Tropical Rock Fest, São Paulo, SP (02/06/2012)

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Tropical Rock Fest
Bandas: Paura, Ratos de Porão e Krisiun
Local: Tropical Butantã, São Paulo/SP
Data: 02/06/2007
Produtora: Radio & TV Corsario

Texto e vídeo por Johnny Z.

Após menos de uma semana do show do Amon Amarth voltei ao Tropical Butantã, só que dessa vez numa sexta-feira tipicamente caótica em São Paulo. Para meu espanto, por começar os shows após as 22:00hs, cheguei rapidamente ao local sem NENHUM trânsito em menos de 20 minutos. Algo a se louvar de pé em se tratando de São Paulo capital.

Adentrando a casa, que volto a dizer é um belíssima casa com uma estrutura muito confortável e com um som digno de primeiro mundo, diga-se de passagem, notei que a pista estava bem vazia. Dei uma passada nas lojas das bandas para ver os materiais disponíveis e deu gosto de ver a gama deles as disposição dos fãs à preços muito acessíveis. Ponto para as bandas!

Poucos minutos de minha entrada o quinteto Paura, formado por Fabio Prandini (vocal), Rogério FR e Claudinei Ferreira (guitarras), Paulo Demutti (baixo) e João Limeira (bateria), começou seu set ‘esporrando’ Hardcore bem ‘groovado’ nos ouvidos dos poucos mais super agitados presentes.

Conhecia a banda apenas de nome e pelo que foi apresentado eles conquistaram mais um fã! Ainda divulgando seu último álbum “Tameless”, deixaram uma excelente prova de que nosso underground é SIM de um enorme peso e respeito perante o mundo. Só cabaço não vê isso ou se finge de cego por conveniência! Peso assombroso saindo dos PA’s com ‘rifferama’ assombrosa, banda afiadíssima, porradaria atrás de porradaria e muito, mas muito ‘felling’ e carisma por conta de seu vocalista Fabio Prandini.

Os poucos presentes agitaram freneticamente como se o mundo fosse acabar após essa apresentação. Baita energia! Palmas para a banda! Simplesmente F-O-D-A!

Às 23:30hs o Ratos de Porão subiu no palco com jogo ganho e uma plateia que ‘do nada’ surgiu e encheu a preencheu toda a pista moderadamente. Não estava lotado, mas nessa hora tinha muita gente MESMO!

O que falar de uma apresentação desses verdadeiros ícones do Crossover, Punk, Metal, ou qualquer merda que você queira chamar? É adrenalina pura! E para colocar a cereja no bolo nesse dia nada melhor que apresentarem um set baseado na comemoração dos 30 anos do álbum “Cada Dia Mais Sujo e Agressivo” (1987) e dos 25 anos do antológico álbum ao vivo “R.D.P Vivo” (1992).

Óbvio que foi desgraceira do começo ao fim com direito (e de praxe, diga-se) ao fanfarrão João Gordo vociferar xingamentos escatológicos a qualquer bosta (humana ou não) que o incomodasse.

O som estava ótimo e dentro de meus mais de 15 shows que vi da banda posso garantir que esse foi um dos melhores em termos de performance, som, timbragem dos instrumentos e agitação dos músicos (leia-se Jão e Juninho, guitarrista e baixista, respectivamente). O peso que saia da guitarra de Jão e da bateria de Boka esmagava crânios sem dó! Gordo é mais paradão, na dele, mas o cara mesmo parado é um ícone e agita a cada música de um jeito único saindo de dentro de suas entranhas. É impressionante! Você transpira mesmo parado vendo ele cantar ou melhor, grunhir, já que não se entende uma única palavra que ele vomita no microfone há décadas.

Muitas rodas, algumas bem violentas até, uns xaropes nuns ‘stage divings’ aqui e ali e muita, muita porradaria era o que se via durante toda a apresentação, o que pra mim já diz tudo se o show foi ou não intenso. “Sofrer”, “Ignorância”, “Crianças Sem Futuro”, “Mad Society”, “Ascenção e Queda”, “Beber Até Morrer”, “Crucificados Pelo Sistema”, “Igreja Universal”, uma versão bem inusitada com começo quase Reggae em “Aids, Pop, Repressão” e muitas outras pérolas nos abençoaram na podridão do fundo dos esgotos! Simplesmente sensacional.

1:30hs da manhã, depois de uma espera um pouco maior já que o show do Ratos de Porão acabou em torno das 0:30hs, com o sono e o cansaço de toda semana se acumulando nas costas podres e pútridas desse redator, consegui aguentar graças ao meu passa livre ao camarote por conta de um grande amigo e gerente/diretor da casa que não vou citar o nome por razões óbvias. Respeito! Só isso que eu digo, se não fosse por isso eu não teria aguentado o tranco (risos). Com essa ‘boiada’ consegui sentar, tomar umas águas e descansar essa coluna quase morta. Só que aí vem um pequeno probleminha. Como o show do Krisiun demorou um pouco para começar, as velhas e boas “pescadas” vieram com força total e simplesmente apaguei por alguns minutos sentado e acordando todo babado com cara de quem viu o Godzilla estuprando o Chapolin Colorado. Mais um mico para a conta desse redator (risos).

