da fase “Arise”, “Chaos A.D.” e “Roots”.
Podem falar o que quiser, mas o Sepultura ainda é uma das bandas mais relevantes do mundo, lançando excelentes discos e caindo em turnês de grande porte. Eles não estão pra brincadeira.

Set List Sepultura:
I Am the Enemy
Phantom Self
Kairos
Desperate Cry
Machine Messiah
Inner Self
Sworn Oath
Iceberg Dances
Choke
Resistant Parasites
Territory
Refuse/Resist
Arise
Ratamahatta
Roots Bloody Roots
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Chuva, cancelamentos e saldo final.
Retirada do backline do Sepultura para a remontagem dos equipamentos das três últimas bandas. Imaginei que deveria demorar um pouco esse processo, o que ninguém esperava era que a eminente chuva viesse em forma de tempestade, raios e trovões menos de 5 minutos após o término do show.
O dilúvio afugentou o público para os toldos da área de bebidas, faltando espaço e tornando tudo meio caótico. Muitos foram embora e alguns mais corajosos (como eu) esperaram por volta de uma hora até a total parada da chuva para assim retornar para o palco.
Conforme as pessoas retornavam para o palco, via se a decepção na cara delas ao ver que a produção já desmontava até mesmo a mesa de som, pois houve danos aos equipamentos e riscos até mesmo para os artistas.
Muitos ficaram na esperança de que os shows do Dark Avenger (DF), Deceivers (DF) e Krisiun (RS) fosse remanejado para os palcos principais, mas isso não aconteceu e esses shows não rolaram.
Talvez o que mais tenha indignado os fãs foi justamente a espera por uma resposta se haveria pelo menos o Krisiun ou não, tudo isso somado ao banho de chuva, frio e cansaço naquela altura da madrugada.
Posteriormente foi divulgada uma nota no Facebook do Porão do Rock esclarecendo que até mesmo um dos palcos principais tiveram problemas com a chuva cancelando também o show do rapper Black Alien. Daí em diante o que se lia era uma devastação de críticas severas e reclamações pesadíssimas sobre o festival.
É claro que tiveram algumas falhas na organização e percebe se que esse ano a estrutura foi mais escassa do que em anos anteriores, porém um evento desse porte é algo extremamente complexo de se fazer ter tudo 100% ok.
Respeito às opiniões acerca do assunto, mas não posso deixar de citar o saldo positivo dos shows que aconteceram. Bandas novas dificilmente podem mostrar seu potencial em um palco maior e com um som de boa qualidade e os fãs de Brasília não tem muitas oportunidades de ver grandes nomes em shows, devido o custo extremamente alto que é produzir shows por aqui.
Por fim, desejo sucesso a todas as bandas que fizeram esse dia espetacular e que o festival acerte esses problemas para as próximas edições (Lembrem se! Food trucks para todos os palcos). Desejo, principalmente, que os milhares de “Headbangers”, que fizeram bonito ali, não sumam e continuem comparecendo nos shows Underground ao longo do ano.





