Entrevista com Prika Amaral (Nervosa)

nervosa_00
Compartilhe

Suor, batalha, críticas diversas, posicionamento político definido, ótimos álbuns, reconhecimento, turnês incansáveis, shows em festivais renomados – essa é a trajetória meteórica e alucinante de um dos maiores fenômenos do Metal Extremo nacional dos últimos anos, a Nervosa – banda que não conhece meio termos. Em meio ao seu vôo de ascensão, uma nova turbulência; a saída, de uma única vez, de duas integrantes: Fernanda Lira (baixo e vocais) e Luana Dametto (bateria). Com o futuro incerto, atitudes foram tomadas rapidamente e assim que Prika Amaral, guitarrista e fundadora, deu os nomes de suas novas parceiras de banda – Diva Satanica (Vocal), Mia Wallace (Baixo) e Eleni Nota (Bateria), uma imensa expectativa foi criada. Em uma entrevista franca e esclarecedora, a guitarrista nos deu detalhes acerca da situação atual da banda, das audições das novas musicistas, do apoio da gravadora e dos planos para um futuro próximo.

Por William Ribas
Fotos Facebook Nervosa (autores desconhecidos)/Sami Hinkannen

Metal Na Lata: Acredito essa é pergunta que mais rondou as redes sociais. Se a pandemia não tivesse acontecido e o Wacken fosse acontecer, a formação continuaria e os problemas “seriam varridos” para debaixo do tapete?

Prika Amaral: Acredito que sim, porque tocar no Wacken é um sonho pra todas e queríamos todas fazer parte disso. Mas, não sei te dizer com exatidão isso, porque é uma coisa particular de cada uma, pois o limite pessoal é variável de pessoa para pessoa.

Metal Na Lata: A grande missão da Nervosa foi sempre viver na estrada. Acompanhando de longe, sempre tive a impressão de que vocês viviam um ritmo frenético entre turnê, gravação e divulgação do álbum e novamente shows. Acredita que essa rotina intensa foi o que principalmente desgastou a amizade entre você?

Prika Amaral: Com certeza isso contribuiu muito. Em 8 anos não tivemos férias de verdade e foram 8 anos na estrada, sem parar. Passamos por muitas coisas, muitas mesmo, desde boas até ruins. A diferença de opinião (não política, porque nessa parte concordamos 100%) e de gostos sempre foi bem diferente, mas a gente sempre entrou em um consenso ou uma das partes cedia. E além da banda também, existem problemas particulares de cunho pessoal e chega uma hora que tudo se mistura e se acumula, o que é normal e sempre acontece.

Metal Na Lata: Lá no início parecíamos ser moda falar mal da Nervosa. Após o anuncio do desligamento da Fernanda e Luana, novamente uma enxurrada de pessoas falando besteiras. Como acompanhou tudo isso ou preferiu simplesmente se desligar e ficar um pouco longe dos posts?

Prika Amaral: Para ser sincera, eu não vi essa enxurrada toda que muitos estão falando. Eu vi alguns comentários negativos e machistas sim, mas isso não passava de 5%, pelo menos nos posts da Nervosa, nos meus, e em posts de alguns amigos e de algumas mídias também. Dei valor aos que estavam apoiando e acompanhei tudo bem de perto, e a quantidade de pessoas apoiando todas foi MUITO grande.

Metal Na Lata: Mas se existe algo bom dessa história, é que uma gigante maioria entendeu que não perdia uma banda, mas sim que ganharíamos duas bandas para representar o Brasil mundo afora. É importante receber essa energia positiva dos fãs que acreditam em você?

Prika Amaral: Com certeza! Sem nossos fãs e o apoio da mídia, não somos e nem fazemos nada. É muito legal ver que o que construímos e o que nos sacrificamos valeu muito a pena e isso tudo é um reflexo do trabalho de todas nós.

Metal Na Lata: Sempre tracei um paralelo entre a banda e o Sepultura pela trajetória, pela persistência, por representar o Brasil mundo afora e por trazer orgulho a nós, os fãs. Com a saída da Fernanda é inevitável não lembrar da saída do Max em 1996, a pressão que a banda sofreu na sequência, as dificuldades impostas pela Roadrunner, a aceitação de Derrick como a nova voz de um nome já estabelecido. Qual foi a reação da Napalm Records sobre a ruptura na banda? Houve apoio e imposições? Quanto aos produtores de shows, como eles reagiram em relação as datas já marcadas e adiadas devido a pandemia? Eles mantiveram os shows? Enfim, como foi a reação e apoio por nos bastidores?

Prika Amaral: O apoio foi geral porque eu agi rápido, justamente por isso eu sabia que não podia demorar muito, porque aí sim poderia perder algumas coisas. As meninas que eu escolhi para formar a nova Nervosa são meninas muito competentes e grandes musicistas e isso impôs respeito e está todo mundo muito curioso com o que vem pela frente. A Napalm Records apoiou muito e está apostando fortemente nessa nova fase. Quanto aos produtores, muitos já confirmaram e reagendaram os shows já marcados antes, mas alguns ainda esperam a situação da Covid-19 melhorar para confirmar os eventos e alguns poucos estão esperando a gente lançar música nova para ver a reação do público.

