Metal da Independência, 305 Poizé, Brasília/DF (07/09/2018)

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Metal da Independência
Local: 305 Poizé, Brasília/DF
Data: 07/09/2018
Produtora: Convergência Social

Texto, fotos e vídeos por Victor Augusto

Em pleno feriado nacional, quando a população foge em massa para alguma cidade vizinha, Brasília fica deserta e sem muitas opções para diversão, porém os fãs de música pesada foram compensados com o belo festival Metal da Independência, que aconteceu no último dia da pátria.

O local escolhido é equivalente a um pub, só que com uma estrutura maior e um som, que junto ao backline e uma grande preocupação dos organizadores em manter uma boa qualidade, resultou num alto nível de qualidade para todas as bandas.

As bandas autorais de Brasília, em sua maioria, compuseram o cast do evento e houve espaço para variados estilos. Som alto, bom e boas bandas é o que posso adiantar sobre o que vocês irão ler sobre esse grande dia.

Undying

Os jovens do Undying lançaram o seu primeiro disco em 2017, chamado “Lucifer Untold” e diferente das tradicionais bandas de Death Metal, a sua sonoridade remete a algo mais tradicional, mas com muito peso e guturais. “They Call It Hate” abriu o set, mostrando que teríamos um dia de excelentes shows, pois o som do estava bem equalizado e num bom volume.

Após alguns poucos ajustes e o público começando a se aproximar, o quarteto foi se soltando no palco, mostrando que dominam os riffs e solos das complexas faixas de seu disco com muita precisão. Um detalhe interessante é a forma que eles quebram o ritmo das músicas, sempre com algum riff diferente ou com alguma passagem de baixo e bateria. A introdução “Evil Revelations” tem uma levada de bateria que já agrada e demonstra a criatividade da banda em sua temática.

Outro fator interessante são as timbragens do baixo e guitarras, que se completaram bem ao vivo. O baixista Dimax Souza é um rolo compressor tocando, principalmente durante a “Mad Between Light and Darkness “.

Finalizando a ótima apresentação, a banda ainda mandou um cover de “Crystal Mountain”, do Death, banda que é nitidamente uma grande influência. Excelente show e o Undying demonstrou o seu alto nível técnico, mesmo com pouco tempo de existência.

 

Threat Eleven

A Segunda atração foi o Threat Eleven, que apresenta um estilo bem interessante, pois o trio toca algo influenciado pelo New Metal que conhecemos do Limp Bizkit e Linkin Park, mas com muito mais peso na guitarra e um som bem mais na cara.

Existem muitas partes melódicas no vocal, que tornam o som da banda mais acessível as pessoas que não estão acostumadas a música muito pesada, porém eles não perdem a pegada e é essa mescla que achei uma grande sacada deles.

O baixo é bem presente e completa bem o fato de ter uma só guitarra. O baterista toca com bastante força e isso ajuda a dar uma encorpada no som. Em alguns momentos esse “corpo” a mais, chegou a me lembrar de algo do Korn e Stone Sour. A música “Liars” foi a que mais agradou ao grupo de fãs da banda que estavam lá e realmente ela é bem legal, com uma introdução mais calma e refrão bem berrado.

O show foi bem curto, mas o suficiente pra mostrar a cara do grupo e continuar o aquecimento para o que vinha pela frente.

Underhate

O Underhate é uma banda interessante, pois conseguem tocar no limiar do Thrash Metal e Heavy Metal Clássico, agradando aos fãs de ambos os estilos. Para esse show em especial, a banda contou com João Paulo Mancha (Mofo, DOI-CODI) e organizador do evento, substituindo o baterista original que não pode comparecer.

A faixa “War Control”, que abre o disco “Acts of Opression” (2017), foi uma boa escolha para abrir o show também, pois mostra bem essa faceta da banda. Riffs precisos, velocidade, peso e um vocal agressivo, que atinge notas bem altas, como executado em “Feel Our Pain”. A dupla de guitarristas Rodrigo Shakal e Victor Rocha fez um excelente trabalho, alternando os solos bem trabalhados e rápidos.

