
The Ferrymen – “A New Evil” (2019)
Frontiers Music
#PowerMetal
Para fãs de: Axel Rudi Pell, Primal Fear, Vision Divine
Nota: 9,0
Tal como um aluno em recuperação, eu tenho usado meu mês de janeiro para correr atrás do prejuízo — no caso, dos lançamentos de 2019 que acabaram se acumulando na redação do Metal Na Lata. Segunda empreitada do supergrupo The Ferrymen, “A New Evil” viu a luz do dia em outubro passado. Aqui, o trio composto pelo vocalista chileno Ronnie Romero (Rainbow), pelo multi-instrumentista sueco Magnus Karlsson (Primal Fear) e pelo baterista americano Mike Terrana (Avalanch, Vision Divine), entrega um som que em linhas gerais pode ser classificado como Power Metal, mas cujas minúcias dão brecha para que até rótulo de Hard Rock lhe sirva.
O principal motivo disso é a voz de Romero, que de tão semelhante à de Steve Lee (1963-2010), assegurou-lhe o posto de cantor no tributo CoreLeoni, que atualmente é mais Gotthard que o próprio Gotthard. Se a voz é de Lee, os trejeitos Ronnie herda de David Coverdale, notavelmente na faixa título, que soa como um Whitesnake sob tratamento sinfônico. Já a guitarra de Karlsson não extrapola os limites — exceto de velocidade, é claro — impostos pelo gênero: seus riffs seguem à risca a cartilha do Power, apesar da timbragem de sua Les Paul remeter, veja só você, ao bom e velho Hard.
Hard esse que se por um lado constitui uma parcela importante na formação de Terrana – não nos esqueçamos de suas origens como integrante do meteórico Beau Nasty no final dos anos 1980 —, por outro em nada permanece na atual pegada de marreta do cara, totalmente inclinada para as vertentes mais velozes do Metal, característica que o posiciona entre os músicos mais requisitados do gênero na atualidade e que o rendeu, entre outras experiências, mais de uma década na banda de Axel Rudi Pell e oito anos no comando das baquetas no Rage.
Sendo tamanhas as variações sobre um mesmo tema, é impossível não destacar os pontos fora da curva nos quais o trio parece munido de uma inspiração não usual. “The Night People Rise” prepara o terreno nos versos e pré-refrões até explodir num baita refrão, com Romero prolongando o agudo final até Karlsson atacar selvagemente um “bululu” surpreendentemente limpo, no qual se ouve perfeitamente cada nota. Mais adiante, a balada “Heartbeat” pareceria saída dos arquivos do Gotthard não fosse o arranjo orquestrado que não condiz com a obra dos suíços.
Na reta final, “You Against the World” fatura o prêmio de melhor do álbum por incorporar o que de melhor os três têm a oferecer em uma única música: bateria repleta de andamentos diferentes e quebras desconcertantes, guitarra que vai do rifferama aos fraseados dignos de quem ouviu muito Gary Moore na juventude e vocais que sobem e descem e se prolongam com a qualidade que só sobrevive à casa dos trinta em poucos. E antes que eu me esqueça, a produção é soberba. Ouça no volume máximo e com as janelas bem abertas para que a vizinhança não fique impune!
Marcelo Vieira