Metal Na Lata: Agora vamos falar do futuro. Como aconteceu a escolha das novas integrantes, já que no momento não tem como se reunir e fazer testes em estúdio?

Prika Amaral: Eu recebi inúmeras mensagens de meninas do mundo inteiro, fiz uma lista das minhas favoritas e fui pedindo para elas mandarem vídeos cantando e tocando e com isso já pude ir eliminando algumas e depois disso fiz muitos calls (chamadas) com várias, para contar como tudo funciona e para eu saber até que ponto iria a disponibilidade e disposição de cada uma. E nisso já deu para sacar a personalidades e perfil psicológico. Após isso cheguei nas finalistas e apliquei o último teste que foi compor juntas e funcionou muito bem e aí o time fechou.

Metal Na Lata: Houve muita gente mandando material após o anúncio da separação? Lembro que horas após o falecimento do André Matos, o Shaman começou a receber mensagens de fãs e músicos querendo tentar entrar na vaga que mal tinha sido desocupada. Isso também aconteceu com a Nervosa?  

Prika Amaral: Sim! E foi muito legal descobrir mulheres que eu não conhecia, foi incrível.

Metal Na Lata: Algo que chamou bastante a minha atenção nas escolhas de Diva Satanica, Mia Wallace e Eleni Nota, é que todas moram na Europa. Você tem intenção de ir morar fora e começar esse novo ciclo olhando mais neste instante para mercado de fora, para justamente não perder a força e o nome que tinham sido criados por lá?

Prika Amaral: Não foi intencional. Testei muitas brasileiras e para vocalista ficaram 3 meninas; uma era a Diva e as outras duas eram brasileiras, não muito conhecidas na cena, mas eram incríveis e não foi fácil escolher. Sim, vou ter que viver mais na Europa do que ultimamente estava, mas me mudar 100% não diria, porque sempre vou estar no Brasil, pelo menos umas duas vezes por ano, o que não muda muito do que já era.

Metal Na Lata: A escolha de virar um quarteto foi proposital para que os fãs consigam se desvencilhar da imagem das antigas integrantes e enxerguem que essa é uma nova Nervosa?

Prika Amaral: Sim, já tinha em mente que eu queria um quarteto para evoluir em alguns aspectos também, porque a performance da Fernanda era impecável. Ela se movimentava bem, mas ainda sim ficava presa por tocar e cantar. Então ter somente uma vocalista vai dar uma mobilidade maior no palco e também ter uma baixista a parte abre mais espaço para trabalhar ainda mais o baixo.

Metal Na Lata: O assunto de ter uma segunda guitarra na banda sempre rondou nas conversas. Na nota sobre a nova formação, você declarou que é algo que pode acontecer. Sei que você não me dará nomes, mas existem conversas com algumas candidatas para que após esse caos que o mundo está vivendo os testes possam acontecer?

Prika Amaral: Não, essa possibilidade é para um futuro distante, porque agora temos um desafio muito grande de adaptação de 3 integrantes novas e mais uma guitarra nesse momento seria muita coisa, o que poderia até atrapalhar. E também tem o lance da logística, porque muitos shows foram fechados como um trio e agora teremos uma passagem a mais para bancar, então se tivéssemos 2 passagens a mais, isso poderia ser um problema para alguns shows. Mas futuramente, num segundo disco dessa nova formação, isso pode acontecer, sim!

Metal Na Lata: “Downfall of Mankind” já carregava bastante o lado Death Metal em algumas músicas e até acredito que foi uma evolução natural. As novas integrantes vêm desse lado mais extremo. Sei que você já estava trabalhando em material novo, então seria possível apontar um direcionamento musical que a banda terá daqui para a frente ou ainda é muito cedo para isso?

Prika Amaral: Eu quero e vou manter a Nervosa como uma banda Thrash Metal, mas vou abrir muito espaço para todas essas influências porque isso só enriquece a música, mas a essência da Nervosa tem que ser mantida. Todas as meninas sabem disso e concordam, vai ser muito legal trabalhar nisso dessa forma.

Metal Na Lata: Muito obrigado pela entrevista, o espaço final é todo seu.

Prika Amaral: Muito obrigada pelo espaço e pela oportunidade. Agradeço imensamente a todos os fãs pelo apoio e por toda a galera que respeita, porque você não é obrigado a gostar de nada, mas respeito é sempre bem-vindo. Obrigada a todos e logo mais tem novidades!

Mais informações:

Site: www.nervosaofficial.com
Facebook: www.facebook.com/femalethrash
Instagram: www.instagram.com/nervosathrash
YouTube: www.youtube.com/channel/UCRjLer4QDtbyKBnq6zioZhw

Compartilhe
Assuntos

Veja também