Sepultura – “Machine Messiah” (2017)

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Sepultura Machine Messiah” (2017)
Nuclear Blast

Nota: 9,5

E lá vamos nós, com todo prazer, ouvir mais um novo disco do Sepultura, e já começo o texto dizendo: ESQUEÇAM A FASE CLÁSSICA E ESQUEÇAM OS CAVALERAS. Em se tratando desses últimos, vocês não vão ler o nome deles daqui por diante ok?

Dito isso, “Machine Messiah” começa com a faixa título bem arrastada, quase lenta, com Derrick Green mesclando vocais limpos e agressivos (gritados), o que me deixou preocupado. Não pela qualidade, longe disso, mas notei que estava diferente, algo meio até inusitado em termos de Sepultura. Mas do meio para o final de uma bela melhorada, com riffs bem na cara de Andreas Kisser, mas ainda achei meio parada demais.

Na sequência, “I Am The Enemy”, previamente divulgada devolve o peso e a cacetada aos nossos ouvidos no mesmo esquema “porrada na orelha” de “Human Cause” de Nation (2001), e aqui já comecei a me sentir em casa.

Eloy Casagrande… o que falar desse cara? Um dos melhores bateristas do mundo, mas confesso que no começo fui meio xiita em sua entrada na banda por conta da pouca idade, mas hoje vejo que fui um perfeito TROGLODITA! O cara engole qualquer um com farinha! SEM MAIS, É MONSTRO, ALIENÍGENA, o que vocês preferirem…

“Phantom Self”, com seu começo “amedrontador” parecendo meio levadinha de samba chega para nos brindar como uma das melhores faixas compostas pela banda em T-O-D-A sua carreira. Cheia de orquestrações e cordas que mostram algo bem sinistro e coeso com o peso das letras e dos riffs e etc. O refrão cola na sua cabeça e forma imediata! Temos solos… sim SOLOS de novo e não barulhinho “industrial” como Andreas adora fazer. Calma Alemão, não me xinga, mas essas porras já deram no saco… (risos).

Enfim, coisa de gênio essa música!
Até aqui, excetuando a faixa de abertura, tudo lindo, e a produção de Jens Bogren deixou todos instrumentos soando de forma impecável colocando o peso e a harmonia em evidência em prol da composição. Simplesmente cativante!

“Alethea”, apesar dos seus riffs e solos lindos, não me mostrou muita coisa. Boa música, cheia de partes técnicas e intrínsecas de mudanças de andamento. OK somente.

Derrick esta cantando muito bem, talvez junto com “Kairos” (2011), esse seja um de suas melhores performances, da mesma forma que Paulo Xisto Pinto Júnior mostrou um peso em seu baixo que preencheu todas as camadas de forma coesa. Muito bom mesmo!

As influências mais técnicas começam a aparecer na instrumental “Iceberg Dances” com um (creio eu) Hammond de fundo, sim, leram muito bem, teclado Hammond, levadas de música popular brasileira, flamenco, levadas progressivas que te fazem esquecer o nome Sepultura devido a ser totalmente DIFERENTE de tudo que a banda já tenha feito. Chega a ser desconcertante ao ouvinte em todos os sentidos. Na primeira audição nos perguntamos: “Que porra é essas que eles estão fazendo”, mas na segunda em diante você já começa a chama-los de gênios.

Enfim, chegamos na metade do álbum regular (10 faixas), sabendo que teremos uma versão deluxe com 13 faixas e um DVD bônus com o “Making Of” do álbum, e o saldo até agora foi de muito experimentalismo e influências dos mais variados estilos.

“Sworn Oath”, abre a segunda parte do álbum e … aahhhh aqui o bicho pega de novo! Porrada Thrash de primeira linha, mas ainda contando com orquestrações de fundo que junto com os gritos monstruosos de Derrick e os riffs C-A-V-A-L-A-R-E-S que Andreas faz nos deixam de queixo caído! Essa pode se tornar, sem sombra de dúvidas, muito pedida nos shows.

É nítido que as composições em “Machine Messiah” são as mais apuradas, diferentes e desconcertantes de toda a carreira da banda. Isso se tornará um fato!

Todas as faixas seguintes são violentas, sem tantos experimentalismos – mesmo assim tendo-os de forma um pouco mais sutil – soando mais “na cara” mesmo. A variação/quebra de ritmos ficaram mais evidentes e um bom exemplo de tudo que disse agora é “Resistant Parasites”. Excelente!

“Silent Violence” voltamos a algo mais Thrash/Hardcore, com alguns barulhinhos de Andreas de novo (hehehehe). Peso descomunal fará a alegria dos amantes daqueles riffs ganchudos de outrora.

“Vandals Nest” me lembrou “Fight Fire With Fire”Metallica, com aqueles riffs “abelhudos” de seu começo triunfal pós violões. Cacetada incrível de tirar lágrimas de alegria ou de dor de tanta porrada que os fãs levaram no moshpit. Mais uma vez, destaque para Derrick que fez uns vocais meioMastodon na parte do refrão.

Fechando de forma quase que inquietante temos “Cyber God”, com seu início cheio de quebradeira rítmica, com vocais beirando o Rap me lembrou muito Bad Brains, onde Derrick canta ora de forma limpa ora feito um Godzila com raiva já que a faixa pede essa segunda parte devido a violência que fará seus ouvidos sangrarem!

Ouçam duas, três vezes, mas depois disso vocês vão me dar razão à tudo que disse. Na primeira audição fiquei desorientado e assustado, achando tudo muito diferente (e realmente está, isso é fato), mas nas seguintes podemos dizer, sem sombra de dúvidas que, ENFIM, temos uma nova obra prima do Sepultura de novo!
Palmas à todos envolvidos, dessa vez vocês merecem com folga!

Caralho, me alonguei demais, mas foda-se! “Machine Messiah” é tudo isso e mais um pouco!

Johnny Z.

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