Prong – “Live And Uncleansed” (2026)

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Prong – “Live And Uncleansed” (2026)

Steamhammer
#GrooveMetal #ThrashMetal #Crossover #IndustrialMetal

Para fãs de: Helmet, Ministry, Killing Joke, Pantera, Fear Factory

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,5

Há bandas que soam impecáveis em estúdio e outras que encontram no palco a sua verdadeira essência. O Prong sempre pertenceu às duas categorias, embora — infelizmente — ainda seja uma banda injustamente subestimada. Talvez isso se deva às inúmeras mudanças de formação ao longo da carreira ou a alguns tropeços discográficos aqui e ali, algo que, convenhamos, faz parte da trajetória de praticamente qualquer grupo que não alcançou o estrelato absoluto da grande mídia (não que não o merecesse; pelo contrário, merecia — e muito!).

Formado no final dos anos 80 em Nova York, o Prong rapidamente construiu uma identidade própria ao misturar hardcore nova-iorquino, thrash metal e grooves pesados que mais tarde ajudariam a moldar boa parte do metal alternativo dos anos 90. Sob a liderança do guitarrista e vocalista Tommy Victor, a banda desenvolveu uma reputação sólida tanto em estúdio quanto no palco, com discos importantes como Beg to Differ (1990), Prove You Wrong (1991) e principalmente Cleansing (1994), considerado até hoje um dos trabalhos mais influentes de sua discografia.

Três décadas depois, esse legado foi justamente o ponto de partida para o lançamento de Live And Uncleansed. O álbum foi gravado durante a turnê europeia de 2025 que celebrou os 31 anos (esse número quebrado me soa estranho demais) do clássico Cleansing, quando a banda apresentou sets extensos revisitando grande parte desse material histórico, além de músicas de diferentes fases da carreira. As gravações aconteceram ao longo de sete noites entre julho e agosto de 2025 em diversos palcos europeus, incluindo o lendário Wacken Open Air, além do Alcatraz Festival, na Bélgica, e casas tradicionais como o Colos-Saal, na Alemanha.

O resultado é um registro ao vivo extremamente honesto, trazendo onze faixas principais e três bônus captadas durante essas apresentações. A formação responsável pelo registro conta com Tommy Victor nas guitarras e vocais, Christopher Dean no baixo e Tyler Joseph na bateria, trio que demonstra grande entrosamento ao longo de todo o álbum.

O disco surge como um retrato cru e autêntico da banda em ação. Desde o início, fica claro que a intenção não era criar um álbum ao vivo excessivamente polido ou corrigido em estúdio. A proposta aqui é preservar a energia do momento — com toda a espontaneidade, imperfeições e intensidade que fazem parte de um show real.

A abertura com “Revenge… Best Served Cold” já estabelece o tom do álbum. O riff surge pesado e direto, com a bateria conduzindo a música com firmeza enquanto a guitarra de Tommy Victor corta a mixagem com agressividade. Logo na sequência, a suja “Inheritance” e a pancada “The Descent” reforçam o peso moderno da banda, com grooves densos e uma atmosfera carregada que ganha ainda mais impacto ao vivo.

Em “One Outnumbered” e “No Question”, a banda mostra como continua dominando a arte de construir riffs compactos e devastadores, somados a muita quebradeira, enquanto “Sublime” cresce gradualmente até explodir em um refrão pesado que funciona perfeitamente no contexto do palco. Já “Not Of This Earth” traz um clima mais experimental, lembrando por que o Prong sempre transitou entre diferentes vertentes do metal sem perder sua identidade, o que, sejamos honestos, funciona demais e ao vivo mantém muita pressão.

A sequência segue com “Home Rule”, uma faixa que evidencia o peso groovado aliado ao experimentalismo característico do grupo, enquanto “Ultimate Authority” apresenta a rifferama hipnótica característica de Tommy, com toques de Fear Factory que me agradam bastante.

Mas é quando surgem os clássicos que a força do álbum se torna ainda mais evidente. “Snap Your Fingers, Snap Your Neck”, registrada durante a apresentação no Wacken, continua sendo um dos maiores hinos do metal dos anos 90, e sua execução aqui demonstra que o impacto da música permanece intacto. A sequência com a pancada crossover de thrash, hardcore e industrial de “However It May End”, do maravilhoso Zero Days (2017), mostra que o sangue nos olhos sempre esteve presente.

As faixas bônus “Out of This Misery”, “Corpus Delicti” e “Whose Fist Is It Anyway” nem deveriam ser chamadas de “extras”, pois acrescentam uma nova dimensão à audição do álbum como um todo. São extremamente pesadas e mergulham na pura agressividade, com destaque especial para o fechamento proporcionado pela fabulosa “Whose Fist Is It Anyway”.

Um dos aspectos mais interessantes de Live And Uncleansed é justamente a forma como o álbum soa. Diferente de muitos registros ao vivo modernos, que acabam excessivamente polidos ou até mesmo plastificados pela pós-produção, aqui o som permanece cru, pesado e extremamente orgânico. A produção opta por preservar o impacto natural da banda, sem transformar a gravação em algo artificialmente perfeito.

As guitarras aparecem secas e agressivas, com aquele timbre serrado que sempre foi uma das marcas registradas do Prong, porém faltou um tiquinho só de pressão ao meu ver. O baixo surge encorpado e ajuda a engrossar o peso das composições, enquanto a bateria mantém uma presença firme e pulsante, com viradas claras e bem definidas. Tudo isso contribui para um resultado sonoro que transmite a sensação real de um show — barulhento, intenso e visceral.

A mixagem também acerta ao não esconder o ambiente do palco. O público aparece na medida certa, ampliando a atmosfera sem dominar a gravação. Essa decisão ajuda a criar uma experiência bastante imersiva, que dá a impressão de que o ouvinte está literalmente no meio da plateia.

Outro ponto positivo é que pequenas imperfeições da execução não foram apagadas. Em vez de prejudicar o resultado, esses detalhes reforçam a autenticidade do registro (IA é o car@alh0!). O álbum soa vivo, pulsante e honesto, algo cada vez mais raro em uma era em que muitos discos ao vivo acabam parecendo versões de estúdio com aplausos adicionados.

Dois pontos negativos e, para mim, imperdoáveis neste álbum — e, sinceramente, na minha modesta opinião de fã desde o início da carreira da banda — foram a ausência das faixas “Broken Peace”, “Cut-Rate”, “Beg to Differ” e “Unconditional”. Isso eu jamais perdoarei; chega a ser quase um insulto aos meus ouvidos (risos). Se tocassem o Cleansing na íntegra, eu também não acharia nada mal (risos).

Resumindo, Live And Uncleansed funciona como um verdadeiro documento da força do Prong no palco. O disco consegue equilibrar diferentes fases da carreira da banda, ao mesmo tempo em que reafirma a relevância de um grupo que nunca precisou seguir tendências para continuar pesado e relevante.

Depois de décadas na estrada, o Prong continua soando faminto, agressivo e absolutamente fiel à sua essência. E este álbum ao vivo deixa claro que, quando se trata de transformar riffs em pura energia de palco, poucos conseguem fazer isso com tanta consistência quanto esse veterano trio do metal. Ah, Tommy Victor é um dos maiores gênios do groove/thrash metal dos anos 90 ao lado de Dimebag Darrel (Pantera), aceita que dói menos.

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