Entrevista exclusiva com Phil Anselmo

philanselmo_00
Compartilhe

Phil Anselmo estará de volta ao Brasil, desta vez com sua banda de Metal Extremo, Philip Anselmo And The Illegals, para apresentação única em 26 de janeiro, no Tropical Butantã, em São Paulo. Tivemos a oportunidade de conversar com esta lenda viva do Metal para tratarmos de sua nova banda, o tributo ao Pantera, entre outros assuntos. Confira.

Ricardo Leite Costa e Wallace Magri
Fotos por Joseph P. Dorignac IV e Roberto Pavic

Metal Na Lata: Entre todas suas bandas, projetos, participações especiais, Philip Anselmo And The Illegals é, de longe, um de seus trabalho mais extremos que já ouvimos. Ainda que você pudesse explorar texturas mais comerciais, você preferiu caminhar por este tipo de sonoridade. Como é chegar ao ponto em que você pode fazer o que quiser, nos seus próprios termos?

Phil Anselmo: É ótimo, cara! Eu sei que Philip Anselmo And The Illegals é dirigido para públicos mais restritos, para pessoas que gostam de coisas super extremas. Eu sou apenas um fã, até os dias de hoje. Então, poder fazer esse tipo de música hoje em dia é uma benção, uma honra.

Metal Na Lata: Com os Illegals parece que seu foco são shows menores ao contrário do que ocorria com o Down e Pantera. Foi um tipo de chamado do underground pedindo para você voltar aos pequenos clubes e este tipo de energia?

Phil Anselmo: É deste tipo de lugar de onde eu vim, sabe? E você está certo, este é meu tipo de show, de que eu realmente gosto. Eu já toquei em todo tipo de lugar e para todo tipo de audiência em todos os lugares do mundo, e eu amo a sensação de clubes meio punks, pequenos, suados. E, claro, quando você toca música extrema desse jeito, você já sabe que vai atingir públicos menores, realmente este era o foco.

Metal Na Lata: E o que você espera dos shows no Brasil, com esse tipo de energia e o calor que anda fazendo por aqui?

Phil Anselmo: Sim! Eu espero estar molhado de suor na segunda música, com pessoas e coisas voando ao redor, todo aquele ambiente, os fãs brasileiros são malucos, são realmente apaixonados por música. E os fãs brasileiros sempre me defenderam, todas as vezes, então eu tenho muito respeito por todos eles, muito respeito mesmo.

Metal Na Lata: Você acabou de completar 50 anos e sua banda é formada por músicos mais jovens, que provavelmente eram seus fãs antigamente. Como é essa troca de energia entre vocês? Eles colaboram na composição das músicas e etc?

Phil Anselmo: Eu aprendo com eles o tempo todo, eu adoro a energia que eles trazem para o ambiente, eles são grandes músicos, todos são muito legais, e, como eu disse antes, eu sou um fã no final das contas, sabe? Então eu faço as jams com esses caras jovens com todo o amor e dedicação que eles têm pela música, isso me inspira muito. E sim, nós trabalhamos colaborando um com os outros o tempo todo, é uma ótima energia.


Metal Na Lata:
Você ainda tem ânimo para sair e curtir depois dos shows, ainda cabe isso? Ou, quando o show acaba, você vai tomar banho, pede uma sopa e essas coisas? Você tem que se preocupar com sua saúde atualmente?

Phil Anselmo: Eu tenho que me cuidar. Sabe, a idade sempre chega para cobrar o preço. Ainda mais agora que estamos fazendo um tributo para o Pantera, eu tenho que cuidar da minha voz. Quando eu canto Death Metal, é mais na garganta, mas o Pantera é no peito, sabe? Então é mais difícil e requer maiores cuidados, ainda mais em consideração aos irmãos Abboth, não poderia ser de qualquer jeito.

Metal Na Lata: E como acabou acontecendo este tipo de tributo? Vocês tocam as músicas do Pantera fielmente ou adaptaram para o jeito do Illegals tocar?

Phil Anselmo: Os caras no Illegals… bom, a verdade é que nem em mil anos eu pediria a eles para fazer um show de músicas do Pantera. Mas as coisas foram acontecendo, lançamos o álbum, eu tive que segurar a tour por causa da cirurgia nas costas, aí então o Vinnie se foi nesse meio tempo, esse foi o contexto. Então as pessoas começaram a perguntar se eu faria alguma coisa, aí conversei com os caras e a coisa fluiu. Claro que a estrutura das músicas teve que mudar, nunca haverá outro Pantera, mas acabou saindo tudo bem e acabou acontecendo. E, quer saber, cada noite, poder tocar para jovens, pessoas que nunca puderam assistir ao Pantera, valeu a pena e me faz sentir que era a coisa certa a se fazer.

Metal Na Lata: Você, além da banda, tem outros projetos, inclusive seu próprio selo para promover bandas do gênero, certo? Como separar o Phil empresário do Phil músico, como estabelecer prioridades?

Phil Anselmo: Esta resposta é fácil. Eu deixo a parte dos negócios para a minha mulher e um pequeno grupo de pessoas que a ajudam com isso, sabe? Eu peço apenas para fazer aquilo que sou bom fazendo – cantar, tocar guitarra e fazer música, o resto é tudo com eles. Claro, à vezes tenho que fazer aparições e entrevistas, isso ou aquilo, mas basicamente trabalho apenas com a parte musical da coisa.

Metal Na Lata: O denominador comum de todas as bandas em que toca é a raiva em sua voz, explorada de várias formas. Esta é a forma de expressar sobre sua doença mental? Por que esta foi uma bandeira pela qual decidiu lutar?

Phil Anselmo: Eu sofro de doença mental desde quando eu era jovem, isto sempre me acompanhou. Basta ouvir “Mouth Of War” e outras músicas para perceber isto. Eu sempre fui muito aberto a este respeito e, sim, a agressividade, a raiva que imponho na minha forma de cantar é uma maneira que tenho de lidar com isso. Eu gostaria que mais pessoas falassem abertamente a esse respeito, para que quem sofre desse tipo de doença pudesse se sentir menos abandonado, certamente tornaria tudo mais fácil. É por isso que faço minha parte e a música me ajuda a lidar com isso.

Metal Na Lata: Muito obrigado pelo seu tempo, estamos ansiosos para receber vocês aqui no Brasil!

Phil Anselmo: Muito obrigado, espero te conhecer pessoalmente quando estiver por aí. Me chame por aqui (Skype) qualquer hora que quiser. Muito respeito, meu irmão.


Maiores informações:

www.facebook.com/Philipillegals

Compartilhe
Assuntos

Veja também