Testament – Carioca Club, São Paulo/SP (19/08/2017)

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Testament
Banda de abertura: Circle Of Infinity
Local: Carioca Club Pinheiros, São Paulo/SP
Data: 19/08/2017
Produção e Assessoria: Liberationmc | The Ultimate Music

Por Johnny Z.

Cá estou eu em mais um show dos mestres do Thrash Metal mundial. Ao todo esse deve ser meu quinto show desse rolo compressor que esmaga crânios sem dó há mais de 30 anos.

Às 19hs, abrindo a noite, vindo de Limeira (SP), tivemos o quarteto de Thrash/Death Metal, Circle Of Infinity. Confesso que apenas os conhecia de nome e nunca os tinha ouvido com atenção. Uma boa banda que já está na batalha já há algum tempo. A casa não estava cheia nessa hora, mas já continha uma boa parte da pista tomada sabendo que, como de costume em eventos da produtora Liberation e da pontualidade dos horários do Carioca Club, o Testament começaria seu show pontualmente às 20hs. Fizeram um show correto, com destaque para o guitarrista solo Allan Farias que era o mais, digamos assim, desenvolto no quesito postura de palco. Todos se mostraram excelentes músicos e foram recebidos com muito respeito por parte do público, mas para mim deixou um pouco a desejar na parte energia. Achei-os muito parados e frios. Talvez o peso de abrir para uma instituição do Thrash tenha caído em seus ombros. Não sei, mas faltou um pouco mais de sinergia e energia que tenho certeza que eles possuem. Sabe aquela troca de energia entre banda e público? Então, não notei isso. Mas, como disse, foi um show correto, honesto e com uma qualidade de som excelente. Destaco o excelente cover de “Zombie Ritual” do Death que ficou muito bom.

Setlist Circle Of Infinity:

Circle therapy
Headbanger
Wake Up And Fight
Dark Souls
Zombie Ritual (Death)
Rise To Honor
The End Of The Way

Era hora do que todo mundo estava lá querendo. De repente a pista lotou de uma forma que parecia um formigueiro. Impressionante, ou todo mundo resolveu entrar na mesma hora ou se procriaram assexuadamente em questão de segundos (risos). Não era para menos, os gigantes do Testament entraram em cena. Gigantes literalmente, pois ver Chuck Billy e Steve DiGiorgio no mesmo palco mais parece um ‘crossover’ de Basquete com MMA devido ao tamanho de ambos nas duas medidas (largura e altura, respectivamente) (risos). Promovendo o álbum “Brotherhood Of The Snake”, era óbvio que inciariam com a faixa título e a explosão foi geral. O que se via na pista era uma mistura de caos com faixa de gaza, com rodas enormes durante o show todo! Todos instrumentos impecáveis, exceto a guitarra de Eric Peterson, para minha tristeza pois eu sou um aficionado por guitarra rítmica e riffs propulsantes, o que Eric é mestre, diga-se de passagem. O som que saia de sua guitarra estava beeeeeeeeem chochinho, sem peso e sem ‘punch’ nenhum. Achei que isso iria melhorar durante todo o show, mas infelizmente não aconteceu. O Testament prima pelo peso descomunal, aquela ‘rifferama neandertal ogra e cavalar’, sendo seu grande e cativante diferencial para esse quem vos escreve, então particularmente me chateou durante toda a apresentação. Não sou de culpar pessoas por frustrações particulares, mas dessa vez creio que o técnico de som de Eric nessa noite deveria só levar uma surra (risos). Faz parte, coisas assim acontecem. Voltando ao show, é incrível como Chuck Billy é um maestro! O grandalhão impõe respeito MESMO! Só de ele estar ali valeria o dia, pois o cara personifica o Thrash Metal americano de uma forma única com sua presença. Aí o cara abre a boca e vocifera feito um louco durante toda noite com uma facilidade que transcende o entendimento humano. Como o cara consegue cantar/gritar daquela forma tão agressiva e sair de lá ileso? Isso é para os mestres, meus queridos! Saber como usar a potência a voz é para poucos! Simplesmente um show a parte e, falando em show à parte, o que falar das performances dos (outros) M-O-N-S-T-R-O-S Alex Skolnick (guitarra solo), Gene Hoglan (bateria) e Steve Di Giorgio (baixo) essa noite? Mais um adendo particular meu: essa formação do Testament além de ser estelar, talvez seja a melhor formação não só da banda mas, também, de um verdadeiro ‘dream team’ do Thrash, sejamos francos! Técnica, presença de palco, simpatia, ‘feeling’, sinergia, ou seja, tudo que um show necessita para abrir longos sorrisos nos presentes. Enfim, os caras conseguiram com sobras! Música por música, aula por aula e porradaria atrás de porradaria. Durante todo o show, Chuck agradeceu diversas vezes à cidade e aos fãs, dizendo que São Paulo era muito importante e querida para a banda lembrando do primeiro show que fizeram há 28 anos atrás na capital paulista. Uma coisa que notei e achei sensacional foi que TODAS as músicas executadas na noite foram absurdamente bem recebidas e ovacionadas pelo público, me deixando sem saber o que destacar, talvez “Electric Crown”, “Into The Pit”, “Low”, “Pratice What You Preach”, ahh… difícil! Veja o setlist abaixo e tire suas conclusões. Uma pena deixarem de lado o maravilhoso “The Gathering” (1999) dessa vez, mas a saraivada de porradaria agradou em cheio à todos! Até mesmo a surpresa instrumental “Urotsikudoji”, que me fez lembrar de Cliff Burton – falecido baixista do Metallica – fazendo aqueles solos insanos e mirabolantes nos anos 80, tamanha semelhança que Steve tem no modo de tocar (e na técnica ímpar ídem) com os dedos. Fiquei de queixo caído com essa monstruosidade. Para mim, hoje ele é insuperalmente o melhor baxista de Metal do mundo, da mesma forma que Gene é na bateria. Os caras não tocam, eles HUMILHAM VORAZMENTE.

Um salve a mais uma aula de Thrash dada e absorvida! No aguardo da próxima!

Quer montar uma banda de Thrash? Ok, louvável e admirável. Quer ser uma banda de Thrash? Se espelhe no Testament ou jamais será Thrash de verdade.

Obs: Um sonoro FODA-SE para um cara na plateia que devia ter uns 3 metros de altura (coitado, ele não tem culpa hehehe) o que prejudicava todo mundo atrás desse poste ambulante. E toda roda que ele ia, voltava sempre para a frente de quem??? SIM, NA MINHA FRENTE! Porra, sabe que é gigante? Vai lá para o fundo e não atrapalhe os mortais (risos).

Setlist Testament:

Intro
Brotherhood Of The Snake
More Than Meets The Eye
Rise Up
The Pale King
Centuries Of Suffering
Electric Crown
Into The Pit
Stronghold
Low
Practice What You Preach
The New Order
Urotsikudoji
Souls Of Black
Over The Wall
Alone In The Dark
Disciples Of The Watch

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