
Robin Beck – “Love Is Coming” (2017)
Frontiers Music
#MelodicRock, #AOR
Para fãs de: Alannah Myles, Lee Aaron
Nota: 4,0
Nos dez anos que esteve fora da Frontiers, Robin Beck lançou “The Great Escape” (2011) e “Underneath” (2013), dois álbuns que ninguém ouviu ou deu muita bola — francamente, nenhum dos trabalhos posteriores ao clássico “Trouble Or Nothin’” (1989) fez alvoroço fora da diminuta rodinha dos fãs de Melodic Rock — e que já atingiram o status de raridade na Internet. De volta para o aconchego do Serafino, a sra. James Christian nos apresenta “Love Is Coming” e, no auge dos seus 62 anos, esbanja uma beleza e uma voz capazes de colocar muita novinha, sobretudo do rock, no bolso.
O problema é que boa parte do repertório aqui está longe de fazer justiça ao alcance vocal e à capacidade interpretativa de Robin. O genérico manda lembranças na tenebrosa “On The Bright Side”, na qual somente a voz salva, quando não submetida a um caralhão de efeitos, e na esquisita “Me Just Being Me”, cuja tentativa de groove nos versos contrasta com um refrão que não cairia mal no repertório da cantora Pink. Em contraste, a faixa título exibe um otimismo capaz de fazer até o mais desiludido acreditar que o amor está a caminho, e a ótima “Island” reforça o sentimento com promessas que esperamos ouvir daquela pessoa especial.
Por se tratar de uma das rainhas do AOR — pra mim, Marcie Free é a número um —, obviamente não podia faltar aquela balada dilacerante reunindo todos os ingredientes capazes de pegar em flagrante os corações de margarina: “Here I Am” tem piano, letra sofrida, vocal nas alturas e funciona como trilha sonora tanto para o casal em um beijo apaixonado quanto para o bêbado em fim de noite após levar aquele pé na bunda.
Ainda no campo das baladas, “If You Only Knew” desperdiça um bom storyline num arranjo preguiçoso, enquanto a saideira com “Warrior” soa como algo que Avril Lavigne teria o bom-senso de não lançar — fora a semelhança com aquela música que a Katy Perry cantou em cima de um tigre-robô gigante no intervalo do Superbowl. Que “Love Is Coming” sirva, pelo menos, para levar Robin de volta aos palcos onde, posso apostar, dará ênfase aos seus trabalhos que realmente são de tirar o chapéu.
Marcelo Vieira




