
Failure Anthem
Local: Vinyl, Las Vegas, CA, EUA (18/02/2017)
Texto e Fotos Exclusivas por Alexandre H. Grunheidt (Vocal/Guitarra Ancesttral)
Devo explicar ao leitor que essa não é apenas uma resenha de show. Para que entendam essa “aventura” preciso dar a famosa “Pitadinha histórica”, como diria Roberto Avallone.
O Failure Anthem é uma banda americana, formada em 2013 em Greensboro, Carolina do Norte, EUA, pelo vocalista JD Eubanks e pelo guitarrista Kile Odell. Entre idas e vindas no mundo da música, JD chegou a ir para Los Angeles tentar a sorte como Chef de cozinha na rede de comida italiana Wolfgang Puck (muito boa, por sinal!), virou morador de rua e resolveu voltar para sua terra natal (Guardem essa parte! Ela é importante para que entendam a profundidade deste texto). Foi quando Kile o convidou para começarem um projeto. Animados com o resultado das demos, convidaram Wil Andrews como segundo guitarrista, Ryan Nimmo no baixo e Zane Frye na bateria e gastaram dois anos compondo e, após um acordo com a gravador Razor & Tie Records, lançaram o primeiro álbum, “First World Problems” (que já estava pronto em outubro de 2015, mas teve seu lançamento adiado para janeiro de 2016 pela gravadora). De cara, a banda chegou ao número 24 no “Billboard Mainstream Rock chart” em 2016. Isto posto, vamos ao que interessa.
Conheci o Failure Anthem no final de 2015 com o single “Paralized”, através do Spotify. Logo fui procurar a banda na internet e vi que eles tinham apenas esse single lançado e um clipe para a mesma música. O que me chamou a atenção de cara foi a semelhança com o o Alter Bridge. Na época, compartilhei a banda dizendo “Alter Bridge teve seu primeiro filho”. O vocal de JD Eubanks era o grande destaque. Passei a acompanha-los pelo youtube e vi que a banda ao vivo era sensacional!.
Quando finalmente o “First World Problems” foi lançado, foi um vício instantâneo!
Para minha surpresa, e até então alegria, eles foram anunciados no cast do festival Carolina Rebellion do ano passado e eu já estava até com ingresso comprado. Não contente, programei até mesmo a ida à um outro festival em Ladson, na Carolina do Sul, junto com Killswitch Engage, Lita Ford, Halestorm e Breaking Benjamin. A alegria estava dobrada, pois veria aquela banda, que tanto falava para todos, duas vezes em menos de um mês.
Há poucos dias da viagem, vejo que a banda anunciou uma tour pelos EUA, abrindo para o Apocalytica. Algumas datas em lugares completamente afastados coincidiam com as dos festivais em que foram anunciados. Primeira decepção: Cancelaram as participações nos festivais!
Não bastasse a decepção de não pode vê-los ao vivo, uma nova bomba vem a tona: JD Eubanks sai da banda logo após essa turnê! Desavenças com o baixista Ryan Nimmo, o nascimento do primeiro filho e a necessidade de prover para sua família o fizeram voltar sua atenção ao que ele sempre desejou, ser Chef de cozinha! Esta é sua profissão hoje!
Não bastasse a saída do grande destaque da banda, o baterista Zane Frye e o guitarrista Wil Andrews também saem da banda.
Não fosse por um detalhe muito importante, eu teria decretado o fim do Failure Anthem: Quem substituiu JD Eubanks foi Chris Pierson, vocalista do sensacional Brother Grey (uma das bandas que eu mais ouvi em 2015/2016).
Continuei a acompanhar a banda através de vídeos no youtube e percebi que Chris tinha dificuldades de reproduzir o que JD havia criado.
Em janeiro deste ano, a banda é anunciada como abertura da turnê Norte Americana do Amaranthe, junto com Citzen Zero, Cypher16 e Smash Into Pieces. Para minha surpresa, eu estaria por lá para, finalmente, vê-los. Mas, para isso, seria necessário um “sacrifício”: Perder o show do Alter Bridge em Tempe (AZ). Resolvi fazer o tal “sacrifício” e comprei os ingressos para o show de Las Vegas, no Vinyl (pequena casa do shows que fica dentro do Hard Rock Hotel).
