Swallow The Sun – “Hangar 110, São Paulo/SP” (11/08/2026)
Produção: Overload
Assessoria: Tedesco Comunicação & Mídia
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino
Três anos após sua última passagem pelo nosso país e em sua terceira visita ao Brasil, o Swallow The Sun retornou. Um dos principais nomes da safra Doom Metal deste século, a banda finlandesa trouxe a turnê “Shining Over Latin America”, divulgando seu mais recente álbum, Shining (2024). Com produção da Overload, o grupo realizou uma única apresentação no Brasil, na última terça-feira (11).
Iniciando precisamente às 21h, o Swallow The Sun começou sua apresentação com “Innocence Was Long Forgotten”, faixa que também abre Shining, disco que explora ainda mais o lado melódico da banda. O som estava primoroso na casa, valorizando especialmente o aspecto mais introspectivo do grupo. Isso, porém, mudou de figura quando “Descending Winters”, única representante de Ghost of Loss (2005), foi executada, trazendo à tona o lado mais pesado da banda, com o vocalista Mikko Kotamäki exibindo seu poderoso gutural em meio à melancolia que permeia a sonoridade do grupo.
Aliás, essa é uma das principais características do Swallow The Sun: praticar um Doom Metal melódico que alia peso absoluto em cada nota tocada a efeitos em VS mais atmosféricos, além de linhas vocais que alternam entre extremos e suavidade. Ainda sobre o lado mais pesado da banda, o setlist foi especialmente voltado aos fãs de longa data, já que, com exceção de Shining, todas as outras músicas executadas pertencem aos quatro primeiros discos da carreira.
Na sequência, “New Moon” e a excelente “Under The Sun & Moon” mantiveram a atmosfera. Mikko tirou um breve momento para agradecer ao público, praticamente sussurrando, e sua introspecção era refletida pela plateia, que observava atentamente cada momento. Alguns ainda se arriscavam a bater cabeça durante os trechos mais pesados de “Don’t Fall Asleep (Horror Pt. 2)”.
Quando Mikko anunciou que tocariam material do primeiro álbum, a banda resgatou “Out of This Gloomy Night”, música executada apenas na primeira passagem pelo Brasil, em 2014. Ovacionada logo de cara, foi uma das performances mais pesadas e impressionantes da noite, com Mikko abusando de guturais cavernosos. Em seguida, veio “Hope”, faixa-título do terceiro disco, lançado em 2007, e uma das composições mais técnicas da noite.
Certamente, um dos grandes pontos altos do show foi “MelancHoly”. Com seu refrão cativante e sendo, na minha opinião, a melhor faixa do último álbum, a música ganhou ainda mais força ao vivo e proporcionou um dos momentos de maior participação do público. Caminhando para o final da primeira parte do set, o Swallow The Sun apresentou uma dobradinha de New Moon com “Falling World” e “These Woods Breathe Evil”, clássicos incontestáveis do quarto álbum da banda.
No bis, e no último momento de interação com o público, a banda voltou ao seu primeiro disco, The Morning Never Came (2003), com “Deadly Nightshade” e, finalmente, “Swallow (Horror, Pt. 1)”. A música encerra os shows da banda desde sua concepção e, neste momento final, a catarse deu lugar ao peso absoluto dos primeiros anos do grupo.
Foi também a oportunidade perfeita para entender por que Mikko Kotamäki foi uma escolha tão acertada para assumir os vocais do My Dying Bride. O vocalista simplesmente arrebenta com o estilo vocal que marcou o início da carreira do Swallow The Sun, entregando guturais cavernosos e uma presença impressionante. Assim, a banda encerrou sua apresentação de 85 minutos de forma marcante e poderosa.
O Swallow The Sun iniciou sua passagem pela América Latina em São Paulo com um setlist arrebatador e histórico. Não à toa, permanece como um dos principais nomes do Doom Metal contemporâneo, sempre demonstrando evolução musical sem abandonar sua identidade.
O Hangar 110 testemunhou um espetáculo melancólico, pesado e atmosférico, em uma das apresentações mais impressionantes do Metal em 2026.
























