Taurus – Jai Club, São Paulo/SP (05/07/2025)
Produção: Caveira Velha Produções
Abertura: Antroforce, Selvageria e Comando Nuclear
Texto e fotos por Matheus ‘Mu’ Silva
Nove anos após sua última passagem pela cidade de São Paulo/SP, o Taurus finalmente retornou à capital paulista. Clássica banda de Thrash Metal do Rio de Janeiro, eles iniciaram a comemoração de quarenta anos de carreira com shows pelo Sudeste brasileiro, sendo o primeiro ontem (04) em Belo Horizonte/MG, hoje (05) em São Paulo/SP e, amanhã, ainda tocam em São José dos Campos/SP. Com produção da Caveira Velha, o evento contou com mais três excelentes bandas do cenário Speed/Thrash contemporâneo paulista. Todas as bandas, inclusive o Taurus, cantam em português — uma sacada que tornou o evento ainda mais cativante.
Formado em 1985 pelos irmãos Sérgio Bezz (bateria) e Cláudio Bezz (guitarra), o Taurus é um dos pilares do metal carioca, além de ser um dos pioneiros do Thrash Metal no Brasil. Tendo sua fase mais prolífica ainda nos anos 80, lançaram o seminal clássico Signo de Taurus (1986), um verdadeiro marco no metal nacional, cuja qualidade é simplesmente soberba, tanto na gravação quanto nas composições, influente até hoje. O disco foi seguido pelos excelentes Trapped in Lies (1988) e Pornography (1990), que trouxeram as duas primeiras mudanças na formação — a troca de vocalista, com a saída de Otávio Augusto e a entrada de Jeziel de Oliveira — e ambos os álbuns foram cantados em inglês. A banda entrou em hiato em 1993, retornando às atividades em 2006, novamente com Otávio nos vocais e Jeziel assumindo o baixo, formação que rendeu o álbum Fissura (2010). Depois, novas trocas ocorreram: Jeziel saiu, dando lugar a Felipe Melo, que gravou o último registro de estúdio, V (2020). A mais recente mudança foi a saída de Otávio, em 2023, substituído por Rudi Sgarbi, formação que permanece até hoje.
Às 17h35, a primeira atração do evento entrou em ação: o Antroforce. Banda de Thrash Metal de Carapicuíba/SP, na ativa desde 2006, o power trio segue divulgando seu mais recente lançamento, o EP Antropocaos (2024). Formada por Laerte (vocal/guitarra) e Fry (baixo), a banda recentemente trocou de baterista e conta atualmente com Leandro, mas, por conta de um compromisso dele, chamaram novamente o baterista de longa data, Ivan, para essa apresentação. O set percorreu toda a discografia, com músicas do novo EP, como “Palhoassassino”, “Sombras da Guerra” e “Malditos Egoístas”, além de material mais antigo, como “Guerreiros Sanguinários”, do split com o Harpago (2015), e “Space Thrash”, da demo Sentença de Morte (2009), esta última a primeira música composta pela banda e, talvez, a mais conhecida. Em 30 minutos de show, foram direto ao ponto, entregando uma performance veloz e cortante para um público que ainda chegava à casa.

Às 18h30, o Comando Nuclear subiu ao palco. Após seu aguardado retorno aos palcos no ano passado, a banda paulista de Heavy Metal mais uma vez mostrou por que é um dos maiores nomes da cena tradicional recente. Abriram com “Unidos Pelo Metal” (Guerreiros da Noite, 2011) e “Comando Nuclear” (Batalhão Infernal, 2006), começando a apresentação com força total. Um problema na guitarra de Anderson interrompeu o show por alguns minutos, mas a banda segurou a onda, descontraindo o público. Resolvido o problema, voltaram com tudo em “Caçada Mortal aos Falsos” (Batalhão Infernal, 2006), que abriu as primeiras rodas de mosh, e seguiram com “Guerreiros da Noite”. Já perto do final, perguntaram ao público o que queriam ouvir — eu mesmo pedi “Ritual Satânico” (Guerreiros da Noite, 2011) — e atenderam o pedido, em um dos pontos altos da apresentação, com todos cantando juntos em uníssono. Encerraram seu set de 45 minutos (sem descontar o tempo parado) com “Resistir” (Batalhão Infernal, 2006), um verdadeiro hino metálico em português, sendo ovacionados ao final.