Por ser em um lugar extremamente pequeno, pensei em comprar o CD do Brother Grey para que o Chris Pierson pudesse autografá-los. Procurei em todos os sites possíveis, mas não encontrei nenhum lugar que vendesse as cópias físicas. Resolvi entrar em contato diretamente com a banda e perguntar como e onde eu poderia comprar. Pra minha surpresa, o próprio Chris Pierson responde minha mensagem com outra bomba: ELE TAMBÉM HAVIA SAÍDO DA BANDA!
O motivo? GRANA! O cara tem família e precisa sustentar o filho e a esposa. Ele sempre trabalhou como engenheiro de som e um estúdio em Des Moines, Iowa, e esse é o seu ganha pão! Ele já havia saído em dezembro, mas a banda pediu para que ele ficasse calado. O anuncio da sua saída foi feito na mesma semana em que nos falamos.
A banda anunciou Johnny Jamison (da banda More to Monroe) como vocalista. Imediatamente comentei no post deste anuncio o quanto estava decepcionado, já que seria a terceira vez que tentaria vê-los ao vivo, que comprei ingresso para o show e estava disposto a perder um show do Alter Bridge para vê-los, mas não com aquele vocalista, que não demonstrava ter condições de substituir o Chris, muito menos JD.
Não deu 5 minutos, meu post foi apagado e o novo baterista, Troy Surratt, me manda uma mensagem inbox pedindo um voto de confiança, que o moleque era bom, que não era o vocalista do More to Monroe e sim o baixista. Conversamos e acabei ganhando até ingressos VIP para o show!
Agora, finalmente, era hora de ver o que sobrou do Failure Anthem. De cara, o que mais me chamou atenção em todos os shows que antecederam o Amaranthe foi o amadorismo! Ninguém tinha roadie, todos os músicos montavam e desmontavam seus equipamentos. Uma caixa de papelão na mesa de Merchandise do Cypher16 dizia “Ajude o Cypher16 a chegar no próximo show”. O Failure Anthem perdeu dois shows naquela semana pois a Van que os transporta deu problema na transmissão e ficaram parados aguardando seu conserto.
O show começou com a nova “Straitjacket”, seguida de “The Ghost Inside”. De cara posso dizer que Johnny é um bom vocalista, mas extremamente imaturo por conta da idade (não deve ter 21 anos). Ryan Nimmo era “o dono do palco”, apresentando as músicas e se comunicando com o público.
Vieram “Just a Wasteland”, “First World Problems” e “Savannah”. A banda estava redonda, o som cristalino e pude perceber que apenas eu e a minha namorada (Ana Carolina) conhecíamos as músicas entre as pouco mais de 100 pessoas que compareceram.
Chegava a hora da verdade: Era a vez de “Paralyzed”. Sinto muito, Johnny… Ainda falta muito pra chegar perto do que JD imortalizou (confiram os vídeos abaixo e comparem).
Ryann apresenta mais uma nova, “Living Dead” e a banda se despede com “I Won’t Say Goodbye”.
Após o show, Troy veio conversar conosco, autografou nossos CDs, vimos duas músicas do show do Amaranthe e nos despedimos.
Essa experiência toda mexeu com a minha cabeça! O brasileiro tem sim um “Complexo de Vira-Lata” e acha que tudo que vem de fora é melhor! Não me importo com o “tamanho” da banda pra gostar, ser fanático, querer consumir, etc. Pra mim, falar por Messenger com o batera de uma das minhas bandas favoritas nos últimos anos e o cara chamar pra encontra-los no Cassino onde estavam pra bater papo, era um pouco além do que eu poderia imaginar. Ler do vocalista de outra banda que gosto muito uma espécie de “desabafo” também extrapolou a relação que um dia pensei que pudesse ter com esses caras. Eles são exatamente como nós do Ancesttral, do Torture Squad, do King Bird. A diferença é que nós EXIGIMOS dos contratantes condições infinitamente melhores que esses caras que até outro dia eu imaginava que excursionavam em um belo Tour Bus, não que faziam vaquinha pra arrecadar grana na internet pra consertar uma Van quebrada, para que pudessem chegar ao próximo show.
Saí de lá imaginando como esses caras sobrevivem, como ganham dinheiro, se eles só fazem isso da vida, etc. No final das contas, não estamos tão mal assim…
Paralized (ao vivo)
Paralized (Original)
FOTOS:










