AC/DC – “The Razor’s Edge” (1990)

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AC/DC – “The Razor’s Edge” (1990)
Atlantic Records
#HardRock#ClassicRock

Nota: 8,0

Com o perdão do trocadilho, o AC/DC vinha andando no fio da navalha na gestação de seu 11º álbum de estúdio, oportunamente batizado “The Razor’s Edge”. Enrolado com um divórcio em andamento, Brian Johnson ficou de fora do processo de criação, deixado totalmente a cargo de Angus e Malcolm Young — este recém-saído de uma temporada na ‘rehab’ —, coisa que não acontecia em mais de uma década. Para completar o cenário desfavorável, em novembro de 1989, o baterista Simon Wright pediu as contas para poder se juntar ao Dio, com quem gravaria “Lock Up The Wolves” no ano seguinte. O substituto veio na figura do veterano Chris Slade, cuja competência pode ser verificada nos dois álbuns do The Firm: “The Firm” (1985) e “Mean Business” (1986).

Material pronto, eis que problemas pessoais obrigam o produtor e irmão mais velho George Young — cuja volta em “Blow Up Your Video” (1988) ajudou a fazer do disco um sucesso — a pular fora. É aí que Bruce Fairbairn, o homem por trás do som do Aerosmith nos anos 1980, entra na jogada, motivado a fazer pelos Youngs o mesmo que fez pela banda de Steven Tyler. A diferença é gritante: o AC/DC nunca soou tão polido, tão cristalino, tão bem-equalizado. Tão sob medida, o que pouco dialoga com a atitude crua e áspera que fez o quinteto estabelecer-se como um colosso do rock.

Mas isso é o de menos, dado o repertório, que é o mais forte desde o tremendo “Back In Black” (1980). Aqui temos os hits “Thunderstruck”, a faixa de abertura perfeita, além de “Moneytalks” (alguém se lembra das notas de dólar com a cara de Angus?) e “Are You Ready”, incluída na trilha sonora do filme “Rock Star” onze anos mais tarde; além de “Mistress For Christmas” e “Got You By The Balls”, cujas letras ginasianas remontam aos tempos de Bon Scott e suas “Big Balls”, e “Goodbye & Good Riddance To Bad Luck’, que reflete o estado de espírito geral da banda, fatigada após tanta maré de azar.

Reconhecendo que houve salto de qualidade e retomada, se não total, parcial, de direção, os mesmos consumidores que torceram o nariz para “Flick of the Switch” (1983) e “Fly on the Wall” (1985) tiraram o escorpião do bolso levando “The Razor’s Edge” para o segundo lugar da parada norte-americana, com cinco milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos. A turnê subsequente levaria o AC/DC à sua terceira participação no festival Monsters of Rock, onde gravaria seu segundo ao vivo diante de mais de 70 mil pessoas no Donington Park. Are you ready for a good time?

Marcelo Vieira

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