Voltando ao Krisiun, o que esses gaúchos fazem no palco é (no bom sentido, claro) C-O-V-A-R-D-I-A! É ponto pacífico que esses três irmãos, Alex Camargo (vocal/baixo), Moysés Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria), nasceram para serem os maiorais dentro do estilo Death Metal mundial. No palco, e também fora dele, os caras são verdadeiros exemplos de músicos e seres humanos. Não é ‘rasgação’ de ceda ou ‘pagação’ de pau não, é um FATO!

Sobre o show não tem muito o que falar já que praticamente todos os shows que vi desses caras foram perfeitos do início ao fim. Paulada atrás de paulada, intercaladas por verdadeiras mensagens de respeito ao Metal nacional, orgulho de serem brasileiros, e muitos elogios e simpatia de Alex que a cada música tocada achava amigos na plateia agradecendo-os pela lealdade por todos os anos de dedicação à banda.

O som estava, também, perfeito dando para sentir pulsar cada riff de Moysés e ‘metralhada’ de Max direto no peito sem embolar com os vocais monstruosos de Alex. Aula de Death Metal! Se alguém que estiver lendo esse texto for montar uma banda sesse estilo é com o Krisiun que devem se inspirar por conta de três fatores: técnica, profissionalismo e sangue nos olhos. É inacreditável ver Moysés e Max tocando tão soberbamente seus instrumentos. Chega a dar vontade de esmurrar com índices de crueldade esses caras por serem tão bons (risos). Alex não fica atrás nem um pouco já que para acompanhar a ‘covardia’ dos irmãos tem que ser “macho pra caralho” (risos).

Clássicos dos três primeiros álbuns, seguidas de músicas mais recentes combinadas num setlist bem equilibrado esbaldaram os presentes que, por conta do avançado horário da apresentação, já não preenchia tanto a pista como no show anterior.

Foi muito legal vermos outros músicos (Nervochaos, Torture Squad, Alekto e etc), colegas de imprensa e jornalistas na plateia cantando e agitando como verdadeiros fãs. Poder presenciar uma avalanche ímpar de músicas consagradas como “Blood Of Lions”, “Combustion Inferno”, “Descending Abomination”, “Black Force Domain” é uma verdadeira honra mas, junto delas, termos execuções de faixas não muito tocadas constantemente como, por exemplo, “Aborticide (In The Crypts Of Holiness” e a selvagem “Hunter Of Souls” foi memorável e marcante.

Todo o show – como de costume – foi destaque pois atingiu a espinha dorsal de qualquer fã que se preze lá presente, mas posso incluir o maravilhoso e visceral cover de “Ace Of Spades” (Motörhead) onde sempre digo que a banda DEVERIA grava-la em estúdio por ser, de forma comparativa, uma espécie de “Orgasmatron” para o Sepultura, e “Extinção Em Massa” com João Gordo vomitando no microfone que simplesmente arregaçaram!

Em termos de adrenalina o Paura injetou-a em nossas veias, o Ratos de Porão espalhou-a e o Krisiun fez com que nossas mentes absorvessem-na nos tornando verdadeiros ‘dependentes’.

Setlist Paura:

No Competition On True Love
Bull Control
Reverse The Flow
Unbroken Tree
Truth Hits Hard
Nwa (Never Walk Alone)
Education
Call On All Sisters
No Hard feelings?! Fuck you!!
Scars Of life
Malfunction (Cro-Mags)
The Privilege
History Bleeds

Setlist Ratos de Porão:

Tattoo Maniax
Plano Furado
Ignorância
Crise Geral
Morrer
Mad Society
Crianças Sem Futuro
Ascensão E Queda
Beber Até Morrer
Máquina Militar
Sangue E Bunda
Banha
Arranca Toco
Exército De Zumbis
Expresso Da Escravidão
Engrenagem
Pensamentos De Trincheira
Peste Sexual
Sentir Ódio E Nada Mais
Crucificados Pelo Sistema
Aids, Pop, Repressão
Igreja Universal

Setlist Krisiun:

Kings of Killing
Ravager
Vengeance’s Revelation
Blood Of Lions
Aborticide (In the Crypts of Holiness)
Combustion Inferno
Descending Abomination
Hunter of Souls

Extinção em Massa (com João Gordo)
Drum Solo
Ace of Spades (Motörhead)
Conquerors of Armageddon
Hatred Inherit
Black Force Domain

Agradecimentos à Ultimate Music, Tropical Butantã, Rádio Corsário, Krisiun, Ratos de Porão e Paura pela aula!

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