Não só de músicas rápidas a banda a vive, mas abrem espaço para outras mais calmas. A semi balada (como citada pelo próprio vocalista) “Take My Hope” é um bom exemplo e tem um solo bem bonito.

Próximo ao fim do set, a banda mandou a “Fields Are Burning”, que tem solos mais fortes de Shakal, indo pra pegada mais do Thrash. Em suma, eles mostraram bem o que são capazes de fazer. Boas músicas aliadas a excelentes performances, que resultou num bom show.

DOI-CODI

O DOI-CODI é uma banda com uma sonoridade bem legal, pois possui um grave bem forte nas guitarras, baixo e vocal enquanto a bateria completa tudo isso nos grooves e quebradas, que foge um pouco do ritmo tradicional de bandas extremas. Ela novamente foi tocada por Mancha, fazendo jornada dupla de shows.

Como o nome da banda sugere, as letras em português tem bastante cunho político, não só voltado ao regime militar. O vocal se Yuri Sabaoth é bem encorpado tanto nos graves, quanto nos guturais. A sua interpretação também é bem forte, dando uma maior expressão às letras.

Ainda sobre as músicas, elas alternam boas partes cadenciadas, mas também apresentam bastantes momentos rápidos e isso ajudou a abrir grandes rodas, talvez as maiores de toda a noite. Boa apresentação com alguns recados entre um som e outro, que agradou a galera que compareceu.

Dark Razor

O Dark Razor é mais uma banda relativamente nova, que compõe uma nova safra candanga, mas já nasceu fazendo muito barulho. As primeiras impressões que mais me chamaram a a atenção são as furiosas palhetadas durante as músicas por inteiro. Com um Death mais conceitual, o tamanho de cada faixa tocada acaba sendo um pouco maior e é impressionante como o quarteto consegue manter a pegada e ritmo, com poucos momentos de pausa.

Apesar de palavra ter saído meio que como uma brincadeira por parte do vocalista Matheus Damásio, o termo “metrônomo humano” se aplica bem ao baterista Rafael, pois ele mantém um ritmo rápido e constante por muito tempo, variando algumas passagens de bumbo. Pareceu-me que ele é a “coluna vertebral” em termos de manter o tempo da banda.

As já mencionadas palhetadas constantes dão um ar de Black Metal ao som, mas a pegada e as timbragens são Death Metal. As alternâncias de solos de Matheus e Sherman Aguiar impressionam pela velocidade e fúria.

O set contou com músicas que estarão no novo disco e algumas dão um clima caótico, trazendo boas cadências e quebrando um pouco os ritmos mais rápidos, que são mais abordados pela banda. Foi um show que prendeu bem a atenção pela técnica e qualidade.

Ébrio

A primeira banda fora do DF a tocar, foi o Ébrio. É difícil rotular o som deles, mas posso afirmar que é algo para quem gosta de som extremo. Arrisco a dizer que a veia principal da banda é o Black Metal pelas timbragens e riffs. O vocal usa um pouco de efeito na voz, como de costume para este estilo e tem bastante gutural também. Poderia dizer que é justamente por isso que cheguei a me questionar se eram Death ou Black.

Mas não importa o estilo. O que importa é que a banda faz um som extremo muito foda, com uma “parede” sonora que impressionou bastante, juntando as duas guitarras, baixo e constante velocidade na bateria. Some tudo isso a uma ótima presença de palco do vocalista e tivemos mais uma boa apresentação de metal extremo, que prendeu a atenção dos que estavam ao redor do palco.

Moretools

Meio difícil comentar sobre uma banda que eu virei fã em 2007, ao ver um show no Círculo Operário. Acompanhei outros vários shows e o lançamento de seu álbum autointitulado, mais o excelente DVD “Território Metálico”, que tem shows e entrevistas, não só deles, mas também de outras grandes bandas do DF (Miasthenia, Valhalla, etc).

Some isso a um clima de retorno, pois o vocalista Rhavi, um dos fundadores, estava afastado por dois anos do Moretools. E o que esperar de uma banda que é naturalmente insana e estava há tempos sem tocar? No mínimo sede de sangue!

