U.D.O. – “We Are One” (2020)

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U.D.O. “We Are One” (2020)
AFM Records
#HeavyMetal#SymphonicMetal

Para fãs de: AcceptGrave DiggerRage

Nota: 8,0

Nunca fui fã de álbuns de bandas de metal com orquestra. Principalmente se essa “orquestração” for em cima de músicas já consagradas e clássicas. Talvez, uma dessas exceções seja o álbum do Accept, “Symphonic Terror”, gravado no Wacken em 2017 e lançado em 2018. E para minha surpresa, Udo Dirkschneider, resolveu entrar nessa mesma onda e decidiu gravar um trabalho nesses moldes. No entanto, o baixinho com cara de quem parece ter nascido chupando um limão azedo (e continua até hoje), em parceria com a Orquestra Sinfônica das Forças Armadas Alemã (Musikkorps der Bundeswehr), fez algo diferente: compôs, também em parceria com o Tenente Coronel Christoph Scheibling, um projeto musical mundialmente único.

Ao lado do baixinho, Andrey Smirnov (guitarra), Fabian Dee Dammers (guitarra), Tilen Hudrap (baixo) e Sven Dirkschneider (bateria) deram um suporte muito bem ensaiado, deixando que a banda e orquestra ficassem em ótima sintonia, não sendo apenas uma parte coadjuvante. As 15 faixas presentes em “We Are One” foram compostas por Udo e pelo Christoph Scheibling, mas também houve a participação dos ex-integrantes do Accept Stefan Kaufmann e Peter Baltes, além dos compositores das Forças Armadas Alemãs Guido Rennert e Alexander Reuber.

E para deixar tudo ainda mais peculiar, “We Are One” é um álbum conceitual, onde cada faixa retrata os diferentes desafios que enfrentamos nos dias de hoje.

“Pandemonium” abre o álbum com uma pegada Hard/Heavy tipicamente alemã e que ganha um peso extra devido ao excelente entrosamento entre a banda e a Orquestra. Com uma letra crítica ao lado extremo da direita na sociedade. Independente de posicionamento político, a faia passa sua mensagem de forma consistente. Na seqüência, a faixa título evidencia que todos somos um, vivemos em um mesmo mundo e todos precisamos de harmonia no planeta. Trazendo novamente uma pegada mais acentuada para o lado hard/heavy, a composição, apesar de ter ficado interessante, ganharia mais destaque se deixasse as guitarras aparecerem de forma mais intensa. Corais e um clima bem intimista dão o tom de “Love and Sin”, que, sem dúvidas, poderiam estar em um disco do Nightwish! Pode parecer estranho, mas ouça e me diga o que acha…

Belos metais anunciam “Future is the Reason Why”, uma faixa que também conta com vozes muito bem encaixadas e que fala sobre as mudanças climáticas. Pensamentos sobre o futuro e belos arranjos são o que temos em “Children of the World”. Udo consegue cantar de forma bastante introspectiva, mantendo seu timbre característico.

Outros destaques do álbum são “Blindfold the Last Defender”, que conta com belos vocais femininos, mas que infelizmente, não consta nos créditos enviados pela gravadora, “Rebel Town”, outro momento de perfeito entrosamento entre banda e orquestra, e que saúda os 30 anos de reunificação da Alemanha, “Here We Go Again”, que traz um certo groove em sua execução e retrata a situação dos refugiados ao redor do mundo e seu movimento de migração e “ We Strike Back”, a mais Heavy metal do trabalho.

Apesar de não ser um álbum “normal” do baixinho, “We Are One” é um disco bem composto e estruturado, vez que foi composto por ele e pelo regente da orquestra que o acompanha. Fãs do cantor podem vir a torcer o nariz em um primeiro momento, mas a cada audição o trabalho acaba se tornando mais fácil de assimilar.

Agora, eu fico pensando: o que algumas mentes brilhantes aqui do Brasil falariam sobre um vocalista que compõe e grava um álbum com a orquestra das forças armadas do seu país?

Sergiomar Menezes

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