Saint Vitus – “Saint Vitus” (2019)

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Saint Vitus – “Saint Vitus” (2019)
Season of Mist | Urubuz Records
#DoomMetal

Para fãs de: Black SabbathThe Obsessed, Pentagram

Nota: 9,0

A história do Saint Vitus se confunde com a própria história do Doom Metal; um dos pioneiros e até hoje um dos mais influentes e reverenciados. São quase 40 anos de serviços prestados ao gênero, músicos tomados como referência e trabalhos pra lá de clássicos, verdadeiras antologias.

“Saint Vitus”, (o álbum), chega para ocupar a nona posição na discografia da banda, lembrando que o primeiro álbum, também homônimo, foi lançado em 1984 – uma joia cultuada até os dias atuais e assim continuará. Saindo das linhas históricas, em seu novo trabalho temos duas mudanças que por si só já valem a nota do alta do registro, a primeira, é a entrada do baixista Pat Bruders (Down, ex-Crowbar); e a segunda, é o retorno do lendário, Scott Reagers, a voz nos emblemáticos, “Hallow’s Victim” (1985), “Die Healing” (1995) e no supracitado autointitulado álbum de estreia, de 1984.

Décadas chegaram, fizeram o seu tempo e partiram, mas a essência catequética do seminal “Vitão”, se mantém intocada e mais proeminente que nunca, a banda simplesmente riu da obsolescência e sem alardes ou a surrada e caricata promessa de “volta as origens”, mandou um álbum à altura de seus maiores registros, diferente de outros consagrados nomes que prometem finos banquetes, mas entregam marmitas requentadas – Dave Chandler, Scott Reagers, Henry Vasquez e Pat Bruders “apenas” fizeram e entregaram o que de melhor sabem fazer, Heavy Metal, lento e ultra pesado e o melhor, esbanjando vitalidade e criatividade.

Faixas como “Remains”, “12 Years In The Tomb” e ”Wormhole”, já podem ser incluídas no catálogo de clássicos da banda, são verdadeiras aulas de como se forjar Doom Metal sem cair em clichês e nem apelar para experimentos duvidosos. “Hour Glass” evoca as cartilhas setentistas do Black Sabbath e “Last Breath” coloca o selo Tony Iommi no álbum, o ápice maior de todo ele, seu monólito.

O momento estranho fica para “City Park”, um mezzo instrumental com narrações, baixo e guitarra, sons que remetem ao um pântano a noite e uma risada tenebrosa em seu final, gostei, mas não entendi sua presença; já a surpresa, e que baita surpresa, fica para a última faixa, “Useless”, um soco rápido e certeiro com pouco mais de um minuto e meio, capaz de deixar muito fã de Punk Rock/Hardcore boquiaberto, tamanha a sua visceralidade.

Tarefa dada é tarefa cumprida, assim sendo, não resta outra alternativa que não seja afirmar o óbvio; o Saint Vitus deu uma aula em seu novo álbum e foi além, pois mostrou que ainda tem muito a oferecer, afinal, ter um trabalho recém lançado e o mesmo já poder ser chamado de clássico, nesses tempos, é pra poucos ou apenas para os iniciados!

Fábio Miloch

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