Trovão – Burning House, São Paulo/SP (27/09/25)
Produção: Kool Metal
Assessoria: Tedesco Comunicação & Mídia
Texto e fotos por Matheus “Mu” Silva
Realizando o lançamento de seu segundo disco e aclamado de estúdio, “Diamante” (2025), a banda paulistana de Heavy Metal/AOR Trovão fez um show no último sábado (27) na Burning House, casa que vem se tornando referência no meio da música pesada em São Paulo. Realizado pelo pessoal da Kool Metal, o evento ainda contou com discotecagem do DJ Marc Hellway, focando apenas em material nacional, o que deu um tom ainda mais especial à noite. Essa foi apenas a quarta apresentação ao vivo na história da banda, desde que foi criada em 2018, algo que gerou ainda mais expectativa pelo evento, além, é claro, de testemunhar as músicas do disco novo sendo executadas ao vivo.
Formado em 2018 em São Paulo/SP, o Trovão, desde o seu álbum de estreia “Prisioneiro do Rock N’ Roll” (2022), buscou resgatar a sonoridade analógica e característica do Hard Rock/Heavy Metal oitentista, mas com todo um cuidado para que o resultado fosse uma perfeita representação do que havia naquele período. E assim o fizeram, com muito sucesso, pois seu primeiro álbum tomou a comunidade headbanger de assalto, chamando a atenção pela estética visual e sonora envolvida, e seu segundo disco, “Diamante” (2025), elevou ainda mais o nível de seu próprio jogo, sendo muito elogiado pela crítica e elevando a régua do que se pode alcançar em termos de musicalidade oitentista feita em nosso país. A formação atual da banda conta com Gustavo Trovão (vocal), Igor Senna e Alexandre Gatti (guitarras), Lucas Chuluc (baixo), J. L. Fuza (teclados) e Alan Caçador (bateria).
Com a casa abrindo às 19 horas, a Av. Santa Marina, rua do Burning House, remetia à Sunset Strip em seu auge: coletes cheios de patches, visuais carregados e os exageros característicos do período, refletindo a energia da musicalidade da banda em seu público, que já estava numeroso na casa, curtindo a discotecagem enquanto aguardava a atração principal. Às 21:05, o Trovão finalmente subiu ao palco, iniciando sua apresentação para uma casa abarrotada. Foi surpreendente a resposta do público para esse evento: mesmo com o ingresso a um preço não tão popular, os presentes encheram totalmente a Burning House para ver uma única banda, algo que por si só já foi um feito inacreditável e evidencia a relevância que o grupo alcançou nos últimos anos.
Subindo ao palco Lucas e Alan, a banda começou o set com a poderosa “Preso ao Passado” (“Diamante”, 2025), de forma absolutamente explosiva, com o público cantando o refrão a plenos pulmões junto à banda. Em seguida veio uma breve apresentação e a execução de “Trovão”, também do segundo álbum. O vocalista Gustavo, antes da música seguinte, “Distante”, reviveu uma atitude dos tempos de Selvageria, incitando o público com os dizeres: “Vocês querem álcool? Então ergam seus copos, para que possa enchê-los de vodka”, distribuindo a bebida para o pessoal na grade — uma atitude divertida que funcionou muito bem em sua atual banda.
Introduzindo o tecladista Lucas Fuza, que fez um breve solo, a banda emendou com “Princesa do Fogo”, do primeiro disco, em mais um momento de êxtase do público, mas não tão marcante quanto a faixa seguinte, a cativante “Até o Fim”, de seu segundo álbum. Essa sim fez a festa do público, com diversos punhos erguidos e a banda simplesmente elétrica no palco. O segundo disco da banda saiu este ano, e foi impressionante como todo mundo sabia absolutamente cada palavra das músicas, demonstrando como o metal em português tem impacto gigantesco na assimilação e admiração do público — ainda mais quando é bem feito.
Seguindo com “Não Lembre Mais de Mim”, uma releitura de uma banda nacional obscura chamada Vapor, o guitarrista Igor Senna fez um solo eletrizante, que deu sequência a “Olhos da Cidade”, uma belíssima power ballad do segundo disco. O refrão “A luz da lua ilumina meu caminhar… À meia noite” foi cantado em uníssono, em mais um momento memorável. Em seguida, com o vocalista Gustavo segurando um diamante, era óbvio que viria a faixa-título “Diamante”, outro ponto alto da noite. Depois foi a vez do guitarrista Alexandre Gatti mostrar sua destreza antes de a banda executar “O Brilho”, uma das mais impactantes da carreira, que levou todos a bater cabeça e cantar juntos. A primeira parte do show se encerrou com “Insanidade”, música que fecha o álbum.
Após alguns minutos, Fuza e Alan retornaram ao palco para iniciar o bis, que contou com duas músicas: “Seres da Noite”, lançada em compacto em 2024 como prévia do novo álbum, e a derradeira “Linha de Frente”, que encerrou a noite de forma explosiva, como havia começado. O set durou cerca de 60 minutos, todos muito bem aproveitados, com cuidado sonoro e visual para reproduzir a força que a banda apresenta em seus álbuns — uma atitude digna de quem acredita no poder da própria música.
Eu poderia ficar falando o dia todo sobre o que aconteceu nesse sábado. Para resumir: foi o show nacional do ano. E não apenas deste ano. O que o Trovão fez beira o inacreditável. Uma banda com apenas dois discos e pouquíssimas apresentações conseguiu arrebatar uma legião de fãs, lotar uma casa de shows por conta própria e entregar um espetáculo ímpar para o estilo. Mostra por que eles são um dos maiores expoentes nacionais da atualidade. Não sei quais serão os próximos passos da banda, mas uma coisa é certa: o Trovão caminha a passos largos para se tornar um clássico da cena nacional. O tempo dirá, mas o que foi vivido hoje jamais será esquecido. Uma noite para ser celebrada e comentada nos dias e anos que virão. Foi uma aula de classe, atitude, dedicação e amor ao Heavy Metal.
Setlist:
Preso ao Passado
Trovão
Distante
Princesa do Fogo
Até o Fim
Não Lembre Mais de Mim
Olhos da Cidade
Diamante
O Brilho
Insanidade
Seres da Noite
Linha de Frente
























