Dimmu Borgir – “Grand Serpent Rising” (2026)

dimmuborgir2026
Compartilhe

Dimmu Borgir – “Grand Serpent Rising” (2026)

Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#SymphonicBlackMetal

Para fãs de: Graveworm, Cradle of Filth, Old Man’s Child

Texto por: Matheus “Mu” Silva

Nota: 9,0

Oito longos anos após a bomba “Eonian” (2018), o Dimmu Borgir enfim lançou seu décimo primeiro disco de estúdio, “Grand Serpent Rising”, via Nuclear Blast.

Confesso que ouvir e resenhar esse disco me trouxe um misto de expectativa e apreensão. O Dimmu Borgir mudou a minha vida lá em 2005, quando fui introduzido ao mundo do metal extremo, e sempre foi uma das minhas bandas de cabeceira; porém, desde 2007, não lançavam nada realmente relevante. Pior do que isso, seu último disco eu considero a maior decepção da minha vida de headbanger. E ainda mais agora, com a saída do guitarrista Galder, a preocupação tinha ficado maior ainda. Porém, os singles lançados deram um ar de esperança, então vamos lá!

“Tridentium” abre o disco já mergulhando a audição em um clima cinematográfico e, com seu andamento soturno, já é um sinal de que algo bom está por vir, mesmo soando como uma longa introdução, até explodirem os blast beats de “Ascent”; e como é prazeroso ouvir isso novamente no som da banda. Mais Black Metal e com menos excessos sinfônicos, apenas tendo-os como um pano de fundo sutil e épico, não tem como não abrir um sorriso ao ouvir essa música. Ela, sozinha, já é melhor que tudo o que o Dimmu Borgir fez desde o seu último disco realmente bom, “In Sorte Diaboli” (2007).

“As Seen in The Unseen” é outro massacre sonoro, resgatando a aura do início dos anos 2000, seu melhor período criativo, despejando fúria e intensidade simplesmente arrebatadoras, e com um refrão simples e marcante. Além do trabalho primoroso do baterista Daray, com grooves poderosos no final da música, é um dos melhores momentos do disco — e está só começando. “The Qryptfarer” é um pouco mais simples, porém mantém o pique do álbum, com um trabalho mais pontual de teclados e orquestrações. “Ulgjeld & Blodsodel”, primeiro single que a banda soltou, traz aquela cadência mais levada que toda banda de Black Metal tem em seu disco, quase como um respiro, e realmente foi um ótimo cartão de visitas para o álbum; porém, por incrível que pareça, é talvez a menos impactante em relação ao restante da obra — e olha que ela, por si só, já é muito boa.

“Repository of Divine Transmutation” é mais um atropelo do início ao fim. Para quem achava que o Dimmu Borgir ia manter os excessos do disco anterior, algo que fez a banda se aproximar do Gothic Metal moderno cheio de pompa, aqui é mais um exemplo de que resolveram voltar ao que faziam de forma magistral anos atrás. “Slik Minnes en Alkymist” mantém o pique em alta. “Phantom of The Nemesis” já soa como uma sobra do “Eonian”, ou seja, dispensável.

“The Exonerated” já coloca tudo nos trilhos novamente, com um groove viciante e pegado, em mais um momento genuinamente Black Metal, sensacional do início ao fim. Que petardo — e que solo de guitarra maravilhoso, talvez a música mais completa de todo o disco. “Recognizant” é violentíssima. “At The Precipice of Convergence” também é ótima, mesmo com uma pegada mais próxima do que foi feito mais recentemente pela banda. “Shadows of a Thousand Perceptions”, infelizmente, já soa um pouco mais cansativa no final do disco, e a derradeira “Gjoll” encerra a obra com uma bela orquestração instrumental, simples e funcional, algo que a banda já fez em outras oportunidades — e aqui funcionou bem.

Sem medo nenhum de dizer, “Grand Serpent Rising” é um discaço. Toda a apreensão que eu tinha antes de dar o play foi sumindo ao longo do álbum e, ao final dele, é impossível não abrir um sorriso ao finalmente ver uma banda que mudou a sua vida fazendo um disco digno de sua história. Foram quase 20 anos desejando um trabalho assim e, em meio a tantos álbuns pífios, aqui finalmente o Dimmu Borgir voltou ao que o tornou gigante na cena mundial. O disco do ano para mim!

Compartilhe
Assuntos

Veja também