Testament – “Para Bellum” (2025)
Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#ThrashMetal
Para fãs de: Exodus, Forbidden, Death Angel, Dragonlord
Nota: 8,5
Texto por Johnny Z.
Sempre é um enorme prazer resenhar um novo lançamento de uma de nossas bandas favoritas, mas, ao mesmo tempo, é muito difícil não soar repetitivo ou até mesmo ser influenciado pela nostalgia e pelas memórias afetivas de trabalhos anteriores, já que crescemos ouvindo a banda e temos plena consciência de como ela soa — ou soará — em um novo álbum.
Pois bem, com o Testament é um pouco dos dois, mas com Para Bellum, décimo quarto álbum de estúdio dos americanos em quase 40 anos de carreira, tive devaneios diferentes em relação aos últimos trabalhos, especialmente se o compararmos com os três mais recentes: Dark Roots of Earth (2012), Brotherhood of the Snake (2016) e Titans of Creation (2020), pois iam mais na zona de conforto sem mudanças drásticas ou significativas. Porém, em Para Bellum notei algumas dessas mudanças mais acentuadas, principalmente no uso de blast beats típicos do black metal — algo que me preocupou logo que ouvi o primeiro single, “Infanticide A.I.”. Não sou um grande fã do black metal; não é à toa que não aprecio o projeto paralelo de Eric Peterson, o Dragonlord, justamente por explorar essa sonoridade. Nesse primeiro single, achei o uso meio desconexo, mas, após ouvi-lo algumas vezes, consegui absorvê-lo melhor, porém o sinal amarelo foi acionado.
Ao ter acesso a todo o material, posso assegurar ao ouvinte que esse uso de blast beats aparece em outras músicas, assim como os backing vocals de Eric, que seguem a linha “esganiçada” do black metal — talvez um tanto desnecessários; se tivessem usado uma segunda camada da voz de Chuck Billy, seriam mais assertivos. No entanto, tenho que reconhecer: acertaram nos blast beats. Eles não soaram forçados ao longo do álbum, encaixaram-se super bem! Porem tem algo a mais na audição dessas 10 faixas que chega ao meu lado nostálgico e tromba de frente com a minha memória afetiva daquele thrash metal mais reto, sem tantas delongas ou ambiências, ou seja, onde o pau comia sem dó.
Calma, queridos leitores, está tudo no lugar, ok? Pesadíssimo, rifferama, tudo deslumbrante, mas tem algo ‘bonitinho’ demais que bate nos meus ouvidos (risos). É ruim, jamais, mas é diferente. Portanto, escutem-no várias vezes para absorver todas as camadas, climas, etc.
“For the Love of Pain” abre como se o Testament tivesse estudado a fundo os álbuns mais recentes do Death Angel e do Forbidden, com Eric e Alex Skolnick analisando minuciosamente as estruturas de guitarra de Rob Cavestany e Craig Locicero, respectivamente. Vocês vão sacar similaridades com algumas músicas dessas bandas na hora! A faixa é intrincada, direta, pesadíssima e já deixa claro que Chris Dovas, o novo baterista, não está para brincadeira, trazendo vitalidade, novas influências, muita quebradeira e técnica impecável. Há algumas similaridades com o álbum “Demonic” (1997) e “The Gathering” (1999), especialmente nos vocais de Chuck Billy, que aqui urra como se estivesse em uma banda de death metal pronta para te matar.
“Infanticide A.I.”, como já mencionei no início, é uma avalanche catártica, mas não me conquistou nas primeiras audições; somente após várias ouvidas passei a entendê-la. Ainda assim, não a coloco no hall das melhores. Serviu como um bom cartão de visitas, e só. Esse flerte com o black metal aparece em diversas outras partes do álbum, mas, novamente, nada que o desqualifique ou soe forçado. Já “Shadow People” temos aquele bom e velho Testament purinho, puro suco do thrash americano trazendo aqueles riffs cavalares de sempre.
Chegamos em “Mean To Be”, uma balada! Sim, uma balada lindíssima nos moldes de “The Legacy”, de “Souls Of Black” (1990) ou “Return To Serenity”, de “The Ritual” (1992), onde despenca numa ambientação com muito peso conforme vai caminhando ao final. Notei algumas poucas similaridades com a parte do meio de “Master Of Puppets”, do Metallica, os dedilhados, será que estou louco? (risos).
Após essa belíssima balada, caímos em algumas faixas realmente díspares (não disse ruins, ok?): a meio modernosa e furiosa “High Noon”; a Black/Death/Thrash Metal “Witch Hunt”, que soa como uma “Disciples of the Watch” exorcizada por Abbath (risos); e a Heavy Metal à la Judas Priest com Scorpions de “Nature of the Beast”.
Já “Room 117” e “Havana Syndrome” entregam mais peso — principalmente a segunda — e dialogam com a zona de conforto de álbuns como “Brotherhood of the Snake”. Não chegam com tanto alarde, mas são boas músicas; talvez apenas se apaguem diante de outros momentos muito mais marcantes. Vale um destaque para o solo de “Havana Syndrome” que é uma aula de como ser um guitarrista foda! (risos)
Aí chegamos ao final com a faixa-título, e aqui tudo se eleva à enésima potência! Genialidade e brutalidade em forma de música: meio épica, cortante, caótica, técnica, com riffs brilhantes, bateria demolidora e Chuck cantando em altíssimo nível, trazendo ecos de “Low” (1994). Para mim, a música do ano!
Produzido por Juan Urteaga e mixado por Jens Bogren, este álbum pode não ser o melhor do Testament, mas pavimenta o caminho para algo grandioso a curto prazo — quem sabe outros monstros já estejam sendo preparados para o futuro?
O que chamei de “bonitinho” lá no início talvez seja, na verdade, a polidez intrínseca de uma produção moderna, menos presa às sonoridades a que nos acostumamos nos últimos 20 anos no Thrash Metal (alguém aí lembrou de Andy Sneap?).
Falar das individualidades dos gênios aqui é chover no molhado, vou pular isso, pois vocês já estão carecas de saber (risos). Enfim, um disco do Testament sempre será uma aula de como soar inteligente, brutal, técnico, coeso e brilhantemente atual. Porém, ainda fico com o álbum anterior em relação a esse. Ah, e outra coisa, os ‘blast beats’ e essas incursões black metal soaram muito bem em “Para Bellum”, porém chega delas, ok? (risos)





