
Ratos de Porão – “Necropolítica” (2022)
Shinigami Records
#Punk, #Crossover, #Hardcore, #ThrashMetal
Para fãs de: D.F.C., Surra, Cólera
Nota: 9,0
Gostaria de iniciar essa resenha com um aviso: se você não acha que a música e a política devem se misturar ou ficar revoltado e “bravinho” com o conteúdo das letras, talvez esse álbum não seja para você. Só não seja um babaca com quem gosta e ouve o som!
Dito isso, todos sabemos que viver no Brasil nunca foi uma tarefa fácil, porém no atual cenário tudo piorou, e muito. Piadas com diversas crises sociais, destacando-se as com pessoas que perderam amigos e familiares para o vírus da COVID19, além do conservadorismo e dos fanáticos religiosos que passaram a nadar no sangue dos inocentes, e com o poder do dinheiro controlam tudo para que sua figura seja a melhor possível nas mídias. Nesse cenário caótico, muitas bandas encontram munição para trabalhar suas músicas e expor toda a revolta que muitos carregam dentro de si, e o Ratos de Porão não fica de fora, lançando o mais do que necessário “Necropolítica”, via Shinigami Records.
O novo álbum chega oito anos depois do já pesado e matador “Século Sinistro”, com uma fórmula que a banda segue desde os anos 80, misturando o Punk/Hardcore com doses de Thrash Metal/ Crossover encontrada nos clássicos “Brasil” e “Anarkophobia”. E prepare-se, porque eles ainda estão sujos e agressivos depois de todos esses anos, com músicas cheias de uma agressividade massiva e muitos momentos com ganchos, (cortesia dos excelentes riffs de Jão, combinando características de Hardcore e Thrash Metal em sua execução). E mesmo com letras em português brasileiro, dá para sentir o antigo espírito Hardcore/Crossover e o inconformismo pulsando com vida em cada uma das músicas do álbum. Mas é um álbum maduro, porque o velho ponto de vista irônico usado nas letras está ausente, focando no mal que está atormentando o povo brasileiro agora.
A sonoridade do álbum é um ponto muito bom. É bem suja e “tosca” porque a música da banda não pode ser expressa da melhor maneira se for extremamente limpa. Mas preste atenção em um fato: ser “tosca” não quer dizer que não seja excelente, porque conseguimos entender o que está sendo tocado sem problemas, indicando um bom trabalho de Fernando Sanches na mixagem. A arte é incrível, com contrastes simples e remetendo muito a capa de “Sabbath Bloody Sabbath” do Black Sabbath.
O álbum abre com “Alerta Antifascista”, uma faixa rápida e afiada, cheia de influências do velho Crossover, com riffs grudentos e solos de guitarra arrepiantes. “Aglomeração” traz o Hardcore já visto no álbum “Brasil”, com a levada e o refrão sendo executados perfeitamente por João Gordo. As letras são um show à parte, trazendo a crítica às fake news, a remédios contra o vírus que não funcionam e como os líderes religiosos usavam disso para promover absurdos em nome de um deus.
“Passa Pano pra Elite” traz o Punk com ritmo mais lento, e mostra que a banda está ligada às suas raízes. A faixa-título mostra o Thrash Metal que a banda sempre teve em suas músicas e o destaque vai para Juninho e Boka, que destroem no baixo e na bateria, respectivamente. Falando no baterista, Boka sempre mostra o porquê de ser tão reconhecido no meio, pois sua técnica, velocidade e viradas são mais do que excelentes. “Neonazi Gratiluz” encerra o álbum destacando, novamente, o baixo e a bateria, com um ritmo ótimo para o headbanging, fazendo referência aos seguidores fanáticos do atual presidente.
No primeiro contato com “Necropolítica” qualquer ouvinte saberá que o disco é um manifesto contra o presidente, sua família e seus seguidores “do bem”. É difícil se você busca separar a música das letras, pois elas sempre encaixam na proposta do Ratos, que não deixa apenas um novo disco, mas sim um novo legado para as próximas gerações.
Lucas David









