
Banda principal: The Hellacopters
Banda de abertura: Urutu e Corazones Muertos
Local: Carioca Club Pinheiros, São Paulo/SP
Data: 14/03/2020
Produção: Solid Music Entertainment
Assessoria: The Ultimate Music
Texto e fotos por Wallace Magri
Fotos The Hellacopters por Lucca Miranda
No meio da avalanche de shows cancelados em virtude do pânico instaurado mundo afora por conta do Coronavírus, as bandas que foram pegas no meio do caminho, não tiveram muita escolha senão cumprir a agenda antes do caos global ser definitivamente instaurado.
Foi o caso do The Hellacopters que, depois de um período de hiato, retorno conturbado, apresentações esporádicas, decidiu embarcar em uma tour sul americana com shows no Chile, Brasil e Argentina.
O público vai chegando e é composto por uma galera que curte indie rock, então não tem aquele fardamento obrigatório típico de show de Metal, o que torna o ambiente mais diverso e aberto a cada um se vestir do jeito que quiser.
O Carioca Club é praticamente ‘A casa do Metal’ na cidade, onde geralmente tudo corre bem; dessa vez acabou rolando um atraso que não se justifica atualmente, dentro dos padrões profissionais dos shows. Mas foram 20 minutos aqui, meia-hora ali, nada que exaltasse a galera presente. Quanto à produção, credenciar fotógrafo sempre ajuda para que a gente possa entregar o produto final mais bem acabado – ainda mais quando ficamos no meio de uma galera enlouquecida como ocorreu nesta noite, tornando a atividade de analisar a apresentação, tomar notas e fotografar ao mesmo tempo praticamente inviável.
URUTU:
Banda paulistana que aposta em um Hardcore que beira o Crossover e que já circula pelo underground nacional há mais de 5 anos, nesta noite é responsável por proporcionar o esquenta para a galera que vai chegando para o evento, pouco a pouco.
Formada por Thiago Nascimento (vocal), Eduardo Vaz (baixo), Felipe Nizuma (guitarra) e Thiago Babalu (bateria), a banda manda ver em cima do palco emendando uma música na outra, sem tempo para ninguém respirar.
O Urutu deve muito de seu estilo à atuação de Felipe Nizuma, que entrega com muita desenvoltura uma série de referências, que vão do Punk Rock a fraseados de guitarra com algum peso, além de solos muito bem executados e cheios de feeling.
Uma pena que, afora este destaque, a banda aposta pouco em presença de palco, cenografia, o que, aliado à pouca variação no estilo, torna tudo um pouco monótono, mas sem comprometer o resultado final.
CORAZONES MUERTOS :
Mais uma banda do cenário nacional, apesar das origens na Argentina, cujo estilo é aquele Sleaze Punk que chega a triscar nas guitarras com distorção, ‘pêro no mucho’.
Formada pelo veterano Joe Klener (guitarra e vocais), Ziggy (guitarra e vocais), Índio (baixo) e Jeff Molina (bateria), a banda dá conta do recado de animar o público que já vai crescendo junto ao palco, na expectativa do show principal. A energia da banda é muito boa e os músicos têm excelente presença de palco, remetendo ao Sleaze setentista de um New York Dolls e até mesmo dos Stooges.
Covers de Ramones e Smack ajudam a manter o clima de celebração punk em alta. Um fato curioso tornou a apresentação dos caras ainda mais divertida: quando se preparavam para executar sua última música, o hit “Don’t Kill Rock and Roll”, a produção pediu para eles seguirem tocando, o que, de acordo com o vocalista, foi uma situação pela qual eles nunca passaram antes. Aparentemente havia um atraso na preparação da banda principal e o pessoal do staff optou por esticar o show da banda, que quase passou 1 hora de duração.
Mas tiraram o pedido de extensão do show com muita tranquilidade, aproveitando para mandar cover de Johnny Thunders, além de outras músicas de seu repertório próprio até que, enfim, sua saída do palco foi autorizada.
Banda profissional é assim mesmo, sempre está preparada para o imponderável e sabe guardar alguns truques na manga. Fica a dica de buscar shows dos caras Brasil afora, garanto que diversão não vai faltar!
THE HELLACOPTERS:
Casa lotada para receber o The Hellacopters. E não é só isso, a rapaziada está realmente eufórica para a apresentação da banda, após quase duas décadas longe dos palcos brasileiros.
Depois de algum atraso, o som do “helicóptero dos infernos” começa a soar nos alto-falantes anunciando a chegada da banda composta por Nicke Royale (guitarra/vocais); Robban (bateria); Boba Fett (piano); Dreggen (guitarra); Sami Yaffa (baixo).
O visual marcante de Nicke Royale – canhoto, clarinho, franzino, escondido embaixo de um chapéu de piloto de aeronave – permanece intacto, bem como a presença de palco cheia de estilo e poses de Dreggen, enquanto os demais integrantes se concentram em seus instrumentos para deixar o heliponto em forma para a coisa decolar.
Os fãs, como eu disse, estavam sedentos para ver a banda ao vivo depois de tanto tempo e, embora não seja um som pegado na agressividade, é tamanha a ansiedade da galera, que até abrem moshpit, se jogam e jogam cerveja para o alto e giram as camisetas feito uma hélice, enlouquecidos, cantando junto de ponta a ponta várias músicas, desde o início do show, com “Hopeless Case Of A Kid In Denial”, seguindo em alta energia com clássicos como “Carry Me Home”, “Born Broke”, entre outros.
A banda no palco responde com adrenalina condizente e arrebenta num set recheado de músicas obrigatórias, como “Toys And Flavours”, “Soulseller”, e assim por diante, apostando mais em seus primeiros trabalhos, síntese da originalidade musical do The Hellacopters, baseado em um Rock and Roll visceral, que ao vivo ganha muito em intensidade, com direito a um certo toque de Punk Rock.
Taí uma qualidade que eu admiro em uma banda – sua capacidade de se reinventar em cima do palco, reinterpretando suas músicas conforme a entrega de seu público naquele momento único – sendo que ficarão gravados em minha mente diversos episódios de perfeita simbiose entre público e banda, especialmente na execução de “No Song Unheard”, “By The Grace Of God” e no encore, com direito ao peso de “Tab”, o despojamento de “I’m In A Band” e a paulada para quebrar tudo com chave de ouro, “(Gotta Get Some Action) Now!”.
Quem se arriscou nesta noite pré-toque de recolher no Carioca Club recebeu em troca exatamente aquilo que esperava: um dos maiores shows de Rock And Roll da atualidade.
Agradecimentos a Carolline Guimarães e Solid Music Entertainment pela parceria, credenciamento e fotos.
Setlist The Hellacopters:
Hopeless Case of a Kid in Denial
Alright Already Now
Carry Me Home
You Are Nothin’
Born Broke
Like No Other Man
The Devil Stole the Beat From the Lord
My Mephistophelean Creed
Ghoul School
No Angel to Lay Me Away
Toys and Flavors
Down on Freestreet
Long Gone Losers
No Song Unheard
Psyched Out & Furious
Before the Fall
Soulseller
By the Grace of God
Tab
I’m in the Band
(Gotta Get Some Action) Now!




























