The Mission –  Carioca Club, São Paulo/SP (13/10/2024)

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The Mission –  Carioca Club, São Paulo/SP (13/10/2024)

Produção: Dark Dimensions
Assessoria: JZ Press

Texto por Heverton Souza
Fotos Christian Death por Alessandra Rosato
Vídeo e Fotos The Mission (Galeria #1) por Johnny Z.
Fotos The Mission (Galeria #2) por Alessandra Rosato

Apenas dois anos após sua mais recente passagem pelo país, os ingleses do The Mission anunciaram mais uma série de shows em terras brasileiras e outras datas sul-americanas, incluindo uma apresentação de última hora na cidade de Santo André, na Grande São Paulo. Isso levou muitos a imaginar que o show na capital paulista poderia não estar tão cheio. Ledo engano!

Divulgado pouco antes como ‘sold out’, passaram poucos minutos após as 18h para se ver o clássico Carioca Club, na Zona Oeste da cidade, já lotado e recebendo mais público, enquanto no palco o Christian Death se encarregava de aquecer a plateia numa noite de domingo que começava a ganhar ares mais gelados.

Divulgando o álbum Evil Becomes Rule (2022), o quarteto formado em 1979 e que conta atualmente com Valor Kand (vocal/guitarra), Maitri Nicolai (vocal/baixo), Mathew Anderson (guitarra) e Steve Kilroy (bateria) revisitou toda sua carreira com seu som gótico raiz, daquele que levava os jovens aos cemitérios para beber vinho barato nos idos dos anos 1980. Visualmente, a banda parecia ter acabado de sair do porão do saudoso Madame Satã e, musicalmente, com certeza seria a trilha sonora perfeita para aquele ambiente. O som estava impecável, com destaque para a voz de Maitri, vocalista e também baixista, que exuberava sensualidade. Em momentos como Abraxas We Are, faixa do já citado mais recente álbum da banda, ela assume completamente o posto de vocalista, enquanto o guitarrista Mathew toma conta do baixo, o que traz um pouco mais de performance em palco. Enquanto a pista se dividia entre prestar atenção e dançar ao som dos americanos, Church of No Return teve seu momento para que todos cantassem um dos maiores clássicos da música gótica. Foi exatamente uma hora de um show perfeito do Christian Death.

Setlist:

Elegant Sleeping
New Messiah
We Have Become
Forgiven
The Warning
Rise and Shine
Abraxas We Are
Beautiful
Blood Moon
Romeo’s Distress
Face
As Evening Falls
Cavity – First Communion
Church of No Return
This Is Heresy

Já com a casa mais lotada que o metrô da cidade em uma sexta-feira no fim da tarde, às 20h03, entraram no palco Simon Hinkler (guitarra), Craig Adams (baixo), Alex Baum (bateria) e, claro, o líder, vocalista e guitarrista Wayne Hussey. Exatamente a mesma formação que se apresentou em São Paulo em 2022.

A apresentação do The Mission começou chutando tudo com o hit Wasteland, de 1986. Talvez uma bala muito potente para ser queimada tão cedo, mas que com certeza ajudou a chamar a todos para o show. Beyond the Pale veio na sequência, um grande clássico, diretamente do álbum Children (1988). Seguindo a linha cronológica, a banda começou Serpent’s Kiss, de 1990. A guitarra de Wayne, que no início estava menos definida, já estava perfeita a essa altura, assim como todo o som da banda, embora a bateria pudesse ser mais nítida, mas que claramente imitava a sonoridade típica dos anos 1980.

Após Swoon, com sua descarada inspiração em Heroes (David Bowie), Garden of Delight devolveu o público aos anos 1980. Questionando a todos se preferiam uma música nova ou antiga (mesmo sabendo a resposta), Wayne anunciou a nova Kindness is a Weapon, ouvida com atenção pela calorosa pista lotada. Mas o público queria mesmo os clássicos e ovacionou quando as primeiras notas de Like a Child Again foram tocadas. Porém, por mais empolgante que seja em qualquer forma, Like a Child foi executada numa versão estranha, distante da afinação original e mais rápida, o que incomodou alguns, enquanto outros nem ligaram. No entanto, os momentos finais dessa primeira parte do set fizeram a alegria de todos com Stay With Me (talvez a mais cantada pelo público até então) e Deliverance, que, mesmo com uma corda da guitarra de Simon estourada, forçando uma rápida troca de instrumento, foi um êxtase para todos, com direito a Wayne deixar a guitarra e ir com o microfone em direção ao público.

Após uma rápida pausa, a banda voltou com as primeiras batidas de Butterfly on a Wheel soando nos PA’s. Com certeza, o momento mais tocante de todo o show! A balada do álbum Carved in Sand (1990) não é apenas uma das músicas mais belas da banda em estúdio, mas também ao vivo, onde é impossível não se arrepiar com o clima melancólico das frases de guitarra. A sequência veio com seu maior clássico, conhecido até por quem não é fã da banda: Severina, com seu refrão cantado em uníssono. Swan Song encerrou esse primeiro encore, já que a banda voltaria para mais um, com a introspectiva Wake (RSV), The Crystal Ocean (com o público cantando “Shake Shake Shake”) e o já esperado final com Tower of Strength, que Wayne ofereceu à sua esposa, a brasileira atriz, pintora e cantora Cinthya Hussey.

Verdade seja dita, terminar com uma música tão introspectiva, ao invés de um de seus grandes (e mais animados) clássicos, deixa o fim do show um pouco morno, mas, felizmente, isso não é o que fica na memória de quem presenciou mais uma apresentação primorosa da banda inglesa. Fica aqui os parabéns aos produtores por mais um evento sem defeitos e pela arrecadação de alimentos com os ingressos promocionais, pois com a casa cheia, com certeza isso ajudará a tirar a fome de muitos beneficiados com tal ação. E fica o recado para Wayne Hussey, que já é um de nós brasileiros: volte logo, e no palco, claro!

Setlist:

Wasteland
Beyond the Pale
Serpent’s Kiss
Swoon
Garden of Delight
Kindness is a Weapon
Can’t See the Ocean for the Rain
Like a Child Again
Afterglow
Kingdom Come
Stay With Me
Deliverance
Butterfly on a Wheel
Severina
Swan Song
Wake
The Crystal Ocean
Tower of Strength

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