Tesseract – Carioca Club, São Paulo/SP (14/09/2024)

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Tesseract – Carioca Club, São Paulo/SP (14/09/2024)

Produção: Liberation Music Company
Assessoria: Tedesco Mídia & Comunicação
Banda de abertura: There’s No Face

Texto por Matheus “Mu” Silva
Fotos por Alessandra Rosato

De volta ao Brasil após pouco mais de um ano, e um dos maiores nomes do Progressive Metal/Djent da atualidade, o Tesseract se apresentou em São Paulo no último sábado, no Carioca Club, divulgando o incrível “War of Being” (2023), um dos melhores discos do ano passado. Em mais uma produção da Liberation MC, trazendo novamente um nome em ascensão mundial, como tem feito ao longo dos anos. A banda ainda fará mais um show no domingo, no Fabrique, em São Paulo também, dessa vez focando em seu EP de estreia, “Concealing Fate” (2010).

Uma das bandas mais interessantes a surgirem nos últimos 20 anos, o Tesseract pratica o chamado “Djent” (há quem considere isso um estilo musical, há quem discorde que isso exista), com seu som progressivo, cheio de camadas, dissonâncias e muito peso. Formada em 2003 pela mente genial do guitarrista e único membro original, Acle Kahney, a banda passou por diversas formações até se consolidar com o lançamento do disco “One” (2011), permanecendo até hoje com James Monteith na outra guitarra, Amos Williams no baixo, Jay Postones na bateria, e o excepcional vocalista Daniel Tompkins, que, com exceção do segundo disco da banda, “Altered State” (2013), esteve presente em todos os álbuns de estúdio.

Às 19h em ponto, entrou em cena a banda de abertura, o There’s No Face. Oriundos de Jacareí/SP, eles praticam um metalcore bem fiel ao estilo, cantado em português, e estão divulgando seu novo álbum, “Contra/Senso”. Com meia hora de set, a banda entregou um bom aquecimento para o evento, obtendo uma boa receptividade do público, que já estava com quase metade da capacidade da casa preenchida. O som estava um tanto abafado, mas nada que comprometesse a apresentação. Destaca-se a energia do vocalista Rafael Morales, interagindo com a galera a todo momento, e com a banda abusando das melodias e breakdowns pesados, principalmente durante a música “Enquanto Você Espera o Bem”, do EP “Escolhas” (2012), um dos pontos altos de sua apresentação, se mostrando uma escolha acertada para a abertura do evento.

Após rápida troca, o Tesseract entrou em cena às 20h, já botando a casa abaixo com “Natural Disaster”, que abre seu último disco, “War of Being”. Disco esse que tomou conta da maior parte do set. A produção de palco de cara já mostrou um detalhe interessante: havia bastões de LED espalhados, dando uma sensação maior de imersão durante as músicas, com as luzes em contraste às que eram utilizadas para iluminar todo o local, algo que não havia visto antes, mas se mostrou muito eficiente. Na sequência, e com o público já na mão, também do último álbum, a música “Echoes”, com Daniel gesticulando a cada nota e alteração rítmica da música, algo que se fez presente por toda a apresentação, sendo uma peculiaridade do mesmo. “Of Mind – Nocturne”, única faixa do disco “Altered State” executada no show, colocou o público lá em cima, cantando em vários momentos, mantendo a galera em alta… até iniciar “Torniquet”, do disco “Polaris” (2015), uma faixa mais melancólica, com o vocalista exprimindo de forma muito emocionante cada palavra entoada, seguida logo pela bela faixa “Sacrifice”, também do “War of Being”, que em sua letra, assim como a maioria das músicas do Tesseract, traz um momento mais reflexivo, com os presentes apenas admirando a execução da mesma. Na verdade, a musicalidade do Tesseract é um tanto introspectiva e isso, por muitas vezes, é refletido no próprio público, que se pegou em vários momentos apenas acompanhando o show, não por não entender o que estava acontecendo, mas sim justamente por entender.

Seguindo com o show, a banda emendou uma trinca do excelente disco “Sonder”, de 2018. Em “King”, a banda já restaurou a energia do público, sendo bastante celebrada, com todo mundo fazendo coro junto, aliado também a momentos de complexidade instrumental, e com o vocalista Daniel, em determinado momento, filmando a galera durante um trecho a capella, algo que os brasileiros fazem bem, que é exalar energia quando precisa. “Smile” foi igualmente bem recebida, com o público agindo praticamente de forma hipnótica a cada combinação de riff com a marcação pesada da bateria, algo que parecia até combinado entre todos, pois ver a maior parte do público seguindo os andamentos batendo cabeça foi algo bem único de se ver. E continuando com “The Arrow”, outra paulada, mais uma vez com uma performance corporal de Daniel em cada nuance instrumental. Aliás, é preciso pontuar como a banda é coesa; o som estava maravilhoso, parecia um CD rodando, mas com ainda mais peso. Cada nota, palhetada, riff, batida, tudo ecoava de forma magistral, os instrumentistas sem a menor necessidade de agitar demais, apenas fluindo como um rio que muda seu curso quando bate em uma pedra, mas essas batidas vinham carregadas de peso em cada nota.

Voltando ao disco “War of Being”, se sucedeu uma dobradinha, primeiramente pela faixa título, uma das melhores do álbum, que é pesada, mas um tanto mais soturna, e preparou o terreno para a faixa seguinte, “Legion”, com cada detalhe cantado pelos presentes, dos sussurros às partes mais gritadas. E finalizando a primeira parte do set, a faixa “Juno”, do disco “Sonder”. Certamente o ápice do show, nenhum ser vivo naquele momento ficou em silêncio; foi cantada do início ao fim, com pessoas pulando, justamente por ser uma das faixas mais enérgicas não só do disco, mas de todas as que foram executadas ao longo do show. Parecia que todos estavam se reservando para aquele momento, e foi devidamente recompensado.

Após uma pausa de um minuto, a banda voltou ao palco para encerrar sua apresentação com um aperitivo do que será o show de amanhã (15). Ao perguntar se haviam fãs old school do Tesseract presentes, a banda tocou duas músicas de seu EP de estreia, “Concealing Fate”, começando com “Concealing Fate, Part 2 – Deception”, violentíssima, que viu pela primeira vez uma roda de mosh se abrindo no meio da plateia, despejando doses cavalares de peso esmagador no público que estava outrora em pleno silêncio. E, ao pedir ao público que levantasse as mãos, era a deixa para chamar a última música a ser executada, “Concealing Fate, Part 1 – Acceptance”, com seus primeiros versos:

“Now show your hands, your hands,
You have no right to complicate.”

A casa literalmente caiu, com todo mundo batendo cabeça, gritando, e ainda abriram um wall of death durante a interseção da música.

Em poucas palavras durante o show todo, a banda agradeceu ao público, e não precisava mais do que isso; o show falou por si só. Uma apresentação apoteótica de um dos maiores nomes da atualidade no mundo metálico. É um dos poucos shows que posso recomendar como experiência de vida, por toda a forma como se desenrola. Em uma futura vinda da banda, recomendo fortemente a quem esteja lendo que se permita presenciar a entrega da banda.

Obrigado, Tesseract, pelo espetáculo. Agradecimentos à Liberation MC e a Tedesco Mídia & Comunicação pelo credenciamento.

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