Após rápida troca de palco, às 19h40, iniciou a apresentação do Selvageria, uma das melhores bandas dos últimos anos no cenário nacional. Comemorando 20 anos de existência e hoje tocando como power trio, a banda de Speed Metal de São Paulo consolidou seu nome graças à música rápida, pesada e energética, sempre traduzida em apresentações intensas. Formado pelos irmãos Danilo Toloza (bateria/vocal) e Tomás Toloza (baixo), além do carismático guitarrista Capi, o trio promoveu um verdadeiro atropelo sonoro. Abriram com a clássica “Metal Invasor” (Selvageria, 2009), instaurando o caos no Jai Club, seguida pela dobradinha de Ataque Selvagem (2017), com “Selvageria” e “A Maldição”. Era visível como o público acompanhava cada palavra. Vieram em seguida “Na Lâmina da Foice”, “Águias Assassinas” e “Trovão de Aço”, do debut, com o público erguendo os punhos em resposta ao poder da música. Encerraram com “Legião Invencível” (Ataque Selvagem, 2017) e “Hino do Mal” (Selvageria, 2009), drenando toda a energia do público em 40 minutos de show. Capi ainda brincou que a vibração da galera chegava ao palco e dava pra sentir. Foi, certamente, a melhor apresentação da noite.

Às 20h50, a principal e mais aguardada atração subiu ao palco: Taurus. Começando com “Fissura” (Fissura, 2010) e “Nove Vidas” (V, 2020), o Taurus buscou agitar o público a todo momento, que respondeu com força na dobradinha seguinte de clássicos, “Mundo em Alerta” e “Império Humano” (Signo de Taurus, 1986), cantadas em uníssono. Era notável a vontade do vocalista Rudi de se aproximar do público, acostumado ao antigo frontman: sempre que podia, agitava e batia cabeça junto, além de passar o microfone para os fãs, demonstrando muito carisma.
Na sequência, vieram “Trapped in Lies” e “Pornography”, faixas-título dos álbuns de 1988 e 1990, que soaram bem na voz de Rudi. O guitarrista Cláudio agradecia a todo momento o público e também o atual vocalista, por manter a banda viva. De volta ao Fissura, tocaram “Dias de Cão” e apresentaram “Lunático”, seu mais recente single — que ao vivo soou ainda mais pesado — seguida de “Caustic Brains” (Pornography, 1990). O baterista Sérgio foi à frente agradecer ao público pelo apoio nesses 40 anos e anunciou que cantaria a próxima música: a clássica “Rebelião dos Mortos” (Signo de Taurus, 1986), um dos momentos mais fortes do show. Em tributo ao Motörhead, mandaram uma versão mais cadenciada e thrash de “Ace of Spades”, que ficou excelente.
Já no final, a banda trouxe uma trinca avassaladora do debut: “Falsos Comandos”, “Damien” e seu maior clássico, “Massacre”, pontos altos absolutos do show, com o público em festa e agitando sem parar. Assim concluíram 80 minutos de apresentação, praticamente tocando Signo de Taurus inteiro (faltou só “Batalha Final”), além de percorrer momentos de toda a carreira — um verdadeiro passeio pelos seus 40 anos de história.
Essa noite mostrou como o metal cantado em português tem muita força. Cantar em nosso idioma já é um desafio, mas, para bandas que realmente acreditam no poder da própria música, isso só engrandece o entendimento e a força de cada palavra cantada junto. Todas as bandas fizeram ótimos shows e agradeciam a existência do Taurus, influência que tornou esse momento possível. A própria banda coroou tudo, celebrando seu legado. Certamente, um dos melhores eventos do underground nacional em 2025.










