We Came As Romans – “Darkbloom” (2022)

Darkbloom
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We Came As Romans“Darkbloom” (2022)
SharpTone Records | Shinigami Records
#Metalcore, #PostHardcore

Para fãs de: Bring Me The Horizon, Motionless in White, Memphis May Fire

Nota: 9,0

O luto chega a todos nós de maneiras diferentes, ainda mais quando um grupo está de luto pela mesma pessoa. O que nós, escritores, sentimos não será o mesmo que você, o leitor, sentirá. A coisa mais importante sobre o processo é como você sai dele. Um exemplo desse processo cansativo vem de We Came As Romans e seu novo lançamento “Darkbloom”. Embora esse seja o sexto álbum da banda, também é o primeiro sem o vocalista Kyle Pavone. Após a trágica morte de Pavone em 2018, o We Came As Romans estava compreensivelmente ausente. A continuação de “Cold Like War” (2017) se encaixa na ideia de “está tudo bem não estar bem”, mas “Darkbloom” vem com uma simplicidade mais pesada do que qualquer colapso poderia ser.

“A luz pode desaparecer, mas não vou murchar”, declaram os vocais dolorosos de Dave Stephens na faixa-título. Normalmente, uma faixa de abertura é uma declaração de intenções. Enquanto o som agudo das guitarras de Joshua Moore e Lou Cotton criam um som fantástico, misturado com sintetizadores, são as letras que carregam o peso real. A dureza dos riffs de Cotton eleva a mensagem de Stephens de “morrer ou crescer” na brutalidade que a música pede.

O que se segue é uma série de singles que foram lançados anteriormente, com “Plagued” mostrando influências de Linkin Park nas passagens mais pesadas e nos vocais a la Chester Bennington, além de um breakdown de arrancar o pescoço. “Black Hole” é na minha opinião a melhor do disco, com uma levada mais Nu Metal, um refrão que atinge o ouvinte em cheio, sendo possível até notar os vocais de Kyle por trás da voz de Stephens e com Caleb Shomo (Beartooth) como convidado especial. Certamente essa ficará no repeat devido a sua qualidade.

O disco não é somente agressão e raiva, mas também da capacidade da banda de ser multifacetada. Se “Black Hole” abordou a presença do vazio, “Golden” e “One More Day” mergulharam de cabeça. Estas podem ser faixas mais lentas, mas ainda assim dão um soco. Os vocais limpos de Stephens nos versos de “Golden” tocam as cordas do coração enquanto ele pinta a imagem da última vez que vimos alguém e a triste percepção de que eles se foram. Pedaços de riffs grossos brilham nas profundezas sombrias, ameaçando nos arrastar para baixo.

Já “One More Day” faz exatamente isso. Ele pega nossas cordas do coração e as usa como uma corda elástica. Vocais suaves e um piano desvendam a história de tentar salvar alguém de si mesmo. O equilíbrio de gritos e limpezas dentro do refrão demonstra perfeitamente o impacto que um refrão pode ter quando pode florescer em seu espaço.

Há algo na faixa final que a torna um pouco difícil de falar, já que pode ser um momento para você vivenciar por conta própria. A letra aborda diretamente os momentos antes e depois da morte de Pavone. Uma sequência direta do hino de auto aceitação de “Cold Like War”, “Promise You” é uma homenagem maravilhosa, mas comovente, ao irmão caído.

“Eu prometo a você que nunca vou parar de dizer seu nome” é uma linha final adequada para “Darkbloom”. O disco é uma cimentação maravilhosa do legado de Kyle Pavone, com uma evolução dura, crua e honesta da banda e sendo uma representação da dor tão devastadora quanto espetacular.

Essa é uma das vezes em que podemos reforçar o quão importante a audição deste álbum é, pois o We Came As Romans pode ter quebrado em 2018, mas voltou forte em 2022.

Lucas David

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