The 3 Dates Of Thrash – Scars, Forkill e Savant – Espaço Som, São Paulo/SP (02/11/2019)

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The 3 Dates of Thrash
Bandas: ScarsForkill Savant
Local: Espaço Som, São Paulo/SP
Data: 02/11/2019

Texto e fotos por Wallace Magri

O Brasil tem sua própria escola de Thrash Metal – movimento que aqui surgiu quase que ao mesmo tempo em que a coisa estava acontecendo na Bay Area e na Alemanha. Da primeira safra, logo vem à mente Sepultura, Overdose, MX, Mutilator, Korzus, Taurus além de outras que não conquistaram tanta visibilidade – como foi o caso do Leviaethan, Attomica, Anthares, Avenger (no limite entre o Power Metal e o Thrash, mas estamos falando de uma banda que lançou seu álbum em 1984) e do Abutre (que, dentre outras bandas já citadas, também participou da icônica coletânea “SP Metal II”).

Nos anos 90, com o Sepultura dominando os 5 continentes, ficou claro para todos os cantos do mundo que o Brasil tinha seu próprio jeito de tocar Thrash Metal – geralmente arregaçando na porradaria e com vocais cantados num inglês nem um pouco preocupado com a pronúncia correta.

Mas claro que sempre tem aquela banda que se destaca ao trazer algum tipo de diferencial para o tempero, como foi o caso justamente do Scars. Surgido na década de 90, a banda introduziu certa elegância ao Thrash nacional, preocupando-se em acertar todas as notas nos solos bem trabalhados, riffs construídos sob técnica musical, levadas de bateria muitas vezes complexas, no que é acompanhada pelo intrincado trabalho de baixo em diversas intervenções – a única coisa que se comunica com as demais bandas acima é o jeito de cantar.

Além do Scars, bandas choveram aos montes neste período, como foi o caso do, The Mist, Acid Storm, Bywar, Claustrofobia, Torture Squad, e por aí vai, valendo-se dos melhores recursos de gravação em estúdio para entregarem materiais mais dignos de serem ouvidos com prazer – tendo a catástrofe sonora que fora “Morbid Visions” como ponto de referência…

E, nos anos 2000, o Thrash à brasileira não parou de crescer e apresentar novos valores para nosso país e para todo o mundo – agora já com a propagação dos materiais das bandas por meio da internet. A partir daí que surgem bandas como Andralls, Ancesttral, Woslom, Kamala, esta última já incorporando elementos do Thrash Metal contemporâneo – meio mesclado com Death Metal Técnico em certos momentos.

Finalmente, enquanto conclui sua quarta década de vida, nosso Thrash Metal segue firme e forte e produzindo um caleidoscópio de novas bandas por minuto, que entopem nossa redação com centenas de promos – algumas muito boas, como foi o caso do MOFO, outras nem tanto. Foi nessa década de 10, que vimos surgir com todo vigor a Nervosa, que encabeça a linhagem de novas bandas que certamente levarão este gênero à década de 20.

Estão neste combo também o Forkill e o Savant, que nesta noite, dividem espaço com o Scars para se apresentarem na capital paulista, depois te terem tocado em São José dos Campos e antes de partirem para Campinas e, assim, encerrarem esta mini-tour conjunta.

O Espaço Som é um lugar muito legal na Rua Teodoro Sampaio, que conta com diversos estúdios para ensaio e gravação, com locação inclusive de todos os instrumentos musicais, para quem não quiser carregá-los pela cidade, tudo a um preço bem acessível. Além disso, na loja, que fica na parte mais acima da Rua, tem um pub bem no meio do arquipélago de estúdios, e no espaço destinado a apresentações ao vivo, tem um estúdio com palco montado e lugar para umas 200 pessoas acompanharem o show – com a vantagem de que o som está, no geral, sempre com uma qualidade acima da média. Há também uma pracinha interna, para fumar um cigarrinho e comprar merchandising das bandas, além de uma loja de conveniências.

Mais um espaço que abre as portas para a música underground, com muito conforto, fácil acesso e qualidade na prestação de serviços. Se você tem uma banda, dê uma conferida no site do Espaço Som!

SAVANT:

Pouco após o horário marcado, o Savant sobe ao palco para mandar ver seu Thrash Metal na pegada Nuclear Assault/Slayer, sentando a pedrada ao vivo, contando com a ajuda do excelente sistema de som da casa.

“Nose Dive” é um petardo lançado recentemente em formato de single, e a banda está afiadíssima: Antônio “Butcher” Vargas mandando um Tom Araya nervoso, com direito a correria de riffs e duelos de solos fritados com Daniel Scobar, enquanto Felipe Saboia cuida muito bem da condução percussiva, acompanhado de Fred Lima no baixo que, além de ótimo no seu instrumento, é o responsável por cantar o cover “Metal Comand” (Exodus), faz os backing vocals, e ainda é uma simpatia que só.

Antes de apresentar a próxima música, “Third Antichrist”, Butcher faz referência ao pequeno público presente, mas isso não impede que a banda estoure os ouvidos dos que aventuraram com outras pauladas que fazem parte de seu último álbum, “Serial Killers’ Tales”, cujo tema é a genealogia dos tais assassinos em série, que conta com a participação de Blackfire na versão de estúdio da música executada a seguir, “The Gray Man”. Em seguida, mais uma deste álbum, falando dos maiores serial killers de todos os tempos, os colonizadores, na faixa “Colonizer”.

Encerram a apresentação com “Savant”, “Suicidal Premonition”, o cover do Exodus e “Pleasure Of Pain”, com a presença da rapaziada das outras bandas junto ao público, para dar aquela prestigiada na performance dos ‘parça’ e tornando o ambiente numa celebração do Thrash Nacional, como deve ser.

Setlist Savant:

No Hope
Religion Misunderstood
Evidence Elimination
Nosedive
Third Antichrist
The Gray Man
Colonizer
Savant
Suicidal Premonition
Metal Command (Exodus)
Pleasure Of Pain

 

FORKILL:

Mais uma banda carioca, que promove seu mais recente trabalho, “The Sound Of The Devil Bells”. Após a gravação do álbum, Igor Rodrigues entrou e assumiu os vocais e toca guitarra, ao lado de Ronnie Giehl, contando ainda com Gus Nascimento, no baixo e Rodrigo Tartaro, na bateria.

O show é uma porrada só do começo ao fim, com direito a cover de raridade do catálogo do Metallica, “Trapped Under Ice”. Uma pena que a voz estava muito baixa, defeito que foi sanado na sequência, quando executaram “The Joker” – mais um som Thrash/Death Old School gostoso de ouvir.

Igor Nascimento se adaptou bem ao encargo de comandar a tropa – canta bem e tem pleno domínio da guitarra – enquanto Rodrigo Tartaro bate forte na pele da bateria e Gus Nascimento é muito disciplinado na condução das linhas de baixo. Já Ronnie Giehl é um dos grandes nomes da guitarra do Thrash Metal Nacional, com excelente presença de palco, além de sentar a mão em riffs esquartejantes, como em “Old Skulls” (com aquele refrão que a gente respeita), “R.E.D.” (incrível condução de bateria e riffs precisos) e “Vendetta” (que me lembrou Metallica dos bons tempos), todas do último álbum.

Mais um sinal da união entre as bandas se comprovou quando eu estava entrevistando o Butcher, do Savant, na parte externa do local, e o mano pediu para encerrarmos porque o show do Forkill havia começado e ele queria assistir. É assim que se faz!

Setlist Forkill:

Warlord
Let There Be Thrash
Keppers Of Rage
Emperor Of Pain
Killed At Last
Trapped Under Ice (Metallica)
The Joker
Old Skullz
When Hell Rises
R.E.D
Vendetta

 

SCARS:

E chega a hora do Scars fechar a noite. A escola Thrash da banda é bem mais técnica, com músicas repletas de passagens intrincadas – mais uma vez o som bem equalizado ajudou muito a aproveitar faixas, como a mais recente, “Silent Force”.

A apresentação é intensa e Régis é um excelente frontman, não se importando com o público reduzido nesta noite, colocando sua alma para fora sem o menor pudor e se valendo do público reduzido, formado basicamente por pessoas conhecidas, para interagir com todos, ao longo da apresentação – inclusive com seus filhos, molecada que está presente e devidamente convertida à legião de camisas pretas brasileira.

Os músicos, nem preciso dizer, são todos muito competentes, desde os riffs poderosos de Alex, cozinha precisa e técnica, com destaque também para o novo guitarrista solo, Rick Barros, sobrando em sua missão, na escola Overkill/Testament.

Nesta noite executam músicas que já se tornaram clássicos do Thrash Metal Nacional, como “Legions (Forgotten By The Gods)”, “The Nether Hell”, “Creatures That Come Alive In The Dark”, todas do álbum “The Nether Hell” (2005)”, e encerram a apresentação com a energia lá no alto com “Armaggedon”.

Coroando o clima é de camaradagem, Thiago Oliveira (Warrel Dane), Butcher e Igor sobem ao palco e mandam “Paranoid” junto com a banda e, a partir daí, a festa Thrash Underground está lançada, com praticamente toda a rapaziada das bandas se revezando no palco e emendando trechos de grandes clássicos do Metal, provando que os músicos e as bandas estão fazendo sua parte para proporcionar para os fãs da música pesada uma noite de muita diversão.

Agora, está faltando ou divulgar melhor esses eventos, ou o pessoal que curte Thrash Metal deixar de má vontade e comparecer aos eventos para prestigiar o cenário nacional, que vai para seu quinto século de existência, sem a ajuda da grande mídia, contando apenas com a força de vontade dos músicos, promotores e imprensa independente – só falta você fazer sua parte. Thrash up your ass!

Setlist Scars:

Intro
Legions (Forgotten By The Gods)
Warfare

Silent Force
Hidden Roots Of Evil
Creatures That Comes Alive In The Dark
Return To The Killing Ground
The Nether Hell
Armageddon

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