Repudiyo
– “Desgraça, Discórdia e Desgosto” (2017)
Zuada Records | Terceiro Mundo Chaos Discos | Cianeto Discos
Nota: 9,0
A necessidade quase que patológica de contextualizar e categorizar tudo que ouvimos vai por água abaixo ao nos depararmos com “Desgraça, Discórdia e Desgosto”, mais novo atentado sonoro do Repudiyo.
Em um Crossover que reúne tudo de mais brutal que existe na música pesada: Hardcore, Crust, Sludge, Grindcore, e toda gama de desgraceiras que se pode imaginar, o Repudiyo ascende toda sua dissonância a um novo patamar. Todo esse ecletismo em unir realidades tão atonais e distintas ao seu som traz variedade e até alguns momentos inesperados, onde o contraste da rispidez insana com a cadência soturna criam passagens incríveis e, ao mesmo tempo, assustadoras.
Não basta ser rude e pesado, tem que ser o mais intransigente possível. A introdução com o tema do Jaspion gera estranheza, mas o mundo rui aos seus pés quando “Destruição” tem início. Maior impacto não há. E saber que essa é só a porta de entrada para desgraças ainda maiores, tais como “Sentir Repulsa” e “Porras do Governo”, onde fica claro que o poder de aniquilação do Repudiyo é ilimitado.
Logo mais adiante, ainda temos uma versão para “C.B.D.N.E.” (do New York Against the Belzebu) e outra para “Worthless Words” (Grindcore cascudo e abrasivo do Stomachal Corrosion), demonstrando um gosto refinado da banda por selvageria.
A brutalidade é concreta, palpável, o tipo de disco que cumpre o que promete. Só acho que o título da obra deveria ser acrescido de mais um “D”: o de devastação. Um genuíno cancioneiro do Armagedom.
Ricardo L. Costa