O quinteto arregaçou no palco. A pancadaria deles foi tanta que a bateria de Riti Santiago só faltou desmontar, tamanha força e velocidade que ele tocava. O Death Metal da banda é altamente técnico e na cara. Além disso, a presença de palco de todos é tanta que o espaço ficou pequeno.

A abertura do set ficou com a “Human Dependence”, que desde o seu início já pede para bater cabeça. Todo o show não foi muito diferente, contando com músicas mais clássicas, como a “Creeping”. Death insano e brutal,que mostrou um Moretools completamente vivo e influentes. Não teve uma viva alma presente que não pirou com o show.

Hellcome back Moretools!!!

Ineffable Act

Mais uma banda representante do estado de Goiás e mais uma representante de metal extremo. O som da Ineffable Act é puramente um Death Metal bem quebrado e também se percebe uma grande influência da banda Death.

Afora a boa presença de palco de todos os integrantes, o vocalista Thiago Damasceno é o que mais se empolga e várias vezes ele saiu do palco para puxar rodas junto aos fãs. O seu vocal também apresenta berros mais extensos em tons mais agudos, além dos típicos guturais. Ele se comunicou bastante entre as músicas. Achei engraçada a introdução de “The Butterfly Effect”, que tem um ritmo meio Bossa nova, antes de sentarem o braço no som.

A banda fez um set preciso e curto, mas passou bem o seu recado. Vale lembrar que eles agradeceram bastante a oportunidade de estar tocando em Brasília e o esforço que fizeram para vir, pois mesmo diante de alguns problemas de saúde, todos fizeram um bom show.

Quilombo

Uma coisa que eu sempre acho legal em festivais é quando há uma boa mistura de gêneros musicais estilos diferenciados e esse festival foi um bom exemplo, pois tivemos do New Metal ao Death mais extremo. O Quilombo tem um estilo bem interessante, pois a primeira música de seu set teve uma cara Hip Hop, algo como um Planet Hemp mais pesado, mas logo mostraram o seu estilo.

Hardcore direto, curto e preciso, mas sem perder o “gingado” e isso deu uma certa quebrada no som (de forma positiva). Não houve muitas músicas, pois o horário já se estendia um pouco e as pessoas começavam a ir embora pouco a pouco.

Em algumas partes a banda dá uma boa valorizada nos riffs e ainda acrescentam umas levadas mais cadenciadas. Também fizeram um set curto, com algumas palavras de agradecimento ao festival e aos fãs.

Degola

O encerramento da noite ficou a cargo do Degola que recém lançou o álbum “The Age of Chastisement” e meus amigos… se você não escutou ainda, cuidado! Você vai viciar, pois esse disco é realmente impossível de conseguir ouvir só uma vez.

O cenário para o Degola era com o desfalque de seu baixista, que teve um problema sério de saúde e a banda precisou encurtar o set devido a um problema técnico após o show do Quilombo. Mesmo assim, a banda quase colocou a casa abaixo! É incrível o nível de técnica, pegada e velocidade que esses caras tocam. Parecem máquinas programadas pra tocar tudo perfeitamente sincronizados e ainda conseguem manter a presença de palco. O som estava bem alto e equalizado, o que deixou tudo mais inacreditável.

Com apenas quatro músicas tocadas, o Degola conseguiu impressionar muito e deixou um gosto de “quero mais”. Eles realmente fizeram valer a pena ficar até o fim para ver essa destruição em massa.

O Metal da Independência serviu para mostrar a imensidão de bandas boas que temos em Brasília e no Brasil. Meus parabéns a todos os envolvidos com o evento, diretamente ou não, pois a produção prestou TOTAL apoio as bandas em todos os shows. Todos tiveram um som alto, bem ajustado, equalizado e cuidado, além do apoio de palco. Claro que alguns imprevistos técnicos acontecem, mas foi algo legal de ver o respeito entre bandas com os horários e ver que ainda temos bons eventos, que respeitam as bandas autorais e o público. Parabéns em especial ao Mancha, da produtora Convergência Social, que além de tocar em duas bandas no mesmo dia, ainda se desdobrou pra dar toda a atenção aos músicos.

Público, bandas, organizadores e apoiadores, o underground só tem a agradecer!

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