She Past Away – Vip Station, São Paulo/SP (28/01/2026)

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She Past Away – Vip Station, São Paulo/SP (28/01/2026)

Realização: Caveira Velha Produções e Talent Nation
Abertura: Nefast Projecy e When I Die

Texto: Sabrina Ribeiro
Colaboração: Alexandre ‘Nuggie’ Nuggermeister
Fotos: Alessandra Rosato

She Past Away retorna a São Paulo com a solenidade sombria característica da banda, oferecendo uma apresentação que mais uma vez confirmou o motivo de continuarem a ser uma das bandas mais influentes da vaga darkwave e pós-punk contemporânea.

Iniciando a noite, o Nefast Project apresentou uma proposta que foge dos padrões mais tradicionais do rock e do metal, apostando em uma sonoridade darkwave/synthwave marcada por atmosferas sombrias, bases eletrônicas densas e forte influência oitentista, filtrada por uma estética moderna. Formado por Mauren McGee (vocais), Joe Klenner (sintetizador/produção) e Ian Bueno (produtor e coautor das letras), o projeto demonstra personalidade ao trabalhar a música como um conceito, mais voltado à ambiência e à sensação do que ao impacto imediato.

O show foi curto, porém eficiente e intrigante. Com uma postura contida e minimalista no palco, o trio construiu um clima de mistério que envolveu o público, sustentado por timbres frios, batidas pulsantes e vocais introspectivos. Mesmo com pouco tempo, o Nefast Project deixou uma impressão forte e a sensação de que ainda há muito a ser explorado, confirmando seu potencial dentro da cena darkwave nacional.

Na sequência, o clima ganhou novos contornos com a entrada do When I Die, banda em clara ascensão no underground nacional. Formada por Johnny Monster (vocais e guitarra), Juliana Chacon (vocais), Joe Klenner (baixo e guitarras), Jeff Molina (samplers & synths) e Jaques Molina (guitarras), o grupo mostrou no palco por que vem conquistando cada vez mais espaço: a energia é pulsante, direta e totalmente conectada com o público. Mesmo dentro de uma estética sombria, o show foi tudo menos contido, equilibrando peso, melodias marcantes e uma presença de palco intensa.

O resultado foi uma apresentação extremamente animada e contagiante, algo já característico do When I Die. As músicas funcionaram muito bem ao vivo, com refrões fortes, bases envolventes e uma entrega sincera que transformou o set em um dos momentos mais vibrantes da noite. A banda demonstrou maturidade, entrosamento e carisma, reforçando a sensação de que seu crescimento no cenário underground não é passageiro, mas fruto de identidade, consistência e impacto real no palco.

O She Past Away, duo turco formado em 2006 e hoje composto por Volkan Caner (voz e guitarra) e Doruk Öztürkcan (teclados, drum machines e produção), não precisa de grandes discursos nem de artifícios cênicos para impor sua presença: basta a pulsação fria das máquinas, a guitarra profunda e a voz cavernosa de Caner para transformar a sala em um verdadeiro templo de sombras. Referência absoluta do post-punk/darkwave contemporâneo, a banda construiu sua identidade a partir de uma estética minimalista e hipnótica, claramente influenciada pelo legado oitentista de nomes como Bauhaus, The Cure, Sisters of Mercy e Clan of Xymox, mas sempre filtrada por uma personalidade própria e inconfundível — reforçada pelo uso do idioma turco nas letras.

Desde os primeiros segundos, a atmosfera ritualística ficou evidente. Luzes mínimas, fumaça densa e um público que parecia já estar em transe antes mesmo da primeira batida. Quando “Kasvetli Kutlama” irrompeu, a casa inteira passou a se mover como um só corpo, não em euforia explícita, mas em uma dança elegante, contida e magnética. A força do She Past Away ao vivo reside justamente nessa repetição hipnótica, onde cada detalhe se acumula em espirais sonoras que envolvem o público lentamente, criando um estado quase meditativo.

Faixas como “Rituel”, “Asimilasyon” e “Durdu Dünya” foram recebidas como verdadeiros hinos. A cada palavra cantada em turco, o público respondia como se fosse sua língua materna, um detalhe revelador de como a música da banda transcende qualquer barreira linguística. A guitarra seca e incisiva de Volkan Caner funcionou como lâmina sobre a base eletrônica precisa e pulsante de Doruk Öztürkcan, reforçando uma estética intimista e elegante, onde nada sobra e nada distrai. É música para ser sentida no peito, na pele e, sobretudo, no escuro.

O momento mais arrebatador veio com “Katarsis”, fazendo jus ao título ao liberar uma energia acumulada desde o início da apresentação. Já “Monoton” e “Bozbulanık” encerraram o show com a solenidade de um ritual final, deixando no ar a sensação de que o tempo ali dentro havia seguido outra lógica. Ao fim, ficou claro que o She Past Away não entrega apenas shows, mas cria ambientes e estados de espírito, pequenas distorções emocionais que definem sua música como uma viagem interior. Ao vivo, essa experiência se torna ainda mais intensa, física e absolutamente inesquecível.

Setlist:

İçimdeki Düşman
Durdu Dünya
Katarsis
Mizantrop
Asimilasyon
Ritüel
Sessiz Orman
Kasvetli Kutlama
Inziva
Ruh
Kaygan Kayalıklar
İnsanlar
Bozbulanık
İzole
Hayaller?

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