
Rhapsody Of Fire – “The Eighth Mountain” (2019)
AFM Records
#SymphonicMetal, #PowerMetal
Para fãs de Angra , Blind Guardian
Nota: 10
Entender a árvore genealógica da família Rhapsody é quase tão difícil quanto entender as linhagens élficas de Tolkien ou a divisão política de Game of Thrones. O Rhapsody Of Fire, porém, é o legítimo que recusa imitações, aquele que viu adolescentes cantarem “Land of Immortals” e “Emerald Sword” virarem adultos amantes de Outlander, O Hobbit e dragões de maneira geral. Aquele responsável pela trilha sonora perfeita para jogos de Magic e rodadas de RPG repletos de anões, reis e princesas…
Dito isso, muito se especulou a respeito do décimo-terceiro disco dos italianos, que leva o respeitável título de “The Eighth Mountain”. Afinal, a banda resistiu com ressalvas à perda do guitarrista Luca Turilli e do baterista Alex Holzwarth, mas teria combustível ainda para resistir ao adeus do vocalista-ícone Fabio Lione?
A resposta veio da melhor maneira possível. O Rhapsody Of Fire mostrou que não se ganha jogo com fofoca de bastidor, é fazendo música boa que se cala as críticas de que a banda estaria desmantelada e no primeiro álbum com o novato Giacomo Voli nos microfones, o que se viu foi uma verdadeira ode à própria história da banda, não deixando de lado elementos que fizeram Staropoli e cia chegarem até onde chegaram.
De cara, “Seven Heroic Deeds” começa com uma introdução para fã nenhum de “Dawn of Victory” botar defeito. Estão lá os arpejos, coros épicos e a chance de Giacomo finalmente mostrar personalidade, já que o último lançamento da banda foi uma regravação de clássicos da era Lione. Enquanto “Master of Peace” dá a impressão que a banda não faz esforço para fluir belos riffs de guitarra, a épica “Rain of Fury” acelera as coisas e traz uma vibe “Holy Thunderforce”, cheia de pausas e com um refrão melódico perfeito para cantar junto.
Uma das mais belas do disco, “White Wizard”, atua em um terreno pouco explorado pela banda: o nem música rápida, nem baladinha. Dessa vez, Giacomo mostrou leveza e sentimento na interpretação, acabando de vez com a viuvez por Lione. Já “Warrior Heart” vem com aquela pegada bem oldschool do “Legendary Tales”, com cravo e flauta, bem cantiga medieval.
O disco segue emendando acerto atrás de acerto, trazendo um revigorante frescor à marca Rhapsody. O quinteto, por sinal, começa agora uma nova era. Aos moldes das antigas crônicas de Algalord, vem aí a “The Nephilim’s Empire Saga”, cujo início começou com esse disco. Que seja uma história repleta de tudo que sempre fez sentido para a banda: grandes reis, batalhas, luta por poder, ambientes medievais e muita técnica e bom gosto. “The Eighth Mountain” é, antes de tudo, um baita presente para os fãs e, por tabela, uma ótima resposta para a pergunta “O que será do novo Rhapsody?”.
Gustavo Maiato





