
Lucifer – “Lucifer III” (2020)
Century Media Records | Hellion Records Brazil
#OccultRock, #VintageRock
Para fãs de: Black Sabbath, Coven, Ghost, Pentagram
Nota: 8,5
O terceiro álbum do Lucifer traz exatamente aquilo que os fãs esperam música da mais alta classe e categoria! Continuando sua saga em resgatar a sonoridade dos anos 70, o grupo capitaneado pela vocalista Johanna Sadonis volta À carga com “Lucifer III”, um álbum onde o talento dos músicos se sobressai de forma contundente. A começar pela própria vocalista, dona de uma voz potente e que se encaixa perfeitamente nessa sonoridade mais intensa e por vezes obscura do grupo. Nick Andersson, que fez fama como baterista do Entombed e que, após deixar um dos ícones do death metal, criou duas bandas fantásticas ( The Hellacopters e Imperial State Electric), se juntou ao Lúcifer em 2017 e voltou a tocar bateria. O resultado já foi promissor em “Lucifer II” e agora, com maior entrosamento, atingiu um nível muito, mas muito acima da média. Completam o time os guitarristas Martin Nordin e Linus Björklund, além do baixista Harald Göthblad.
A “viagem” inicia com “Ghosts”, um rock calcado completamente nos anos 70, onde o baixo se sobrepõe de forma mais acentuada. Segundo informações, o instrumento foi gravado por Nick Andersson, o que pode ser um indício desse aspecto ter recebido uma maior notoriedade. Ms longe de tomar isso como algo negativo, pois o que temos aqui é uma faixa sensacional, com todos os elementos do Occult Rock. Um clima Sabbath/Pentagram permeia “Midnight Phantom, onde Johanna mostra classe e competência ao colocar sua voz de forma suave nos momentos certos. As guitarras da dupla Martin e Linus soam pesadas mas não em demasia, assim como em “Leather Demon”. “Lucifer”, logo em seguida, cria um certo clima mais festivo, sem nunca esquecer as letras com sua temática sombria, criando um contraste interessante.
“Pacific Blues”, apesar do nome, é um Heavy Rock com linhas mais arrastadas, conduzidas por aquele som de baixo grava, fortemente inspirado em Geezer Butler. A veia Doom Metal surge em “Coffin Fever”, uma composição densa e obscura, que ganha ainda mais caracterização pelos vocais de Johanna. E tome mais Sabbath/Pentagram em “Flanked by Snakes”, outro momento de altíssimo nível. “Stay Astray” tem uma pegada mais oitentista em sua condução, mas sem perder em nenhum momento a veia voltada aos anos 70 tão cara à sonoridade da banda. O trabalho encerra com “Cemetery Eyes”, o momento mais calmo do play, o que evidencia a versatilidade do quarteto (ou agora quinteto).
“Lucifer III” é altamente indicado para os fãs do grupo que já sabem exatamente o que vão encontrar. Para aqueles que não conhecem, corram atrás. Nunca é tarde para se conhecer o trabalho de uma banda com enorme talento!
Sergiomar Menezes




