
Lordi – “Killection” (2020)
AFM Records
#HardRock, #HeavyMetal, #IndustrialMetal
Para fãs de: Alice Cooper, Kiss, Rob Zombie
Nota: 8,5
Lordi continua com sua mania de nomear seus álbuns por meio de palavras-valise (como nos ensinou Lewis Carrol, em suas obras de Alice no País das Maravilhas), e desta vez entrou numa piração ainda muito louca, que consiste em recriar músicas Hard N’ Heavy dos anos 70, 80 e 90, como se o Lordi tivesse realmente existido naqueles tempos (a banda Lordi teve início ‘real’ em 1992) – inclusive no que diz respeito ao aparato de gravação em estúdio (no release, Lordi explica que gravou cada música em um estúdio, para atingir esta diferenciação também na estética da produção musical).
Na verdade, não se trata de uma coletânea, são todas músicas inéditas, só que tem uma faixa bônus para comemorar o lançamento da Coletânea Imaginária, intitulada “Killection” – entendeu? Realmente, muita imaginação para um sujeito só.
Para dar a sensação de que as músicas estão rolando em uma Rádio FM, ao longo do álbum há 4 faixas simulando um locutor anunciando as atrações que virão em seguida e, ora a banda aparece tocando ao fundo, como se fosse o Gun n’ Roses, Ozzy Osbourne, AC/DC, Judas Priest, etc., ora um ouvinte ou outro participa do programa.
No final do dia, o que interessa é se as músicas são boas, e nesse quesito o trabalho dá conta da expectativa e entrega 11 faixas realmente diversificadas, sendo destaque total “Like A Bee To A Honey”, que foi composta por Paul Stanley e Jean Beavouir e fora deixada de lado desde aquele tempo – Lordi deu seus pulos e gravou-a aqui (contando com um solo de Saxofone, por Michael Monroe!), como uma homenagem à banda que mais o influenciou musicalmente e, ao mesmo tempo, um presente para os fãs da maior banda de todos os tempos!
Por falar em homenagem ao Kiss, o fraseado de baixo de “Zoombido” é o mesmo de “I Was Made For Loving You”, e pior que ficou bem legal, apesar de seu um puta rip-off na cara dura…concessões poéticas que entram no pacote da viagem de Lordi neste álbum. As frases de guitarra e a gravação mais suja e despojada, dá a “Blow My Fuse” ares de anos 70, com teclado Hammond e aquelas vinhetas que o pessoa do Hard Blues da época adoravam.
Mas, na maior parte do tempo, Lordi acaba mesmo abusando da fórmula adotada por sua ‘verdadeira banda’, a qual estamos todos ‘cansados’ de gostar – Hard/AOR com uma pitada de peso e com estética peculiar, em virtude dos vocais agressivos do Mestre Lordi – é por aí que vão “Horror For Hire”, “Shake The Babe Silent” e “Cutterfly” entre outras.
Quem gosta da banda, certamente vai se amarrar neste novo trabalho e na proposta lunática que segue; quem não gosta, ou não vai entender a brincadeira e, caso entenda, provavelmente não vai achar muita graça no que ouve.
Wallace Magri





